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OTTO: quando a IA da Volkswagen ganhou voz, contexto e marca

Cristina Cestari, CIO da Volkswagen do Brasil, revelou no VW Tech Day como a montadora está reinventando a relação entre motoristas e inteligência artificial — dentro do próprio carro.

OTTO: quando a IA da Volkswagen ganhou voz, contexto e marca

Cristina Cestari, CIO da Volkswagen do Brasil, detalhou o OTTO, IA da Volkswagen

Bruno Lois

, Editor

9 min

14 mai 2026

Atualizado: 14 mai 2026

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E se o carro deixasse de ser um produto e se tornasse um companheiro? Essa é a aposta da Volkswagen do Brasil com o OTTO — um assistente de inteligência artificial com nome, voz e personalidade própria, integrado diretamente ao veículo. No palco do VW Tech Day, a CIO Cristina Cestari conduziu uma apresentação que começou pelo presente — e não pelo futuro. A provocação era direta: antes de falar em disrupção, era preciso encarar os problemas reais do ecossistema automotivo hoje.

O diagnóstico revelado mostrou gargalos sérios em três frentes: consumidores que exigem simplicidade, transparência e confiança; dealers que precisam de melhor operacionalidade e eficiência; e a montadora buscando inteligência, canais digitais e monetização. Foi desse cenário que nasceu o OTTO.

O principal fator motivador não é tecnológico. É humano.

Esse foi o slide que resumiu a filosofia por trás de todo o projeto. Cestari deixou claro desde o início que o OTTO não nasceu de uma decisão tecnológica, mas de uma constatação sobre comportamento humano: as pessoas evoluíram e agora esperam muito mais do que uma companhia inteligente. Elas querem ser compreendidas, antecipadas, acompanhadas. A tecnologia é apenas o meio. O fim é a conexão humana.

O que é o OTTO?

OTTO é o assistente de inteligência artificial generativa da Volkswagen do Brasil — e, segundo a própria empresa, o primeiro do tipo criado por uma montadora no país. Ele é ativado pelo comando de voz "Fala, Otto" e responde perguntas do motorista em linguagem natural. Mas há uma diferença fundamental em relação a assistentes genéricos: ele opera dentro de guardrails bem definidos, ou seja, filtros que bloqueiam assuntos fora do escopo da marca e garantem que apenas respostas pertinentes ao universo VW cheguem ao usuário. Não é uma IA onisciente — é uma IA com contexto, com marca e com propósito.

O OTTO estreou oficialmente no lançamento do novo VW Tera e está disponível para clientes do modelo que possuem plano de carro conectado ativo e utilizam o sistema operacional Android. A repercussão na mídia foi imediata: portais especializados destacaram o feito como um marco na transformação digital do setor automotivo brasileiro.

Mobile & Car UX: o OTTO em todos os momentos

Um dos slides mais detalhados da apresentação mostrou que o OTTO não vive apenas dentro do carro. A experiência foi desenhada para ser contínua, entre o veículo e o smartphone do motorista. No aplicativo móvel, o assistente se apresenta pelo nome do usuário — "Hello, Gardênia. I am Otto, your Volkswagen assistant. How can I help you?" — e acessa dados do veículo em tempo real.

As capacidades do OTTO estão organizadas em cinco camadas. A primeira é o veículo em si, com connected car em tempo real. A segunda é companhia, oferecendo experiência com chat de voz. A terceira é conectividade, integrando mapas como Google, Waze e Apple Maps, além de Spotify e ligações telefônicas. A quarta camada é a de especialista, com acesso ao manual do veículo e ao conhecimento técnico da VW. E a quinta é multi idiomas, com suporte a português, alemão e inglês.

As tendências que embasam o projeto

Cestari trouxe dados do Harvard Business Review e da Filtered.com para mostrar como os casos de uso de IAs generativas estão se transformando. Em 2024, o principal uso era geração de ideias. Em 2025, o topo da lista mudou radicalmente: companhia e terapia assumiram o primeiro lugar — seguidos de "organizar minha vida" e "encontrar propósito", ambos casos de uso completamente novos. A conclusão da VW foi direta: o próximo capítulo das IAs não é sobre produtividade. É sobre fazer companhia e gerar valor. E quem melhor para ser esse companheiro do que o carro — o objeto que passa mais horas do dia com o brasileiro?

A evolução da interação: de prompt para antecipação

Outro ponto central da apresentação foi a mudança de paradigma na forma como humanos interagem com IAs. O modelo antigo era simples: prompt in, resposta out. O modelo que a VW está construindo é radicalmente diferente, organizado em quatro etapas: Perceber (Sense), Planejar (Plan), Agir (Act) e Aprender (Learn). O destino dessa jornada é a antecipação — uma IA que não espera o motorista perguntar, mas que percebe o contexto, planeja uma ação, age e aprende com o resultado. É o salto de um assistente reativo para um companheiro proativo.

Devices são perecíveis. IAs são perenes.

Talvez a frase mais marcante de toda a apresentação tenha sido o take away da sessão sobre devices. Cestari apresentou uma distinção poderosa para o setor: o carro vai ser trocado, o smartphone vai ser trocado, mas a inteligência que conhece os hábitos, as preferências e o estilo de vida do motorista — essa é a âncora de valor real. Não é sobre entrar nos devices, mas sobre sair deles. O valor está além do hardware do carro, na experiência de mobilidade que a IA oferece. Essa "alma digital" deveria poder se mover aonde o cliente for. A VW está apostando que quem controlar essa alma digital do cliente vai controlar a relação de longo prazo.

O papel das parcerias

Cestari deixou claro que a montadora não vai construir tudo sozinha. Não é só o fabricante que evolui o device adicionando inteligência — é o relacionamento B2B e B2C estratégico e a integração de novas funcionalidades que dão uso diferenciado aos veículos. O ecossistema de parcerias é parte central da estratégia, e o próximo capítulo anunciado no palco é entender como as GenAIs, LLMs, inteligências e agentes estão evoluindo — e como posicionar a VW dentro dessa transformação.

Por que isso importa para o mercado

O case OTTO não é apenas uma história de produto. É uma declaração estratégica de uma das maiores montadoras do mundo sobre para onde vai a competição no setor automotivo: do hardware para a experiência, do produto para a relação, do carro para o companheiro. Para executivos e empreendedores de outros setores, a lição é a mesma. A IA com marca, contexto e personalidade é a nova fronteira da fidelização. Não basta ter um produto — é preciso ter uma presença que o cliente queira levar consigo, independente do device. 

O OTTO é a aposta da Volkswagen do Brasil de que o futuro da mobilidade não se decide na fábrica. Ele se decide na conversa entre motorista e máquina.

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Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.

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