Estudo do NBER com mais de 6 mil executivos mostra que cerca de 70% usam IA menos de uma hora por semana. Ao mesmo tempo, os CEOs comandam as decisões de IA e apostam o cargo nela.
CEOs querem que a IA acelere seus times, mas ainda comandam no modo analógico
, Redator
7 min
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16 out 2026
•
Atualizado: 16 out 2026
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O CEO aprova o orçamento de IA, cobra a adoção das equipes e apresenta ao conselho a estratégia de transformação. Mas ele mesmo usa IA menos de uma hora por semana.
O retrato está num estudo do National Bureau of Economic Research (NBER), coordenado pelo economista Nicholas Bloom, de Stanford, e repercutido pela Fortune. A pesquisa ouviu mais de 6 mil altos executivos nos EUA, no Reino Unido, na Alemanha e na Austrália, além de 3 mil funcionários americanos.
Segundo o estudo, cerca de 70% dos CEOs, diretores financeiros e outros altos executivos usam IA menos de uma hora por semana. E 28% nunca usam.
Pouco, quando se mede o uso direto. A distribuição encontrada pelo NBER é esta:
| Uso semanal de IA | % dos altos executivos |
|---|---|
| Nunca | 28% |
| Menos de 1 hora (incluindo quem nunca usa) | cerca de 70% |
| De 1 a 5 horas | cerca de 24% |
| Mais de 5 horas | 7% |
Nos Estados Unidos, os chefes usam IA em média 1,7 hora por semana, um pouco menos que os funcionários, que usam 1,8 hora. Quem decide sobre a tecnologia usa menos do que quem executa.
Estão, e é isso que torna o dado preocupante. Segundo o BCG AI Radar 2026, que ouviu quase 2.400 executivos, incluindo 640 CEOs, 72% dos CEOs são os principais responsáveis pelas decisões de IA nas suas empresas. E 50% acreditam que o próprio cargo está em risco se a IA não der retorno.
Há uma aparente contradição entre as duas pesquisas. O BCG mostra que a maioria dos CEOs, que a consultoria chama de pragmáticos, dedica cerca de sete horas por semana a trabalhar com IA, pensar sobre IA ou aprender sobre IA. O NBER mede só o uso direto das ferramentas.
A diferença é reveladora. Muitos executivos passam horas em reuniões, apresentações e conversas sobre IA, mas poucas usando a tecnologia de fato.
Porque é difícil avaliar o que não se conhece por experiência própria. Quem usa IA no dia a dia sabe o que ela faz bem, onde erra, quanto tempo economiza e quais tarefas ainda exigem julgamento humano. Quem só conhece pela apresentação de um fornecedor ou pelo relatório da equipe depende da interpretação dos outros.
Isso afeta decisões concretas: quanto investir, em quais processos, que metas definir, como reorganizar as equipes. Um executivo que nunca usou IA para preparar uma análise tem dificuldade para estimar se a promessa de produtividade é realista ou exagerada.
Há também o efeito do exemplo. Funcionários que veem o chefe cobrar o uso de IA, mas nunca usar, tendem a ver a iniciativa como mais uma imposição de cima.
Não, e a diferença é grande. Segundo o estudo do NBER, os executivos esperam que a IA reduza o emprego em 0,7% nas empresas em geral, e em 1,2% nas americanas, nos próximos três anos. Os funcionários esperam o contrário: um aumento de cerca de 0,5% no emprego das próprias empresas.
As expectativas de produtividade também divergem. Os executivos preveem crescimento de 2,3% na produtividade dos EUA em três anos. Os funcionários, de 0,9%.
Quem usa menos a tecnologia é quem espera mais dela, inclusive em corte de vagas. É uma combinação que pede cautela.
Usando IA no próprio trabalho, todos os dias. Não é preciso virar especialista técnico. Basta incorporar a IA às tarefas que fazem parte da rotina executiva:
Em poucas semanas, o executivo passa a ter uma noção própria do que a IA entrega, e as conversas sobre estratégia ganham outra qualidade.
O estudo do NBER mostra uma liderança que comanda a transformação à distância. Num momento em que metade dos CEOs aposta o cargo no sucesso da IA, conhecer a tecnologia por experiência própria deixou de ser opcional.
Preparar lideranças para usar a IA, entender seus limites e liderar a adoção pelo exemplo é o que a AI Journey da StartSe faz com executivos que querem decidir sobre a IA com conhecimento de causa.
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