Na pesquisa anual da PwC com conselheiros, 82% dizem que as informações que recebem sobre IA são regulares, ruins ou inexistentes. Mesmo assim, aprovam investimentos bilionários.
Conselheiros estão no escuro com a IA
, Redator
8 min
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8 out 2026
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Atualizado: 8 out 2026
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Imagine aprovar uma aquisição sem ter visto o balanço da empresa comprada. Nenhum conselho sério faria isso.
Mas é parecido com o que muitos conselhos estão fazendo com a inteligência artificial. Segundo a Pesquisa Anual de Conselheiros 2026, da PwC, divulgada pela Bloomberg Law em 23 de setembro, 82% dos conselheiros de empresas de capital aberto dizem que as informações que recebem sobre a relação entre IA, risco e desempenho são regulares, ruins ou simplesmente não existem.
Ao mesmo tempo, esses mesmos conselhos aprovam orçamentos, estratégias e parcerias de IA. Estão votando no escuro.
Admitem que não estão preparados. Na mesma pesquisa, 71% apontam a IA como a competência que o conselho mais precisa desenvolver, mais que o dobro dos que citam tecnologia e transformação digital, a segunda resposta mais frequente.
As preocupações também aparecem. Mais de dois terços citam segurança cibernética, privacidade de dados e propriedade intelectual como os principais riscos ligados à IA. E 58% dizem ter interagido mais com o diretor de segurança da informação no último ano.
O retrato é de conselhos que sabem que o tema é crítico, sabem que não dominam o assunto e recebem informação insuficiente para decidir.
Porque a maioria das empresas ainda não sabe medir o que a IA está fazendo. Os relatórios que sobem ao conselho costumam falar de investimento, número de projetos e casos de uso. Raramente mostram retorno, risco ou mudança no negócio.
Há também um problema de tradução. Equipes técnicas falam de modelos, dados e infraestrutura. O conselho precisa saber que impacto aquilo tem na margem, no risco regulatório e na posição competitiva. Quando ninguém faz essa ponte, o conselho recebe ou um excesso técnico que não consegue avaliar, ou uma apresentação otimista que não consegue contestar.
Nos dois casos, a decisão fica sem base.
A frequência e a profundidade com que o tema aparece na pauta. O Global Board Governance Survey, da Protiviti, ouviu 772 conselheiros e executivos e encontrou uma diferença clara. Nas empresas com alto retorno em IA, 63% dos conselhos discutem o tema em toda reunião. Nas de baixo retorno, só 13%.
A confiança também muda. Entre as empresas de alto retorno, 95% se dizem confiantes na integração da IA às operações, contra 33% nas de baixo retorno. Quando o assunto é ter uma estratégia responsável e ética de IA, a diferença é de 93% para 42%.
A pesquisa não prova que discutir IA em toda reunião gera retorno. Mas mostra que as empresas que estão colhendo resultado tratam o tema como assunto permanente do conselho, e não como apresentação anual.
Informação que conecte a IA ao negócio. Um bom painel de IA para o conselho deveria responder, no mínimo, a quatro perguntas:
Nenhuma dessas perguntas exige que o conselheiro entenda de arquitetura de modelos. Todas exigem que a gestão saiba responder.
Precisa entender o suficiente para fazer boas perguntas e reconhecer respostas fracas. Não se trata de transformar conselheiros em engenheiros, e sim de dar a eles repertório para avaliar decisões que envolvem IA com o mesmo rigor que aplicam a decisões financeiras.
Há caminhos complementares. Um é trazer para o conselho ao menos um membro com experiência prática em tecnologia e dados. Outro é investir em formação contínua dos conselheiros que já estão lá. Um terceiro é recorrer a especialistas externos em decisões específicas, sem terceirizar o julgamento.
O que não funciona é deixar o tema inteiramente com a diretoria executiva e o conselho apenas carimbar.
Essa é a pergunta que cada conselheiro deveria fazer a si mesmo. Os dados da PwC mostram que a maioria reconhece a lacuna. O desafio é transformar esse reconhecimento em mudança de prática: na pauta, no tipo de informação exigida e na composição do conselho.
Um conselho que aprova investimentos em IA sem informação adequada não está sendo prudente nem ousado. Está deixando de cumprir sua função. E a conta dessa omissão costuma aparecer depois, num incidente de dados, num projeto caro que não entregou ou num concorrente que andou mais rápido.
Seu conselho tem as informações de que precisa para decidir sobre IA, ou está aprovando o que chega pronto? Formar conselheiros capazes de exigir os dados certos e fiscalizar a IA com o mesmo rigor do balanço é o foco do Board Program da StartSe.
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