Estudo da Spencer Stuart mostra que os conselhos do S&P 500 nomearam o menor número de novos membros desde 2016, e os escolhidos são mais velhos e mais experientes.
Um conselho envelhecido pode não ter nada a ver com a idade de seus membros, mas sim com a postura
, Redator
7 min
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16 out 2026
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Atualizado: 16 out 2026
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Em 2026, a tecnologia mudou mais rápido do que em qualquer ano recente. Os conselhos das maiores empresas americanas mudaram mais devagar.
Segundo o 2026 New Director Snapshot, da Spencer Stuart, os conselhos das empresas do S&P 500 nomearam 364 novos conselheiros independentes no último ciclo. É o menor número desde 2016.
Os poucos que chegaram são, em média, mais velhos, mais vezes ex-CEOs e menos vezes estreantes. O perfil é de quem já conhece o caminho, num momento em que o caminho está mudando.
A renovação desacelerou nas duas pontas: menos gente entrando e menos gente saindo. Segundo a Spencer Stuart, a média de novos conselheiros por conselho caiu de 0,8 para 0,7, e as saídas recuaram 10%, para 377. Metade dos conselhos não trouxe nenhum membro novo no ano.
O estudo não aponta uma causa única, mas o contexto ajuda a explicar. Num ambiente de incerteza econômica e mudança tecnológica acelerada, muitos conselhos preferem estabilidade. Trocar membros significa perder conhecimento acumulado sobre a empresa e arriscar a dinâmica do grupo.
O problema é que estabilidade demais, num momento de transformação, pode virar rigidez.
Executivos mais experientes e já testados. Os números da Spencer Stuart mostram uma mudança clara de perfil:
| Indicador | 2026 | Comparação |
|---|---|---|
| Idade média dos novos conselheiros | 60,1 anos | 59,1 em 2025; cerca de três anos a mais que há uma década |
| Estreantes em conselho de empresa aberta | 24% | 31% em 2025 e 34% em 2024 |
| CEOs atuais ou ex-CEOs | 37% | 30% em 2025 |
| Conselheiros com 50 anos ou menos | 10% | não informado |
| Mulheres entre os novos conselheiros | 29% | 38% em 2025 |
| Executivos de grupos diversos | 40% | queda de seis pontos |
As formações mais comuns entre os novos conselheiros são tecnologia e telecomunicações e indústria, com 17% cada. Os perfis financeiros caíram de 29% para 27%.
Encaixe na cultura do grupo, mais que competências específicas. A Pesquisa Anual de Conselheiros 2026, da PwC, mostra que 81% dos conselheiros consideram muito importante o alinhamento com a cultura do conselho na hora de avaliar candidatos. Só 27% dão o mesmo peso a competências especializadas, como IA ou cibersegurança.
Os dois dados, juntos, explicam o padrão. Se o principal critério é o encaixe na cultura, a tendência é escolher pessoas parecidas com quem já está lá: experientes, com trajetória executiva tradicional e perfil conhecido. Se a renovação é pequena, essa escolha pesa ainda mais.
Porque a IA exige do conselho uma capacidade que a experiência sozinha não garante: entender uma tecnologia que muda a cada trimestre e avaliar como ela afeta o modelo de negócio. Ex-CEOs trazem visão estratégica, experiência em crises e conhecimento de gestão. Mas a maioria construiu a carreira num mundo em que a IA não era central.
Não se trata de trocar experiência por juventude. Trata-se de equilíbrio. Um conselho formado só por pessoas com a mesma trajetória tende a fazer as mesmas perguntas e a ter os mesmos pontos cegos. Num momento em que as empresas precisam proteger o negócio atual e, ao mesmo tempo, explorar novos modelos, essa homogeneidade é um risco.
É o dilema da ambidestria levado ao conselho: a mesa precisa ter quem saiba conservar e quem saiba reinventar.
Muita coisa. A renovação de membros é lenta, mas o conselho pode ampliar seu repertório de outras formas:
Essas medidas não substituem a renovação, mas reduzem o risco de o conselho ficar para trás enquanto ela não acontece.
Experiência é um ativo valioso em qualquer conselho. Mas, num momento de mudança acelerada, um conselho que só se renova com pessoas parecidas com as que já estão lá corre o risco de enxergar o futuro com as lentes do passado.
Equilibrar estabilidade e renovação, experiência e repertório novo, gestão do presente e exploração do futuro é o desafio que a gestão por contexto e a ambidestria organizacional ajudam conselhos e lideranças a enfrentar, com uma estrutura que não precisa escolher entre conservar e reinventar.
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