Com os modelos de ponta quase empatados e cada vez mais baratos, os estudos de 2026 mostram que o lucro ficou com quem redesenhou processos e passou a medir resultado
Com acesso aos mesmos modelos, a diferença entre as empresas passa a estar no uso que cada uma faz deles
, Redator
10 min
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3 nov 2026
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Atualizado: 3 nov 2026
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Duas empresas podem pagar a mesma assinatura de GPT, Claude ou Gemini e fechar 2026 em pontos opostos. A tecnologia ficou acessível, barata e quase igual entre os fornecedores. Mesmo assim, só uma minoria converte esse acesso em lucro. Para 2027, a vantagem competitiva com IA vai para três lugares que o concorrente não compra pronto: o processo, os dados da empresa e a medição de resultado.
A barreira de entrada caiu. Uma empresa média do interior e um grande banco da Faria Lima usam os mesmos modelos, pela mesma API, a preços parecidos.
O retorno ficou concentrado. A maioria das empresas já usa IA. Pouquíssimas conseguem mostrar o efeito no resultado.
A distância tende a crescer. Quem já captura valor reinveste o ganho e se afasta. Cada trimestre de espera custa mais caro.
O Stanford AI Index 2026 registra que, em março deste ano, o melhor modelo americano superava o melhor chinês por apenas 2,7%. Entre o melhor modelo fechado e o melhor modelo aberto, a distância ficou em 3,3%. Seis laboratórios (Anthropic, xAI, Google, OpenAI, Alibaba e DeepSeek) aparecem agrupados numa faixa estreita do ranking de preferência de usuários. O próprio relatório conclui que a disputa passa a ser decidida por custo, confiabilidade e desempenho em tarefas específicas.
O preço acompanha. A Epoch AI, instituto independente que monitora a evolução da IA, calcula que o custo para atingir um mesmo nível de desempenho cai cerca de 13 vezes por ano desde 2023.
Satya Nadella, CEO da Microsoft, empresa que fatura vendendo acesso a modelos, antecipou o movimento ainda em 2024. Segundo ele, à medida que a IA fica mais capaz, os modelos "se tornam mais uma commodity". O valor passa a vir da forma como cada empresa os direciona e ajusta com os próprios dados e fluxos de trabalho.
Para quem busca vantagem competitiva, o efeito é prático. A escolha do modelo virou uma das decisões menos estratégicas da agenda de IA. E uma das mais fáceis de reverter.
Poucas. A pesquisa "The state of AI in 2026", da McKinsey, ouviu 1.719 executivos em 97 países. Quase nove em cada dez usam IA regularmente em pelo menos uma área, e 80% dizem ter ficado mais produtivos. Só 37% atribuem algum efeito no EBIT à tecnologia, praticamente o mesmo patamar de 2025. O grupo que a consultoria chama de high performers, com 5% ou mais do EBIT vindo de IA, segue em torno de 6%.
A 29ª Global CEO Survey da PwC, com 4.454 CEOs de 95 países, aponta na mesma direção. Para 56% deles, a IA não trouxe aumento de receita nem queda de custo nos últimos 12 meses. Apenas 12% colheram as duas coisas.
No Brasil, a adoção avança rápido e a escala vem devagar. Levantamento da Bain & Company com 140 empresas mostra que 95% usam IA em algum estágio, mas só cerca de 40% escalaram pelo menos um caso de uso. A TIC Empresas 2025, do Cetic.br, olha para empresas de todos os portes com mais de 10 funcionários e encontra uso em 17% delas.
O ganho individual existe. Ele só não chega ao balanço sozinho.
A diferença está na forma como o trabalho é organizado. Segundo a McKinsey, quase três quartos dos high performers redesenharam a fundo seus fluxos de trabalho por causa da IA. Entre as demais empresas, a proporção é de um quarto. Os líderes também têm duas vezes mais chance de contar com processos formais para medir o impacto de cada iniciativa.
A BCG chega a uma conclusão parecida por outro caminho. O estudo "The Widening AI Value Gap" identificou que só 5% das empresas capturam valor em escala. Esse grupo obtém cinco vezes mais aumento de receita e três vezes mais redução de custos com IA do que o restante. A consultoria resume a fórmula na regra 10-20-70: 10% do esforço vai para algoritmos, 20% para tecnologia e dados e 70% para pessoas e processos.
Aí está o ponto contraintuitivo. Quanto mais barata e homogênea a IA fica, mais a vantagem competitiva depende do que nenhum fornecedor vende: o redesenho do processo, o contexto que só a empresa tem e a disciplina de medir.
Acelerar sem esse alicerce tem preço. O Gartner prevê que mais de 40% dos projetos de IA agêntica serão cancelados até o fim de 2027. Os motivos são custos crescentes, valor de negócio pouco claro ou controle de risco insuficiente. O instituto estima que, dos milhares de fornecedores que se apresentam como "agênticos", só cerca de 130 entregam essa capacidade de fato.
A Klarna virou o exemplo mais citado. A fintech sueca substituiu boa parte do atendimento humano por IA em 2024. Em maio de 2025, o CEO Sebastian Siemiatkowski reconheceu em entrevista à Bloomberg que o peso excessivo dado ao custo resultou em qualidade mais baixa. A empresa voltou a contratar atendentes (Forbes).
Uma ressalva de método: os números de McKinsey, BCG e PwC são declarados pelos próprios executivos. Eles mostram associação entre redesenho de processos e lucro, sem provar causa.
Os estudos apontam um caminho com poucas peças e muita disciplina.
Escolher poucos processos e redesenhá-los inteiros. De dois a cinco fluxos que mexem com receita ou custo, como concessão de crédito, cobrança, atendimento ou desenvolvimento de software. IA encaixada numa etapa isolada costuma gerar ganho individual, e não financeiro.
Tratar dados próprios como ativo. Histórico de clientes, contratos, regras internas e base de conhecimento organizados e conectados aos modelos. É esse contexto que faz o mesmo modelo render mais numa empresa do que na concorrente.
Medir antes de começar. Registrar tempo, custo e conversão do processo atual e definir um indicador de negócio. Número de licenças ativas não informa retorno.
Evitar dependência de um único modelo. Com desempenho convergente e preço em queda, uma arquitetura que permite trocar de fornecedor protege a margem e o poder de negociação.
Exigir prova de produção dos agentes. Antes de assinar, pedir casos rodando com dado real e métrica auditável.
Para empresas menores, a queda de preço joga a favor. Na mesma pesquisa da McKinsey, 32% dos respondentes contam que desistiram de comprar ao menos um software porque conseguiram construí-lo internamente com agentes de programação. Quem tem menos camadas de aprovação consegue testar, medir e ajustar em semanas um processo que gera caixa.
Em 2027, todas as empresas terão acesso aos mesmos modelos. As planilhas de resultado vão sair diferentes.
Nesta quinta-feira (5), os principais sócios da StartSe, conectados à China, ao Vale do Silício e ao Brasil, mostram na Master Talk o que estão vendo agora. Eles também apontam quais decisões já precisam entrar no planejamento de quem quer chegar a 2027 sabendo onde usar IA e como transformar esse uso em resultado, em um caminho guiado e passo a passo. Para receber o link em primeira mão, entre no grupo de WhatsApp.
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