Pesquisa do Cetic.br/NIC.br com 4,2 mil empresas mostra a adoção de inteligência artificial avançando rápido, mas de forma desigual conforme o porte do negócio.
Inteligência artificial deixou de ser exclusividade das grandes corporações e passa a fazer parte do dia a dia de negócios de todos os portes.
, Redator
8 min
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21 set 2026
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Atualizado: 21 set 2026
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O Brasil passou de 13% para 17% de empresas usando inteligência artificial em apenas um ano. O número, por si, já seria notícia. Mas ele esconde uma pergunta mais interessante para quem lidera: esse crescimento está distribuído ou concentrado em quem já tinha vantagem?
A resposta, segundo a 16ª edição da pesquisa TIC Empresas, do Cetic.br (Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação, ligado ao NIC.br), é as duas coisas ao mesmo tempo. Entre as grandes empresas — aquelas com 250 funcionários ou mais —, a adoção de IA saltou de 38% para 50% entre 2024 e 2025. Metade delas já usa a tecnologia formalmente em algum processo. Entre as pequenas, de 10 a 49 funcionários, o salto foi de 10% para 15%. Cresceu, mas partindo de uma base muito menor — e chegando a um patamar três vezes mais baixo que o das grandes.
Passa de uma em cada seis. A pesquisa, conduzida por telefone entre fevereiro de 2025 e janeiro de 2026 com 4.174 empresas brasileiras de todos os portes, é o retrato mais confiável que existe sobre o tema no país — permite recortes por porte, região e setor econômico, o que faz dela referência para qualquer discussão séria sobre onde a IA realmente chegou.
O salto de quatro pontos percentuais em um ano é o maior já registrado pela série histórica da pesquisa. Isso por si só já sinaliza que 2025 foi o ano em que a IA generativa saiu do campo da curiosidade executiva e entrou na operação de um número relevante de empresas brasileiras.
Porque adoção formal de IA custa dinheiro, gente e tempo — três recursos que empresas grandes têm em maior quantidade. Implementar um modelo de IA num processo de atendimento, crédito ou logística normalmente exige integração com sistemas legados, um time técnico dedicado e um orçamento que sobrevive a mais de um trimestre ruim. Pequenas empresas raramente têm as três coisas ao mesmo tempo.
O próprio Cetic.br nota que os novos resultados evidenciam "maior escala de soluções de IA no mercado, impulsionadas principalmente pelo aumento de seu uso entre pequenas empresas" — um sinal de democratização real, mesmo que ainda distante de fechar o fosso.
Muda bastante — e é aqui que os números ficam realmente interessantes. Uma pesquisa do Sebrae em parceria com o Meta Instituto, batizada de "Transformação Digital nos Pequenos Negócios", ouviu 7.182 microempreendedores, microempresas e empresas de pequeno porte entre março e maio de 2026. O resultado: 52% desses empreendedores haviam usado alguma ferramenta de IA nas duas semanas anteriores à entrevista — mais que o dobro da taxa equivalente nos Estados Unidos, de 21%, segundo pesquisa do U.S. Census Bureau.
Como conciliar um número tão mais otimista com os 15% de adoção formal medidos pelo Cetic.br? A explicação não é contradição, é metodologia. O Sebrae está medindo uso individual de ferramentas como ChatGPT, Gemini ou Copilot pelo empreendedor no seu dia a dia. O Cetic.br está medindo adoção de IA como processo de negócio — algo incorporado ao sistema, ao fluxo de trabalho, à operação formal da empresa.
Essa é, talvez, a leitura mais útil dos dois estudos lidos juntos. O pequeno empresário brasileiro adotou ferramentas de IA generativa na veia, de forma orgânica e informal, para escrever um anúncio, responder cliente no WhatsApp ou organizar uma planilha. O problema não é falta de apetite. É que esse uso disperso raramente vira processo, indicador ou vantagem competitiva sustentável — vira apenas um atalho pontual, sujeito a desaparecer na próxima troca de aplicativo favorito.
Nas grandes empresas, o padrão é o oposto: menos gente usando IA no dia a dia, mas quando usa, está dentro de um processo desenhado, com dono, métrica e orçamento.
Depende de quem está perguntando. Para quem lidera uma grande empresa, o risco é a complacência: 50% de adoção parece um número alto até se lembrar que significa que a outra metade dos concorrentes diretos ainda não decidiu como usar IA de forma estruturada — o que deixa uma janela de vantagem competitiva ainda aberta para quem sair na frente com disciplina.
Para quem lidera uma pequena ou média empresa, a oportunidade é o oposto: a barreira não é cultural, os dados do Sebrae provam isso. A barreira é transformar uso informal em processo repetível. É a diferença entre um funcionário que usa IA por conta própria e uma empresa que usa IA como vantagem.
A pergunta que qualquer liderança deveria fazer neste momento não é "minha empresa usa IA?" — cada vez mais, a resposta tende a ser sim, ainda que de forma informal e fragmentada. A pergunta certa é se esse uso está sendo capturado, direcionado e transformado em resultado mensurável, ou se está apenas acontecendo nas margens, invisível para quem decide onde investir.
É exatamente essa transição — de uso disperso para estratégia de IA com dono, prioridade e retorno acompanhado — que separa quem vai aparecer nos próximos 50% do Cetic.br e quem vai continuar preso nos 15%. O AI Journey foi desenhado exatamente para esse momento: ajudar lideranças a transformar experimentação isolada com IA em estratégia corporativa, com cultura, capacitação e método — antes que o fosso entre quem usa IA de verdade e quem só usa por acaso fique grande demais para ser fechado.
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