Depois de anos de tensão política, jurídica e geopolítica, Estados Unidos e China finalmente chegaram a um acordo para “separar” o TikTok em solo americano.
Tiktok (foto: Eyestetix Studio/Unsplash)
, redator(a) da StartSe
6 min
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22 jan 2026
•
Atualizado: 22 jan 2026
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Na prática, o aplicativo continuará funcionando para seus cerca de 170 milhões de usuários nos EUA — mas sob uma nova estrutura de controle, governança e segurança.
O movimento encerra um dos capítulos mais longos e delicados da disputa tecnológica entre as duas potências. E deixa claro: o problema nunca foi o TikTok como produto, mas quem controla dados, algoritmo e influência.
O acordo prevê que as operações do TikTok nos Estados Unidos passem a funcionar dentro de uma nova empresa, chamada TikTok USDS Joint Venture LLC. Essa empresa será controlada majoritariamente por investidores americanos e aliados dos EUA, enquanto a ByteDance — dona original do app — ficará com uma participação minoritária, abaixo de 20%.
Entre os principais novos sócios estão Oracle, Silver Lake e MGX, além de outros fundos e investidores já ligados ao ecossistema da ByteDance. A empresa foi avaliada em cerca de US$ 14 bilhões.
O comando da nova entidade ficará nas mãos de um conselho com maioria americana, responsável por decisões sensíveis como:
A Oracle assume um papel central como “parceira de segurança confiável”, hospedando dados, auditando sistemas e garantindo conformidade com exigências de segurança nacional dos EUA.
O coração do TikTok sempre foi o algoritmo de recomendação — e ele continua sendo o principal foco de preocupação.
Pelo acordo, o algoritmo usado nos EUA será retreinado apenas com dados de usuários americanos, com a promessa de evitar qualquer interferência externa. Ainda assim, algumas funções globais da ByteDance — como publicidade, e-commerce e marketing — continuarão conectadas à operação americana.
Ou seja: há separação operacional, mas não um corte total. E é exatamente isso que incomoda parte dos críticos.
Esse acordo é consequência direta de uma lei aprovada pelo Congresso americano em 2024, que obrigava a ByteDance a vender o TikTok nos EUA ou enfrentar um banimento efetivo. O argumento central sempre foi o mesmo: risco de vigilância, influência política e acesso indevido a dados por um governo estrangeiro considerado adversário.
Com a ameaça de banimento real, o acordo virou a única saída para manter o app ativo no mercado americano — e para evitar um novo ponto de atrito diplomático em um cenário já carregado de tensões entre EUA e China.
Nem todos estão convencidos. Alguns legisladores argumentam que a separação não é completa o suficiente e que a ByteDance ainda mantém influência excessiva sobre a tecnologia central do aplicativo. Para esses críticos, o acordo parece mais uma “franquia” do que uma venda real.
Outros apontam que ainda existem lacunas sobre como, na prática, o algoritmo será isolado e auditado ao longo do tempo.
Esse episódio deixa uma mensagem cristalina para o mercado global de tecnologia:
apps deixaram de ser apenas produtos — viraram ativos geopolíticos.
O que está em jogo não é entretenimento, mas:
O acordo do TikTok cria um precedente poderoso. Mostra que governos estão dispostos a forçar cisões, reestruturações societárias e mudanças de governança para manter controle sobre plataformas que moldam comportamento e informação.
Isso não deve parar no TikTok.
Outros aplicativos, redes sociais, plataformas de IA e empresas de infraestrutura digital podem enfrentar pressões semelhantes — especialmente aquelas que operam globalmente, mas concentram controle tecnológico em poucos países.
A tendência é clara: mais exigências de localização de dados, mais pressão por governança local, mais separações regionais de plataformas globais.
Estamos entrando em uma era de “internet fragmentada por blocos geopolíticos”.
E empresas que quiserem operar globalmente precisarão aprender a navegar não só mercados — mas regulações, alianças políticas e expectativas de soberania.
O TikTok sobreviveu nos EUA. Mas o mundo digital, definitivamente, não será mais o mesmo depois disso.
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Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.
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