O Airbnb passou a alugar carros em mais de 300 cidades brasileiras, num setor que movimentou R$ 61,7 bilhões em 2025. O recado vale para qualquer setor: o concorrente pode vir de fora.
Airbnb
, Redator
8 min
•
12 out 2026
•
Atualizado: 12 out 2026
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Se você dirige uma locadora de veículos no Brasil, seu concorrente mais novo não tem nenhum carro.
O Airbnb passou a oferecer aluguel de carros em mais de 300 cidades brasileiras, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, segundo o Times Brasil. O serviço funciona com locadoras parceiras, cujos nomes a empresa não divulgou, e pode ser contratado mesmo por quem não reservou hospedagem pela plataforma.
À primeira vista, é só mais um serviço no aplicativo. Na prática, é um movimento de estratégia que deveria interessar a qualquer executivo, de qualquer setor.
O cliente busca um carro na área de serviços do aplicativo e reserva com uma locadora parceira. Quem já tem hospedagem confirmada vê os veículos disponíveis perto do local da estadia. A retirada segue as regras de cada locadora, com habilitação válida e cartão de crédito no nome do motorista principal.
Para atrair os primeiros clientes, o Airbnb oferece um crédito equivalente a 20% do valor do primeiro aluguel, que pode ser usado em uma hospedagem, experiência ou serviço futuro. Também há descontos de até 20% com parceiros preferenciais, segundo o Meio & Mensagem.
O detalhe do crédito é revelador. O desconto não é para alugar outro carro. É para voltar ao Airbnb.
Porque quer ser dono da viagem inteira, não só da noite de hospedagem. A expansão faz parte da estratégia de serviços e experiências que a empresa lançou globalmente em maio de 2025. O aluguel de carros já estava disponível nos Estados Unidos, França, Itália, Espanha e Austrália.
A lógica é a mesma de qualquer plataforma que já conquistou a confiança do cliente: se ele já abriu o aplicativo para reservar onde dormir, por que não resolver ali também como se deslocar, o que fazer e onde comer? Cada serviço novo aumenta o valor de cada cliente sem exigir que a empresa conquiste um cliente novo.
O Airbnb também está levando IA para a jornada de viagem, a começar pelos Estados Unidos, com busca, comparação de opções e atendimento, segundo o Meio & Mensagem. Quanto mais a plataforma entende o viajante, mais serviços consegue oferecer a ele.
Um mercado grande e em crescimento. Segundo dados da ABLA, a associação das locadoras, citados pelo Times Brasil, o setor movimentou R$ 61,7 bilhões em 2025, alta de 16,6% sobre o ano anterior. A frota chegou a 1,72 milhão de carros e comerciais leves, e as locadoras responderam por 24,6% de todos os emplacamentos desses veículos no país.
O Airbnb não vai comprar carros nem montar balcões em aeroportos. Ele vai se colocar entre o cliente e as locadoras. É aí que mora o risco: quem controla o acesso ao cliente tende a ficar com parte crescente da margem.
Para as locadoras parceiras, há um ganho de demanda no curto prazo. No longo prazo, existe o risco de virar fornecedora de uma marca que o cliente valoriza mais.
Porque ele não joga pelas mesmas regras. Uma locadora compete com outras locadoras em preço, frota, localização e atendimento. O Airbnb compete em outra dimensão: conveniência e relacionamento com o viajante antes mesmo de ele pensar em alugar um carro.
Esse padrão se repete em vários setores. Bancos viram fintechs e varejistas entrarem no crédito. Varejistas viram plataformas de vídeo virarem vitrine de vendas. Empresas de mídia viram plataformas de tecnologia ficarem com a audiência. Em todos os casos, o líder do setor estava olhando para os concorrentes conhecidos enquanto o novo rival vinha de fora.
O caso do Airbnb mostra que nenhum setor está protegido só por ter ativos físicos, operação complexa ou marca forte.
Quem já tem o relacionamento com o seu cliente, antes de ele chegar até você? Para uma locadora, a resposta pode ser uma plataforma de viagem. Para um hospital, um plano de saúde ou um aplicativo de bem-estar. Para uma indústria de alimentos, um aplicativo de delivery ou de supermercado.
Essa pergunta muda a forma de fazer planejamento estratégico. Em vez de mapear só os concorrentes diretos, a liderança precisa mapear quem controla os momentos que antecedem a compra. É ali que surgem as ameaças, e também as oportunidades de parceria.
Há um outro lado: o mesmo raciocínio pode virar ofensiva. Que serviço próximo do seu negócio você poderia oferecer porque já tem a confiança do cliente?
A entrada do Airbnb no aluguel de carros é um caso pequeno de um movimento grande. Plataformas que conquistam a confiança do cliente expandem para tudo o que está ao redor dele, e as empresas que só olham para os concorrentes conhecidos descobrem o novo rival quando ele já está dentro do mercado.
Formar executivos capazes de enxergar esses movimentos antes que eles cheguem, e de transformar a ameaça em estratégia, é o que o Executive Program da StartSe desenvolve em líderes que não querem ser surpreendidos por um concorrente que nem estava no radar.
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