Uma pesquisa inédita da Flash em parceria com a FIA Business School colocou esse desconforto na mesa.
Apenas 2 em cada 10 CEOs recomendariam seu líder de RH para outra organização
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10 min
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22 mai 2026
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Atualizado: 22 mai 2026
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Durante muito tempo, o RH viveu de uma narrativa confortável: a de que era estratégico, parceiro de negócio e agente de transformação. E muita gente acreditou, inclusive o próprio RH. O problema? Os CEOs não compraram essa ideia.
Agora, pela primeira vez no Brasil, uma pesquisa inédita da Flash em parceria com a FIA Business School colocou esse desconforto na mesa. Ouvindo 168 presidentes de empresas de diferentes portes e setores, o estudo trouxe a verdade à tona com metodologia acadêmica e a segurança do anonimato.
O diagnóstico é difícil de ignorar, mas para quem atua no desenvolvimento e na mentoria de empresas no mercado, a real provocação vai além dos números. O ponto central não é apenas o que o RH está entregando, mas como a liderança está enxergando e utilizando essa cadeira.
Se o RH fosse uma marca, estaria em plena crise de reputação. O Net Promoter Score (NPS) da área no Brasil é de -7. Isso significa que há mais CEOs detratores (31%) do que promotores (24%) em relação à própria gestão de pessoas. Os 45% restantes estão neutros, o que, em linguagem corporativa, equivale à indiferença.
Para piorar: apenas 2 em cada 10 CEOs recomendariam seu líder de RH para outra organização. Isso não é um problema de comunicação; é uma crise de entrega. Mas por que esse abismo existe?
Porque o mercado acostumou-se a enxergar o RH como uma área de suporte. Criou-se uma lacuna imensa onde o profissional de gestão de pessoas atua quase como um "bombeiro", vivendo para apagar incêndios e resolver problemas triviais da rotina da área. Enquanto o RH estiver soterrado pelo operacional, ele jamais conseguirá desenhar o futuro.
A pesquisa foi construída sobre o modelo de competências de Dave Ulrich, a maior referência mundial na área. Independentemente do setor ou porte da empresa, os CEOs brasileiros apontaram as mesmas três competências como as mais críticas para um RH estratégico:
O problema é que os CEOs não as enxergam na prática. Enquanto "Líder de Confiança" foi bem avaliado (64% de aprovação), "Estrategista de Negócio" foi reconhecido em apenas 37% dos casos, e "Gestor de Dilemas" despencou para 34%.
"O RH ainda está focado no papel operacional." — Bruno Tortorello, CEO da Jadlog.
O mercado cobra estratégia, mas mantém o RH fora da sala onde as decisões acontecem. A pesquisa mostra que metade das empresas brasileiras não tem o RH no Comitê Executivo. É um ciclo vicioso: sem relevância, o RH fica fora da sala; fora da sala, ele não consegue co-construir o futuro; sem resultado macro, o CEO continua limitando a área ao suporte.
Nos "facilitadores organizacionais", competências para moldar o ambiente, os números melhoram: Desenvolvedor de Talentos aparece com 61% de aprovação e Líder de Cultura e Mudança com 49%. O problema é que isso virou o "mínimo esperado".
É nos "facilitadores de entrega" que o alerta acende. Três competências críticas ficaram abaixo dos 40% de aprovação: Especialista em Dados (38%), Gestor de Compliance (29%) e Integrador de Tecnologia (22%).
Aqui, vale um contraponto prático sobre o uso da Inteligência Artificial. Se por um lado a pesquisa aponta que apenas 26% dos CEOs veem o RH como protagonista em IA, por outro, é preciso entender o papel real da tecnologia. A IA deve ser utilizada no dia a dia como uma poderosa aliada para automatizar o processo operacional, liberando tempo. Mas ela jamais será o fator determinante para a execução. Se dependermos exclusivamente dela, o ser humano perde sua capacidade criativa de resolver e solucionar problemas complexos. Tecnologia é meio, não é fim.
O cruzamento de dados revelou que CEOs promotores são 2,57 vezes mais propensos a afirmar que o RH os apoia em decisões estratégicas. O CEO satisfeito é aquele que percebe no parceiro de RH alguém que o ajuda a enxergar além, a antecipar cenários e a desenhar soluções que impactam diretamente o P&L (Lucros e Perdas).
E para que essa virada de chave aconteça na sua empresa, uma premissa precisa ficar clara para todo o C-level:
"Precisamos, urgentemente, valorizar o capital intelectual do RH. É a partir dele que nascem as estratégias voltadas para as pessoas e são as pessoas que geram os negócios e os resultados que a empresa busca no mercado. Afinal, estamos falando de Recursos Humanos, mas o foco precisa estar no Humano, não no recurso."
Quando o RH assume esse papel macro, ele não apenas aponta as problemáticas que a liderança vivencia, mas atua ativamente na implementação das soluções que movem o ponteiro do negócio.
O topo das prioridades dos CEOs para o RH envolve: criar estratégias de crescimento (35%), atrair os talentos certos (33%) e desenvolver futuros líderes (32%).
O cenário macroeconômico de 2026 pressiona essa corda: com o desemprego a 5,8% (menor taxa desde 2012) e renda real recorde, reter e engajar talentos tornou-se um desafio de sobrevivência corporativa.
O pacote de benefícios tradicionais (plano de saúde e VR) virou fator higiênico. Para os próximos anos, os CEOs enxergam força máxima em: Saúde mental e bem-estar integral (80%) e Benefícios flexíveis (74%). Inclusive, com a fiscalização da nova NR-1 (riscos psicossociais) iniciando em maio de 2026, a saúde mental deixou de ser uma pauta de "bem-estar" para se tornar uma pauta de compliance e responsabilidade do board.
A pesquisa da Flash e da FIA não é um relatório comum; é um espelho que reflete o quanto o mercado ainda patina na gestão de seu maior ativo. Para quebrar o ciclo do "RH bombeiro", o movimento precisa ser duplo:
NPS negativo não é coincidência, é feedback. O RH que o mercado precisa não é o que simplesmente executa processos, mas o que co-constrói o futuro da organização.
A cadeira estratégica está lá. A pergunta é: a sua liderança está pronta para deixar o RH sentar nela?
Dados extraídos da pesquisa exclusiva "A visão dos CEOs sobre o RH no Brasil" (FIA Business School/Flash/Data-Makers, fevereiro de 2026), realizada com 168 CEOs de empresas com mais de 300 funcionários.
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Daniele Avelino
, Colunista
LinkedIn Top Voices. Conselheira na área de Pessoas e especialista em Recursos Humanos e Diversidade & Inclusão. Palestrante, Mentora e Consultora. Atua com propósito no desenvolvimento de líderes e na construção de culturas mais humanas, diversas e sustentáveis.
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