O filme retrata uma indústria editorial em declínio, onde o prestígio das capas precisa se curvar aos algoritmos e à pressão por resultados imediatos.
O Diabo Veste Prada 2 e a indústria editorial em declínio
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4 min
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5 mai 2026
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Atualizado: 5 mai 2026
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A estreia de “O Diabo Veste Prada 2” chega aos cinemas em um momento que parece roteirizado pela própria Miranda Priestly: o filme retrata uma indústria editorial em declínio, onde o prestígio das capas precisa se curvar aos algoritmos e à pressão por resultados imediatos. Se o primeiro longa, há vinte anos, era sobre o glamour e a hierarquia brutal de uma redação de moda no auge, a sequência é sobre algo que qualquer profissional do século XXI reconhece de imediato: a obsolescência acelerada de modelos de negócio e a brutalidade das reestruturações que se seguem.
Diante disso, o que torna o filme relevante além do entretenimento é a precisão com que ele espelha dinâmicas que já cobrimos extensivamente por aqui. Quando o jovem herdeiro do conglomerado assume o comando e convoca uma consultoria para reestruturar o modelo de operação de sua empresa, Runway, o paralelo com o que a Amazon fez ao desligar 30 mil funcionários em três meses, substituindo coordenação humana por coordenação algorítmica, é difícil de ignorar.
Da mesma forma, a trajetória de Andy, demitida no início da trama e forçada a reposicionar sua carreira, ecoa o diagnóstico que fizemos sobre o mercado de trabalho na era da IA: estabilidade em funções de suporte deixou de existir, e a única proteção sustentável é a capacidade de operar nas fronteiras onde a automação ainda não chegou.
A lição mais penetrante do filme, contudo, não está nas demissões ou nas reestruturações, mas na personagem de Emily, a assistente sobrecarregada do primeiro filme que, na sequência, reaparece como executiva da Dior com poder sobre o futuro de sua antiga chefe. Em carreiras cada vez menos lineares, onde IA redefine quem é indispensável e quem é substituível, a capacidade de construir e preservar relações profissionais se torna um ativo tão valioso quanto competência técnica. Hollywood, como de costume, empacota em narrativa aquilo que o mercado ainda reluta em admitir: no mundo do trabalho contemporâneo, quem não se adapta rapidamente, quem não se posiciona e quem espera reconhecimento em silêncio já está, na prática, invisível.
O filme não ensina nada que o mercado já não estivesse gritando, mas, como toda boa ficção, diz em duas horas o que relatórios corporativos levam anos para articular.
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Junior Borneli
, Founder da StartSe
Fundador do StartSe, empresa de educação continuada com sede no Brasil e operações no Vale do Silício e na China. Empreendedor há mais de 10 anos, apaixonado por vendas e criação de produtos. Trabalha todos os dias para "provocar novos começos" através do compartilhamento de conhecimento.
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