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O que a história da internet ensina sobre a inevitável consolidação da IA

Se a bolha da internet terminou com mais internet, o estouro da bolha da IA não deve significar o seu fim, mas a incorporação definitiva como infraestrutura invisível da economia.

O que a história da internet ensina sobre a inevitável consolidação da IA

Bolha da IA? O que você acha que vai acontecer quando ela estourar?

Bruno Lois

, redator(a) da StartSe

7 min

23 fev 2026

Atualizado: 23 fev 2026

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Em 2000, o Nasdaq despencou quase 80%. Trilhões evaporaram. Startups sumiram. Modelos frágeis colapsaram.

A narrativa dominante era clara: “A internet foi superestimada.”

O que aconteceu depois?
Mais internet.

O capital especulativo saiu. A infraestrutura ficou. A fibra foi instalada. O e-commerce amadureceu. A publicidade digital se estruturou. A logística se integrou. A Web deixou de ser promessa e virou meio — o meio dominante de comunicação, transação e relacionamento humano e empresarial.

A bolha não matou a internet. Ela eliminou o ruído e consolidou o sinal.

A bolha da IA: estamos no mesmo roteiro?

A Inteligência Artificial vive hoje seu momento “dotcom”.
Valuations infladas. Startups levantando rodadas bilionárias. Teses frágeis sendo vendidas como revolução. Corporates anunciando iniciativas de IA sem clareza estratégica.

A pergunta correta não é “existe uma bolha?”
A pergunta estratégica é: “o que fica depois que ela estourar?”

Se seguirmos o padrão histórico, três coisas devem acontecer:

O capital especulativo vai retrair.

Modelos oportunistas vão desaparecer.

A tecnologia estrutural vai se consolidar como infraestrutura invisível.

E é aqui que os líderes precisam prestar atenção.

Sinais no radar: a IA já está virando meio

Há indícios claros de que a IA está deixando de ser “produto” para se tornar “camada estrutural”.

1. Infraestrutura antes de aplicação

Os maiores investimentos não estão apenas em apps de IA, mas em chips, data centers, modelos fundacionais e integração com cloud. Isso é típico de tecnologia que vira infraestrutura — não modismo.

2. Embedded AI

A IA está sendo embutida em tudo: CRM, ERP, RH, jurídico, marketing, BI. Não como feature de marketing, mas como camada operacional.

Quando uma tecnologia deixa de ser diferencial e vira expectativa básica, ela está se consolidando como meio.

3. Reprecificação do trabalho intelectual

A internet automatizou distribuição.
A IA está automatizando cognição operacional.

Isso altera profundamente a lógica de produtividade, margem e vantagem competitiva. Não é um fenômeno superficial.

4. A mudança comportamental já começou

Executivos consultam IA antes de reuniões.
Equipes usam IA para prototipar.
Boards discutem governança algorítmica.

Quando comportamento muda, a consolidação é inevitável.

O erro estratégico: confundir hype com irrelevância futura

No pós-bolha da internet, muitas empresas reduziram investimento digital — e perderam a década seguinte.

No pós-bolha da IA, o risco será semelhante: confundir correção de mercado com irrelevância estrutural.

Bolhas são fenômenos financeiros. Infraestruturas são fenômenos históricos.

A IA tem características típicas de infraestrutura:

Escalabilidade marginal próxima de zero.

Capacidade de integrar múltiplas indústrias.

Efeito de rede via dados.

Impacto sistêmico em produtividade.

Isso não desaparece com ajuste de valuation.

O que realmente deve mudar após o estouro

Se a bolha estourar — e historicamente é provável que ajuste venha — o que deve mudar?

1. Fim da “IA como marketing”

Empresas deixarão de anunciar IA e começarão a operar IA.

2. Consolidação de players

Modelos fundacionais devem concentrar mercado. Aplicações frágeis desaparecem.

3. Governança algorítmica como prioridade de board

Responsabilidade fiduciária passará a incluir:

Decisões automatizadas.

Risco reputacional algorítmico.

Ética de dados.

Dependência tecnológica.

A IA deixa de ser pauta de inovação e vira pauta de governança.

4. Vantagem competitiva migra para quem internalizou capacidade

Não será sobre usar ChatGPT, o Gemini, ou o Claude. Será sobre redesenhar processos, cultura e estrutura organizacional com IA no core.

Como se preparar para a consolidação e não para o hype

A preparação não é técnica. É estratégica.

1. Mapeie onde a cognição operacional é custo, não diferencial

Quais atividades intelectuais repetitivas sua organização ainda executa manualmente?

2. Reestruture métricas de produtividade

Se a IA multiplica output, sua métrica ainda faz sentido?

3. Desenvolva governança antes da escala

Não espere incidente para criar política de IA.

4. Treine pensamento crítico, não ferramenta

Ferramentas mudam. Capacidade analítica permanece.

5. Prepare o board

Conselheiros precisam reduzir o gap de exposição.
A pergunta não é “usar ou não usar IA”.
É “qual é o risco estratégico de não reestruturar o negócio a partir dela?”

A internet foi o meio da conexão. IA será o meio da decisão.

A internet reorganizou como nos conectamos.
A IA reorganiza como decidimos.

Depois do estouro da bolha da internet, não voltamos ao fax.
Voltamos com fibra óptica.

Se a bolha da IA estourar, não voltaremos ao Excel manual.
Voltaremos com inteligência embutida em cada processo.

A história sugere que bolhas eliminam excesso.
Mas consolidam infraestrutura.

A questão não é se haverá correção.
A questão é: sua empresa está se posicionando para o pós-correção?

Porque, se o padrão se repetir, o que vem depois da bolha da IA não é menos IA.

É mais IA.

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Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.

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