Bain e PwC mostram dois lados do mesmo boom: negociações aceleradas pela IA nos bastidores, enquanto menções estratégicas à tecnologia caem pela metade nos maiores negócios do ano.
PWC
, Redator
7 min
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9 set 2026
•
Atualizado: 9 set 2026
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US$ 2,4 trilhões nos primeiros cinco meses do ano — alta de 41% na comparação anual —, segundo o relatório de meio de ano da Bain & Company. A projeção da consultoria para o ano fechado é de US$ 5,3 trilhões, o que faria de 2026 o segundo melhor ano da história em volume de negócios, atrás apenas do recorde de US$ 5,6 trilhões em 2020.
A PwC, num levantamento próprio, projeta um número mais conservador — US$ 4 trilhões, alta de 13% sobre 2025 —, mas concorda no diagnóstico central: o motor do crescimento são os megadeals. Transações acima de US$ 5 bilhões já respondem por 48% do valor total global, ante 39% em 2025 e apenas 26% em 2024.
A consultoria batizou o momento de "AI winner's paradox": empresas que fecham uma aquisição relevante em 2026 precisam, ao mesmo tempo, tocar a integração dessa aquisição e a própria transformação por IA que a disrupção do setor exige — sem poder adiar nenhuma das duas frentes. Segundo a Bain, a IA já acelera a identificação de sinergias de custo de duas a três vezes mais rápido do que os métodos tradicionais, e com metas mais ambiciosas de captura de valor.
O problema é que "mais rápido" não significa "mais simples". Uma integração de M&A de grande porte já leva, em média, mais de 36 meses para se completar. Rodar esse relógio ao mesmo tempo em que se reconstrói a operação em torno de agentes de IA é um tipo de complexidade que a maioria dos comitês executivos nunca administrou antes.
Aqui está o dado mais contraintuitivo do ciclo. Segundo a PwC, a menção estratégica à IA como racional de negócio caiu de um terço dos cem maiores negócios fechados em 2025 para 17% no primeiro semestre de 2026. Ao mesmo tempo, a tecnologia está mais presente do que nunca dentro do processo — acelerando análise de dados, modelagem de avaliação e preparação de comitês de investimento.
A leitura mais plausível não é que a IA perdeu relevância em M&A. É que ela deixou de ser novidade digna de nota no discurso e virou parte da infraestrutura padrão de como um negócio é avaliado e fechado — do mesmo jeito que ninguém mais menciona "usamos planilha eletrônica" como diferencial estratégico.
A América do Norte segue concentrando a maior fatia do valor global — 61%, segundo a PwC, com a região Ásia-Pacífico liderando em volume de transações (37%) mas participação menor em valor (16%). Setorialmente, o software esfriou depois de reavaliações de múltiplos, enquanto data centers e energia aceleraram — reflexo direto da corrida por infraestrutura que sustenta a própria IA que está remodelando as negociações.
O financiamento também mudou de cara: 55% das transações hoje são fechadas 100% em dinheiro, o piso do ciclo, com apenas 35% envolvendo alguma combinação de ações e caixa — sinal de que quem tem capital disponível está usando essa vantagem para fechar negócios mais rápido, sem depender de avaliação de mercado de ações voláteis.
Para o C-level, o recado da Bain e da PwC lidos juntos é direto: a pergunta não é mais "vamos usar IA para acelerar aquisições?" — isso já é dado como padrão de mercado. A pergunta real é se a empresa tem capacidade de tocar simultaneamente uma integração complexa e uma transformação tecnológica sem que uma sabote a outra. A maioria não tem, e é aí que o "paradoxo do vencedor" deixa de ser conceito de consultoria e vira risco real de execução.
Quem responde "sim" sem hesitar provavelmente não mapeou a real complexidade das duas frentes rodando juntas. É exatamente esse tipo de decisão — quando acelerar, quando esperar, onde a IA de fato move a agulha estratégica da empresa como um todo — que separa quem lucra do boom de M&A de quem só compra problema com desconto. O AI FIRST foi desenhado para lideranças que precisam tomar essa decisão com governança, não com pressa.
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