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O CEO virou o dono da IA. E o cargo está em jogo

O BCG AI Radar 2026 ouviu 640 CEOs: quase 3 em cada 4 assumiram a decisão sobre IA, e metade acredita que o próprio emprego depende de acertar.

O CEO virou o dono da IA. E o cargo está em jogo

A IA saiu da sala de tecnologia e foi para a cadeira do CEO. Junto com ela foi o risco.

Redação StartSe

, Redator

9 min

•

5 out 2026

•

Atualizado: 5 out 2026

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Até pouco tempo atrás, a inteligência artificial tinha um dono previsível dentro das empresas: o CIO, o CTO ou, nos casos mais ousados, um "head de IA" recém-contratado. O CEO aprovava o orçamento, aparecia no anúncio e voltava para os assuntos de sempre.

Isso acabou.

O BCG AI Radar 2026 ouviu quase 2.400 executivos em 16 mercados, incluindo 640 CEOs. Quase três em cada quatro CEOs dizem ser hoje o principal tomador de decisão sobre IA na empresa. E metade acredita que a estabilidade no cargo depende de acertar a estratégia de IA.

A IA saiu da sala de tecnologia e foi para a cadeira do CEO. Junto com ela foi o risco.

Quem decide sobre IA na sua empresa?

Segundo o BCG, cada vez mais é o próprio CEO. E faz sentido: IA deixou de ser projeto de eficiência e virou decisão de modelo de negócio. Ela mexe em quantas pessoas a empresa precisa, em como vende, em quanto cobra e em contra quem compete.

Decisões desse tamanho não cabem numa diretoria funcional. Quando cabem, viram pilotos isolados, cada área com a sua ferramenta, seu fornecedor e sua métrica. É a receita para o que o mercado já conhece bem: dezenas de iniciativas, nenhuma escala.

O problema é que concentrar a decisão no CEO só funciona se o CEO entende o suficiente para decidir bem.

Por que o orçamento de IA vai dobrar em 2026?

Porque os CEOs passaram a acreditar que a conta vai fechar. As empresas pesquisadas pelo BCG planejam praticamente dobrar o investimento em IA, de 0,8% para cerca de 1,7% da receita em 2026. Quatro em cada cinco CEOs estão mais otimistas com o retorno da IA do que estavam um ano atrás.

Para uma empresa que fatura R$ 1 bilhão, essa diferença representa algo como R$ 9 milhões a mais por ano em IA. Não é verba de inovação que some no rodapé do orçamento. É investimento que o conselho vai querer ver virar resultado.

Otimismo de CEO é dado ou é aposta?

Por enquanto, é mais aposta do que dado, e os próprios números mostram isso.

O CEO Outlook da EY, com 1.200 CEOs em 21 países, descobriu que só 16% têm visibilidade clara, em tempo real, do retorno sobre IA. A pesquisa da WRITER com a Workplace Intelligence, com 1.200 executivos C-level e 1.200 funcionários, vai além: 75% dos executivos admitem que a estratégia de IA da empresa é "mais para mostrar" do que um guia real, e 54% reconhecem que a adoção de IA está gerando tensão dentro da organização.

O retrato que se forma é de CEOs mais confiantes, com mais dinheiro na mesa e ainda pouca régua para medir o que estão comprando.

O BCG também registra uma diferença geográfica que diz muito: CEOs da Índia e da Grande China se mostram bem mais confiantes no retorno da IA, na casa de 75%, do que os do Reino Unido e dos Estados Unidos. Nesses mercados, segundo o estudo, a pressão de curto prazo de investidores pode estar empurrando a adoção mais do que a convicção.

Agentes de IA são o novo campo de batalha

Quase todos os CEOs ouvidos pelo BCG acreditam que agentes de IA vão gerar retorno mensurável já em 2026. É a aposta da vez: sistemas que não só respondem, mas executam tarefas em sequência, tomam pequenas decisões e operam processos inteiros com supervisão humana mínima.

A ambição é enorme. A governança ainda não acompanhou. Na pesquisa da WRITER, 36% das empresas não têm nenhum procedimento formal de supervisão para agentes de IA. E 67% dos executivos acreditam que a empresa já sofreu vazamento de dados por uso não autorizado de ferramentas de IA.

Um agente sem governança é um funcionário com acesso a sistemas críticos que ninguém contratou, ninguém treinou e ninguém avalia.

Quem são os 15% que estão na frente?

O BCG divide os CEOs em três grupos. Os Followers, 15%, ainda andam atrás do mercado. Os Pragmatists, 70%, avançam com cautela, caso a caso. E os Trailblazers, outros 15%, já direcionam mais da metade do investimento em IA para agentes.

O que diferencia os Trailblazers não é só o tamanho do orçamento. É a disposição de redesenhar processos em vez de acoplar IA ao que já existe. Enquanto a maioria pergunta "onde a IA pode ajudar?", esse grupo pergunta "como seria esse processo se começássemos hoje, com IA desde o início?".

São perguntas que levam a empresas muito diferentes daqui a três anos.

O risco de uma estratégia de IA "para inglês ver"

O maior risco para o CEO que assumiu a IA não é errar a tecnologia. É confundir anúncio com estratégia.

Uma estratégia de IA de verdade cabe numa frase: em que vamos competir de outro jeito por causa da IA, e como vamos saber se deu certo. Tudo o que não responde a essas duas perguntas, como o comitê, a política de uso, o hackathon ou o piloto com o fornecedor da moda, é meio, não fim.

O dado da WRITER, com 75% admitindo uma estratégia "para mostrar", sugere que muita empresa ainda está presa nos meios. E o dado do BCG, com metade dos CEOs vendo o próprio cargo em jogo, sugere que o conselho vai cobrar o fim.

O que um CEO precisa saber para ser dono da IA, e não refém dela?

Não precisa saber programar nem entender a arquitetura de um modelo de linguagem. Precisa saber o bastante para fazer as perguntas certas ao time, ao fornecedor e ao conselho: o que essa iniciativa muda no negócio, como medimos, quem responde se o agente errar, o que deixamos de fazer para financiar isso.

É um repertório novo, e quem tenta formá-lo sozinho, entre uma reunião e outra, chega tarde. Se metade dos CEOs acha que o cargo depende disso, a pergunta é quanto tempo a sua liderança está dedicando a aprender a decidir sobre IA, e não só a aprovar projetos de IA. É para esse aprendizado, com método, repertório e contato com quem já está na frente, que a StartSe criou a AI Journey, uma jornada para quem decidiu ser dono da agenda de IA da empresa.

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