Por que um dos principais líderes da Nvidia no Brasil descarta a tese de bolha e o que isso significa para executivos, investidores e estrategistas corporativos no Brasil e no mundo
A Era da IA está só começando, para executivo da Nvidia
, redator(a) da StartSe
10 min
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20 fev 2026
•
Atualizado: 20 fev 2026
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Em um momento em que o mercado de tecnologia vive uma das fases mais intensas de sua história — com investimentos bilionários, valuations estratosféricos e debates acalorados sobre excesso de especulação — a mensagem da Nvidia rompe com o ruído: não há bolha, apenas o início de uma revolução tecnológica estrutural.
A declaração, vinda de Marcio Aguiar, diretor da divisão Enterprise da Nvidia para a América Latina, é mais que um discurso corporativo: representa a leitura de quem está no epicentro da transformação da indústria computacional.
No centro da entrevista à Exame, Aguiar argumenta que o ciclo atual de inteligência artificial está longe do ápice — e muito próximo de se tornar uma nova base tecnológica global. Para ele, a demanda por poder computacional real, impulsionada por grandes modelos de IA, já excede a capacidade de entrega da Nvidia, enfraquecendo a narrativa de bolha e reforçando a ideia de um movimento estrutural e sustentado.
Essa avaliação é crucial para líderes: enquanto muitos veem investimentos massivos em IA como risco especulativo, a Nvidia — fornecedora de infraestrutura crítica — considera que ainda há um vasto território a ser conquistado por empresas e indústrias que sequer começaram sua jornada de transformação digital.
A empresa atualmente é a mais valiosa do planeta, com valor de mercado estimado em cerca de US$ 4,5 trilhões — e sua principal linha de produtos, as GPUs para data centers e aceleradores de IA, está no coração da nova economia digital.
Esse papel singular torna a Nvidia um indicador privilegiado para mensurar se o crescimento da IA é um ciclo real ou uma bolha. Por isso, a avaliação otimista de Aguiar não é apenas retórica corporativa: é respaldada por:
Demanda que supera a oferta, especialmente para hardware de alto desempenho usado para treinar modelos de IA.
Adoção corporativa que já ultrapassou a fase experimental — grandes companhias passaram a implementar IA em processos reais, não apenas testar casos de uso.
Essa realidade opera como um espelho — não apenas do futuro da tecnologia, mas da competitividade empresarial em escala global.
A narrativa de bolha em tecnologia não é nova — e ressurge periodicamente em contextos de forte valorização de mercado. Contudo, a visão de Aguiar se alinha com comentários similares de outros líderes da Nvidia globalmente, incluindo o CEO Jensen Huang, que compara a expansão atual da IA não a um salto especulativo, mas a transições profundas na computação.
Para executivos e investidores, entender essa diferenciação é essencial:
Bolha sugere um crescimento irracional e insustentável, prestes a estourar.
Ciclo estrutural implica uma transformação tecnológica que cria valor real, com impacto duradouro em modelos de negócios, produtividade e vantagem competitiva.
A Nvidia aposta na segunda opção — sustentando que o mercado ainda não atingiu um pico, porque a vasta maioria das empresas ainda não começou sua adoção profunda de IA. Isso significa que o aumento de gastos em infraestrutura reflete demanda genuína por capacidades que estão sendo efetivamente utilizadas.
Apesar da percepção de que o Brasil está atrás em alguns aspectos de maturidade tecnológica, a Nvidia posiciona o país como peça estratégica no crescimento da IA na América Latina. A empresa está envolvida em discussões sobre políticas públicas, como o Plano Brasileiro de IA — ainda em fase de implementação — e busca desenvolver ecossistemas locais em setores como educação, pesquisa, varejo, manufatura, saúde e serviços financeiros.
Essa visão traz implicações estratégicas profundas:
Governos e reguladores precisam acompanhar a evolução da IA com políticas que incentivem adoção responsável e escalonável.
Setores corporativos devem pensar IA não como ferramenta de eficiência isolada, mas como arquitetura fundamental para novos modelos de receita e competitividade.
Educação e qualificação passam a ser gargalos críticos — não por falta de tecnologia, mas pela lacuna de talentos capazes de operacionalizar soluções de IA em escala.
Mesmo com otimismo em relação ao potencial estrutural da IA, existem desafios que executivos de alto nível devem considerar:
A adoção plena de ferramentas de IA depende de profissionais qualificados — e essa é uma das maiores limitações hoje em muitos mercados, inclusive no Brasil.
Planos nacionais de IA trazem estrutura, mas sua implementação depende de coordenação entre governos, setor privado e academia — um processo complexo e muitas vezes lento.
Embora a Nvidia e seus líderes descartem a bolha, parte considerável do mercado financeiro mantém reservas — gestores globais continuam a debater se o ritmo de investimento em IA pode gerar desequilíbrios de liquidez ou valuation que não se sustentem a longo prazo.
Essa dualidade exige dos líderes uma abordagem pragmática: abraçar a IA com visão de longo prazo, mas com olhos atentos a métricas de valor real, retornos sustentáveis e impacto operacional.
A leitura do diretor da Nvidia traz três mensagens estratégicas para altas lideranças:
Não se trata de hype — trata-se de uma redefinição da infraestrutura da economia digital.
Organizações que dominarem capacidades de IA antes de seus concorrentes estarão em vantagem sustentável.
E aí está a maior lacuna — e talvez a maior oportunidade — de investimento em capital humano e frameworks regulatórios.
Quando um dos principais executivos de uma empresa essencial à cadeia de valor global da IA afirma que “estamos apenas começando a era da inteligência artificial”, a mensagem transcende previsões de mercado: ela sinaliza uma mudança de paradigma.
Para decisores corporativos e investidores, isso significa ajustar expectativas, reavaliar prioridades de investimento e apostar em iniciativas que vão além de experimentos — mirando transformações completas de negócios, modelos de operação e cadeias de valor.
O futuro competitivo será definido não por quem entrou na IA primeiro, mas por quem a incorporou IA de forma estratégica, sustentável e com impacto real nos resultados. E, segundo a Nvidia, essa janela ainda está se abrindo — não se fechando.
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Bruno Lois
redator(a) da Startse
Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.
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