A big tech convidou milhares de engenheiros para testar o assistente de codificação da Anthropic, viu a adoção crescer além do esperado e decidiu encerrar o experimento — migrando todos para o próprio GitHub Copilot CLI
Reprodução Microsoft
, Editor
9 min
•
19 mai 2026
•
Atualizado: 19 mai 2026
newsletter
Start Seu dia:
A Newsletter do AGORA!
A Microsoft está cancelando a maioria das licenças internas do Claude Code, ferramenta de programação com inteligência artificial desenvolvida pela Anthropic, e redirecionando seus engenheiros para o GitHub Copilot CLI — produto da própria empresa. O prazo para a migração é 30 de junho de 2026, data que coincide com o encerramento do ano fiscal da companhia.
A decisão foi revelada pelo jornalista Tom Warren, do The Verge, por meio de seu newsletter Notepad, e impacta diretamente o grupo interno chamado Experiences + Devices — a divisão responsável pelo desenvolvimento do Windows, Microsoft 365, Outlook, Teams e Surface.
Em dezembro de 2025, a Microsoft abriu o acesso ao Claude Code para milhares de funcionários. A iniciativa era deliberada: a empresa queria que seus próprios times testassem a ferramenta da concorrente em condições reais de trabalho, comparando a experiência com as soluções internas.
O escopo foi intencionalmente amplo. Não foram apenas engenheiros e desenvolvedores que ganharam acesso — designers, gerentes de produto e outros profissionais sem experiência em programação também foram convidados a experimentar o Claude Code para criar protótipos e automatizar fluxos de trabalho. O objetivo era democratizar o acesso ao desenvolvimento assistido por IA dentro da empresa.
Por cerca de seis meses, as equipes puderam usar o Claude Code e o GitHub Copilot CLI simultaneamente, com incentivo explícito para comparar as ferramentas e enviar feedback interno.
Fontes ouvidas pelo The Verge revelam que o Claude Code se tornou genuinamente popular dentro da Microsoft — e que essa popularidade foi justamente o que acelerou o encerramento do experimento. Segundo as mesmas fontes, a adoção orgânica da ferramenta da Anthropic passou a prejudicar a adoção interna do GitHub Copilot CLI.
Em outras palavras: a Microsoft convidou um concorrente para dentro de casa, viu seus próprios engenheiros preferirem a ferramenta visitante — e decidiu encerrar a visita.
Rajesh Jha, vice-presidente executivo do grupo de Experiências e Dispositivos, comunicou a decisão em memorando interno. "Quando começamos a oferecer o Copilot CLI e o Claude Code, nosso objetivo era aprender rapidamente, avaliar as ferramentas em fluxos de trabalho de engenharia reais e entender o que melhor atendia às nossas equipes", escreveu Jha, segundo reportagem do The Verge.
A mensagem oficial enquadra a decisão como uma convergência natural em direção ao Copilot CLI como interface principal. Mas fontes internas indicam que considerações financeiras também pesaram — e o timing confirma: o corte das licenças coincide com o fechamento do ano fiscal em 30 de junho, o que reduz despesas operacionais antes do início do novo ciclo em julho.
A decisão não significa que os modelos da Anthropic deixarão de existir dentro da Microsoft. O Copilot CLI é uma ferramenta multi-modelo: os engenheiros continuarão tendo acesso ao Claude Opus 4.6, ao Claude Sonnet 4.6 e também a modelos da OpenAI e do Google — mas agora por meio da interface da própria Microsoft, não diretamente pelo produto da Anthropic.
O cancelamento das licenças do Claude Code também não afeta o acordo comercial mais amplo entre as duas empresas. Em novembro de 2025, Microsoft e Anthropic firmaram um contrato que permite aos clientes do Microsoft Foundry acessar os modelos Claude por meio da plataforma de nuvem da big tech. Esse acordo segue ativo.
Ainda assim, a Anthropic perde algo relevante além da receita de licenciamento: o acesso a um dos loops de feedback mais valiosos do mercado. Ter milhares de engenheiros da Microsoft usando o Claude Code diariamente gerava dados de uso, relatórios de bugs e aprendizados que moldam o desenvolvimento do produto. Com o encerramento, esse canal se fecha.
O episódio expõe uma tensão estrutural que vai além da Microsoft. Grandes empresas de tecnologia estão simultaneamente sendo clientes das ferramentas de IA e concorrentes de quem as desenvolve. A Microsoft investe bilhões na OpenAI, distribui modelos da Anthropic e do Google em sua plataforma Azure, mas também precisa proteger o GitHub Copilot como produto central de sua estratégia de IA.
Quando uma ferramenta de terceiros cresce organicamente dentro da empresa ao ponto de ameaçar a adoção do produto próprio, a lógica corporativa fala mais alto do que a preferência dos engenheiros.
Analistas do setor apontam que o movimento da Microsoft pode antecipar um padrão que deve se repetir em outras grandes empresas em 2026: organizações que passaram os últimos dois anos experimentando múltiplas ferramentas de IA em paralelo agora estão sendo pressionadas a escolher — por razões de custo, governança, segurança e controle de dados. A era dos experimentos abertos está cedendo espaço à era da padronização.
Para os desenvolvedores da Microsoft afetados, a transição significa reaprender fluxos de trabalho que foram construídos ao longo de meses. Alguns encontrarão no Copilot CLI uma alternativa satisfatória. Outros, muito provavelmente, vão sentir a diferença — e manter o Claude Code como a régua pela qual vão medir a experiência.
Hoje, dentro da sua empresa, qual a governança de IA? Essa é uma pergunta que poucas lideranças conseguem responder sem admitir insegurança. Qual IA funciona melhor para o seu negócio? Qual o seu time usa? Qual processo está estabelecido dentro de uma única ferramenta? Essa decisão passa pela construção de uma governança clara de IA.
E é isso que nós queremos que você aprenda no AI Journey, a única jornada de IA que inclui mentorias presenciais, atendimento personalizado, com um concierge (ou seja, um especialista da StartSe) atendendo a você sempre que você precisar.
Hoje, o AI Journey se aproxima mais uma consultoria do que um programa de aprendizado, mas ainda assim, com um preço tão acessível que nenhuma consultoria no Brasil consegue cobrar. Acesse aqui, veja os detalhes, e entre hoje ainda. Senão, daqui um ano você vai olhar para trás e pensar que perdeu timing. E em negócios isso é muito arriscado.
O episódio expõe uma tensão estrutural que vai além da Microsoft. Grandes empresas de tecnologia estão simultaneamente sendo clientes das ferramentas de IA e concorrentes de quem as desenvolve. A Microsoft investe bilhões na OpenAI,
Gostou deste conteúdo? Deixa que a gente te avisa quando surgirem assuntos relacionados!
Assuntos relacionados
Bruno Lois
, Editor
Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.
Leia o próximo artigo
newsletter
Start Seu dia:
A Newsletter do AGORA!