Sou Aluno
Formações
Imersões Internacionais
Global MBAs
Eventos
AI Tools
Artigos
Sobre Nós
Para Empresas
Consultoria
Gestão do Negócio

Metade dos conselhos sabe que tem gente errada na mesa — e não faz nada

Autoavaliação de conselho ainda é exceção, não regra — e o Brasil segue atrás da média global nesse ponto.

Metade dos conselhos sabe que tem gente errada na mesa — e não faz nada

Todo mundo sabe que existe um problema de composição ou de dinâmica no conselho, ninguém formaliza esse desconforto num processo

Redação StartSe

, Redator

6 min

3 set 2026

Atualizado: 3 set 2026

newsletter

Start Seu dia:
A Newsletter do AGORA!

A maioria dos diretores hoje, quando perguntados de forma direta, diz que alguém no próprio conselho deveria ser substituído. O dado é da Pesquisa Anual de Diretores Corporativos 2025, citada pela PwC em seu relatório de prioridades de governança para 2026. 

Não é um conselho específico, com um problema específico. É a maioria — o que sugere que o incômodo é estrutural, não pontual.

E, ainda assim, poucos conselhos fazem algo a respeito disso de forma sistemática.

Avaliar o próprio conselho ainda incomoda mais do que ajuda

A mesma pesquisa da PwC traz um dado que explica parte do impasse: entre os conselhos que usam facilitadores externos para conduzir suas avaliações, 81% consideram o processo eficaz. A implicação, ainda que a pesquisa não afirme isso diretamente, é sugestiva — quando a avaliação fica só entre os próprios membros, sem um terceiro conduzindo a conversa, a taxa de eficácia percebida tende a cair. Avaliar os colegas de mesa, sem alguém de fora mediando, é constrangedor. E constrangimento raramente vira mudança de comportamento.

O resultado prático é um ciclo conhecido: todo mundo sabe que existe um problema de composição ou de dinâmica no conselho, ninguém formaliza esse desconforto num processo, e o assunto simplesmente nunca chega à pauta com a seriedade que merece.

No Brasil, avaliação formal de conselho ainda é minoria

Segundo o Global Director Survey Report, que analisou 165 empresas listadas, apenas 20% das companhias brasileiras tinham processo formal de avaliação de conselho, contra 42% na média internacional. O levantamento é de 2018 — não é dado recente — mas volta à mesa de conselho anos depois justamente porque a lacuna estrutural que ele descreveu não se resolveu sozinha: segue sendo pauta de publicação e treinamento até hoje.

Isso não é peculiaridade cultural brasileira sem solução. É lacuna de processo — e lacuna de processo se fecha com método, não com boa vontade.

As cinco dimensões que uma avaliação de verdade precisa cobrir

Composição e dinâmica do grupo, pessoas e cultura, estrutura e processos de trabalho, estratégia e negócio, e riscos corporativos junto com controles internos. 

A lógica por trás dessa divisão é simples — um conselho pode ser tecnicamente bem composto (perfis certos, experiência relevante) e, ainda assim, falhar na dinâmica: reuniões onde meia dúzia de vozes domina, e o resto assina embaixo.

Avaliar só a composição, sem avaliar a dinâmica, é medir a metade errada do problema. E é exatamente aí que a maioria das avaliações informais — feitas de corredor, sem estrutura — costuma parar.

Avaliação não é crítica — é o oposto de deixar decisões travarem

Avaliação de conselho representa melhoria, não julgamento. A recomendação para empresas que ainda não têm cultura de avaliação instalada é começar pequeno — uma autoavaliação breve ao fim de cada reunião, por exemplo — em vez de esperar maturidade suficiente para um processo anual completo conduzido por consultoria externa. A adaptação ao estágio da empresa importa mais do que seguir um modelo padrão importado de conselho de multinacional madura.

O erro mais comum não é fazer avaliação de forma imperfeita. É não fazer nenhuma, porque a versão perfeita parece cara ou constrangedora demais para começar.

O custo de deixar essa conversa para o próximo mandato

Voltando ao dado que abre este texto — a maioria dos diretores concordando, em pesquisa, que alguém deveria sair do conselho — fica claro que o problema não é falta de percepção. É falta de canal formal para transformar essa percepção em decisão. Sem avaliação estruturada, esse tipo de julgamento fica em conversa de bastidor, nunca em ata, nunca em plano de ação.

Seu conselho já mediu, de forma estruturada, se a composição e a dinâmica da mesa ainda servem à empresa que ela virou — ou essa é uma pergunta que todo mundo evita fazer em voz alta? É esse tipo de rigor, com método e não só intenção, que o Board Program da StartSe ajuda conselheiros a instalar antes que o problema vire crise pública.

Gostou deste conteúdo? Deixa que a gente te avisa quando surgirem assuntos relacionados!

Imagem de fundo do produto: Convergência Summit | StartSe

Assuntos relacionados

Imagem de perfil do redator

Leia o próximo artigo

newsletter

Start Seu dia:
A Newsletter do AGORA!