Prontidão organizacional pesa quase o dobro da individual na hora de a empresa capturar valor real da inteligência artificial.
McKinsey & Company
, Editor
8 min
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24 jul 2026
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Atualizado: 24 jul 2026
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Uma nova pesquisa da McKinsey, conduzida entre fevereiro e abril de 2026 com 750 executivos e líderes de diferentes setores, derruba a métrica de vaidade que dominou o discurso corporativo sobre inteligência artificial nos últimos anos: o número de funcionários usando a tecnologia no dia a dia. Segundo o levantamento, a adoção individual segue avançando, mas a maioria das organizações continua incapaz de transformar esse uso em valor de negócio mensurável. Apenas 11% das empresas consultadas afirmam ter chegado ao estágio de reinvenção com IA — o ponto em que a tecnologia deixa de ser ferramenta de apoio e passa a redesenhar papéis, fluxos de trabalho e modelos operacionais inteiros.
A pesquisa identifica três horizontes de maturidade em IA dentro das organizações. No primeiro, chamado de enablement, a empresa distribui ferramentas de uso geral para que os funcionários apoiem tarefas já existentes — é o estágio mais comum e mais raso. No segundo, de automação, a IA passa a redesenhar fluxos de trabalho entre áreas, em escala. No terceiro, o de reinvenção, papéis, processos e o próprio modelo operacional são reconstruídos em torno da tecnologia.
A distância de valor entre esses três estágios é o dado que mais deveria preocupar quem senta na sala do conselho: apenas 13% dos líderes no horizonte de enablement relatam impacto relevante de valor empresarial vindo da IA. No horizonte de automação, esse número sobe para 24%. Na reinvenção, chega a 48%. Ou seja, o salto de maturidade não é incremental — é o que separa iniciativas cosméticas de resultado real no resultado financeiro da empresa.
Isso ajuda a explicar por que tantas lideranças relatam frustração com o retorno da IA mesmo depois de meses de investimento em ferramentas e treinamento. O problema raramente está na tecnologia adotada ou na disposição dos times em usá-la.
O achado mais direto da pesquisa é também o mais desconfortável para quem lidera: a prontidão organizacional respondeu por 48% da diferença entre líderes que capturaram valor com IA e os que não capturaram, contra 25% atribuídos à prontidão individual dos funcionários. Quase o dobro de peso.
Essa assimetria aparece de forma ainda mais clara em outro número do levantamento: 70% dos respondentes dizem se sentir pessoalmente preparados para adotar e usar IA, mas apenas 27% dos líderes acreditam que suas organizações estão prontas para fazer as mudanças de cultura e de pessoas necessárias para um futuro habilitado por IA. A conclusão da McKinsey resume o descompasso: os funcionários estão se adaptando à IA mais rápido do que as instituições em que trabalham.
Na prática, isso significa que a capacitação individual — cursos, treinamentos, acesso a ferramentas — já deixou de ser o principal gargalo em boa parte das empresas. O gargalo migrou para o modelo de operação: quem decide o quê, como os fluxos são desenhados, e se a liderança está de fato disposta a reestruturar processos em vez de apenas acelerar os antigos com um novo software.
A pesquisa também quantifica o efeito de redesenhar fluxos de trabalho desde o início. No horizonte de enablement, empresas que já redesenharam seus fluxos de trabalho tiveram 5,3 vezes mais chance de reportar captura de valor empresarial do que aquelas que mantiveram os processos inalterados. No horizonte de automação, organizações com times de liderança altamente fluentes em IA tiveram 3,9 vezes mais chance de capturar valor.
Esses números apontam para uma prioridade concreta: antes de perguntar quantos funcionários usam IA, a liderança deveria perguntar quantos processos foram efetivamente redesenhados em função dela. Um conselho ou uma diretoria que mede maturidade em IA pelo número de licenças distribuídas está medindo a variável errada — e, segundo o próprio levantamento, a que menos explica os resultados.
Para conselheiros e executivos de nível C, o recado prático se desdobra em três frentes. Primeiro, tratar a jornada de IA como uma transformação de modelo operacional, não como rollout de ferramenta — o que implica revisar decisões, alçadas e desenho de processos, não apenas contratos de licenciamento. Segundo, medir maturidade pelo horizonte em que a organização de fato está, não pela porcentagem de adoção individual. Terceiro, reconhecer que a fluência de IA da própria liderança correlaciona diretamente com a capacidade de capturar valor — o que exige investimento em capacitação também no topo da hierarquia, não só na linha de frente.
É exatamente esse o ponto em que a McKinsey mais insiste: o salto de valor não vem de mais gente usando IA, vem de fluxos de trabalho redesenhados em torno dela. O Agentic-Led Growth nasceu justamente para essa transição: em 30 dias, a metodologia mapeia os gargalos operacionais da empresa e coloca agentes de IA rodando em pelo menos duas frentes, saindo do estágio de ferramenta isolada para o de operação redesenhada — o mesmo salto que separa os 11% que reinventam dos que ainda só adotam.
O dado de 11% não é um número de atraso tecnológico. É um número de decisão. As empresas que ainda não chegaram à reinvenção não estão necessariamente investindo menos em IA — muitas vezes estão investindo tanto quanto as que já chegaram. A diferença está em onde apontam esse investimento: em ferramentas para o indivíduo ou em uma reconstrução do modelo de operação que só a liderança pode autorizar.
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Bruno Lois
, Editor
Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.
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