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Israel: decodificando a Scale Up Nation

Conheça o ecossistema empreendedor do país que é especialista em criar negócios globais

Israel: decodificando a Scale Up Nation

Por Carlos Ferraiuolo, Chief Product Officer at ZUP Innovation

Com a organização da StartSe University, dezesseis executivos da ZUP participaram de uma experiência imersiva no ecossistema de startups de Israel entre os dias 07/09 e 16/09/2022. Tive o privilégio de fazer parte deste grupo. Foram 18 empresas visitadas no espaço de 05 dias em Tel Aviv, Jerusalém, entre outras cidades.

Empresas com soluções para o setor financeiro, segurança da informação, blockchain, tecnologia 5G, pagamentos, inteligência artificial, crédito baseado em análise facial (isso mesmo!), white labels, sem falar nos hubs de inovação, co-workings, Emergency Care Center (baseado no modelo plataforma e com muita tecnologia envolvida!), centros de aceleração e Universidade Hebraica.

Se fosse descrever tudo o que aprendi com cada uma destas empresas provavelmente precisaria de 18 artigos — um para cada startup visitada.
Mas neste artigo meu objetivo é compartilhar o que extraí de melhor da cultura das empresas israelenses. Uma cultura que foi capaz de produzir os seguintes resultados somente em 2021 (1):

  • Cerca de US$ 25,4 bilhões arrecadados em 2021, representando um crescimento de 136% em investimentos de capital em relação a 2020, Israel superou o aumento médio global (71%) e o dos EUA (78%).
  • Número de mega-rodadas subiu de 22 em 2020 para 74 em 2021, atingindo US$ 14,77 bilhões — 310% a mais — e representando mais da metade do financiamento total.
  • 2021 viu 33 empresas de tecnologia de capital fechado se juntarem ao clube de bilhões de dólares, atingindo um total de 53 unicórnios israelenses.
  • O número de IPOs saltou de 22 em 2020 para 57 em 2021, levantando US$ 4 bilhões acumulados. Embora a tendência tenha ganhado muitas manchetes este ano, apenas 10 empresas realizaram fusões SPAC, levantando um acumulado de US$ 4,9 bilhões.
  • Alguns dos investidores mais ativos em 2021 foram VCs estrangeiros que estão entre os maiores investidores de tecnologia do mundo, incluindo Insight Partners (participou em 49 rodadas), Bessemer Venture Partners (23) e Tiger Global Partners (16).

Isso explica o nível de atratividade que as empresas israelenses têm para os investidores estrangeiros e sua crescente influência no mercado. Uma cultura que fez com que Israel se tornasse mundialmente conhecido como a Nação das Startups.

Grandes problemas se tornam missões que mudam o mundo

Tikun Olam em hebraico quer dizer reparar ou transformar o mundo.

Israelenses têm mindset global. O país é pequeno (9 milhões de habitantes) e fazer negócios com países vizinhos é complicado. Portanto, oportunidades estão muito além das fronteiras. Num cenário como este é importante pensar grande, definir um problema de alcance global a ser resolvido. Se não há alcance global, não há negócio, não há viabilidade para o empreendimento.

A definição do problema precisa fazer sentido para esta e para as próximas gerações. É preciso um propósito claro e concreto que venha antes de qualquer geração de lucro. Um propósito capaz de engajar pessoas não apenas em Israel — onde recursos qualificados podem ser escassos e muito caros — mas que também engaje pessoas de outros países para que seja possível montar times enxutos e extremamente eficientes em qualquer parte do mundo.

Por mais complicado que seja o problema, por maior que seja o desafio, a solução tem que ser fácil de ser explicada. E quando digo fácil, é tão fácil que se torna óbvia e, tal obviedade pode fazer com os mais céticos se remexam nas cadeiras. Trata-se de uma obviedade conquistada após muita pesquisa e estudo. Tem que ser fácil de explicar em hebraico, inglês, português, espanhol. Tem que ser fácil de ser explicado em qualquer língua. Fácil de explicar e, de novo, fácil de engajar.

Não importam idade, gênero, crenças ou posicionamentos. Inovação em Israel tem a ver com conceber ideias que não apenas mudam o mundo, mas que moldam o futuro que se deseja ter — shaping the future. A escassez gera uma necessidade de ter todos comprometidos e devidamente preparados para empreender.

Visão e missão de um empresa em Israel não são apenas slides em pitch decks — visão e missão em Israel é coisa séria, e é justamente isso que fez com que o PIB do país alcançasse em 2021 a marca de US$ 51.430 per capita em comparação com a média mundial de US$ 12.259 per capita. Israel portanto está na 28ª posição comparado às maiores economias do mundo com um PIB total de US$ 481.59 bilhões naquele ano. (2)

Portanto, se você estiver competindo com uma empresa israelense, saiba que você está numa corrida com pessoas tenazes, altamente comprometidas e muito bem preparadas para grandes desafios.

Fale o que precisa ser dito

Chutzpah literalmente quer dizer impetuosidade ou extrema auto-confiança. Em Israel, no entanto, o termo significa um jeito de viver e ser. Se você tem chutzpah, você é alguém tenaz e cheio de determinação para perseguir e realizar seus sonhos.

É o mesmo para quem quer resolver um problema no mundo dos negócios: mesmo que um israelense tenha zero experiência no espaço do problema que será resolvido, ele dá tudo de si para que possa solucioná-lo. Isto significa que eles não têm medo de correr riscos, o que obviamente envolve tomar decisões audaciosas. Tomar decisões audaciosas significa não perder tempo com conversas que não levam a lugar nenhum. Tomar decisões audaciosas nos obriga a falar o que precisa ser dito de forma assertiva e objetiva.

Em Israel, se algo está errado, do estagiário ao CEO da empresa, alguém vai te dizer “está errado!” e ninguém se sente ofendido por causa disso. Ao contrário, o israelense é avesso ao baixo risco e entende que falhar não é apenas bom, mas muito importante.

Isto está tão entranhado na cultura israelense que na Universidade Hebraica é possível ver os seguintes dizeres na parede: “Qual foi sua última grande falha?”. Num contexto como este, errar é aprender.

FAIL = First Attempt in Learning – “primeira tentativa de aprendizado”

Quando uma pessoa não fala o que precisa ser dito, o time entende esta atitude como omissão ou falta de ownership ou comprometimento com a missão que lhe foi dada. Não há espaço para conversas de corredor ou agendas paralelas ao que precisa ser de fato resolvido ou melhorado.

Fale o que precisa ser dito de forma direta e clara ou você estará fora do jogo. Receba o que foi dito sem levar para o lado pessoal se sentindo exposto, ou você estará fora do jogo.

Faça o que precisa ser feito

Pragmatismo. Esta é a palavra que define o modo de empreender do israelense. Inovação para eles é identificar um problema e encontrar ideias para resolvê-lo rapidamente.

Falando de times, o que mais nos chamou a atenção foi que as empresas que visitamos possuem equipes enxutas trabalhando no CORE do produto. Principalmente naquelas empresas em estágio inicial de investimento. Se há algo pronto na cloud como SaaS, se não é CORE e, se é viável financeiramente, estas empresas não hesitam em contratar.

Portanto numa decisão de Make or Buy, o que não é CORE torna-se facilmente Buy, evoluindo todo o ecossistema.

Portanto, times de produto ficam focados no CORE do produto e não constroem coisas prontas já disponíveis no mercado ou no próprio ecossistema israelense.

Times enxutos obviamente requerem alta eficiência. Três elementos de alta eficiência são observáveis naquelas equipes:

  • Propósito compartilhado (vivenciado no Tikun Olan)
  • Liberdade para feedbacks (vivenciado no Chutzpah)
  • Valores compartilhados

Na cultura organizacional o DNA ou framework israelense vem de fábrica e permeia tudo. Isso dá a cada pessoa que trabalha ali um senso não apenas de pertencimento, mas também de dono ou fundador — founder culture. Pitch de produto para o israelense não é PPT, é ir do 0 a 1, estar em produção o mais rápido possível para validar a ideia que, uma vez validada, abre espaço para o ganho de escala igualmente ágil.

Israelenses olham para frente. Set backs (recuos) ou falhas são motivos de aprendizado, motivos para continuar seguindo em frente numa cultura que privilegia não apenas o saber, mas, e principalmente, o que você faz com aquilo que sabe

Somos competitivos, mas nos ajudamos

Diversas empresas de alcance global já escolheram Israel como local de inovação em investimento: Microsoft, Motorola, Google, Apple (três centros de P&D), Facebook, Berkshire-Hathaway, Intel, HP, Siemens, GE, IBM, Philips, Lucent, AOL, Cisco, Applied Materials, IBM, J&J, EMC e Toshiba são apenas alguns dos nomes em uma longa lista de mais de 200 multinacionais que investem ou criaram centros de inovação neste país.

dono da apple atual

Além da cultura que já mencionei acima no texto, há ainda o ecossistema de inovação israelense: um ecossistema vibrante que abrange os mais diversos setores e segmentos da indústria.

Com forte investimento em P&D, o país conta com uma força de trabalho instruída e muito qualificada — Israel possui a maior porcentagem de engenheiros e cientistas per capita do mundo e uma das maiores taxas de diplomas universitários e publicações acadêmicas per capita. Israel tem um sistema educacional de alta qualidade e está entre as sociedades mais educadas do mundo.

O governo israelense fundou o programa Incubadora de Tecnologia no início dos anos 1990. Hoje existem mais de 25 incubadoras em todo o país, todas privatizadas. As incubadoras oferecem financiamento governamental dos custos do projeto em estágio inicial. Elas nutrem as empresas desde a semente até o estágio inicial, minimizando assim o risco para o investidor. Outros programas operados pela Autoridade de Inovação em Israel incluem fundos binacionais (programas conjuntos de P&D com contra-partes estrangeiras como China, Canadá, EUA etc.), que também entram com assistência financeira nos custos de P&D da empresa israelense.

Há uma Lei do Investimento que permite que empresas estrangeiras se beneficiem de taxa reduzida de imposto. Programas de incentivo que oferecem bolsas de emprego para centros de P&D e grandes empresas entre outras iniciativas.

A indústria de startups de Israel é complementada por um florescente mercado de capital de risco. A indústria de capital de risco de Israel tem mais de 70 venture capitals , 14 dos quais são VCs internacionais com escritórios em Israel. Superando de longe qualquer outro país em volume de capital de risco per capita, a disponibilidade de capital de risco de Israel é um símbolo do fôlego de suas indústrias inovadoras e do setor financeiro altamente eficiente que as sustenta.

A capacidade de Israel de traduzir rapidamente as demandas do mercado em ação organizacional explica seu forte desempenho no que se refere à flexibilidade e adaptabilidade e, por fim, sua ampla aceitação e investimento como capital de inovação.

É um país que se adapta rapidamente para atender as demandas globais de mercado.

A competitividade entre as próprias empresas é notável, porém com um ecossistema tão eficiente, todos saem ganhando.

Não é somente lucro pelo lucro. Sim, isto é também importante, mas não é tudo.

Inovação no framework israelense é identificar um problema, encontrar as melhores ideias e colocar em prática tudo o que se sabe para fazer do mundo um lugar melhor para vivermos.


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