Uma em cada quatro empresas do S&P 500 já mede resultado com IA — e sua empresa, o que está medindo?
IA deixou de ser estratégia de marketing e já está gerando resultados mensuráveis
, redator(a) da StartSe
6 min
•
17 abr 2026
•
Atualizado: 17 abr 2026
newsletter
Start Seu dia:
A Newsletter do AGORA!
A virada aconteceu. Empresas que por anos usavam inteligência artificial como argumento de relações públicas agora chegam às reuniões com investidores carregando dados, cortes de custo e ganhos de produtividade mensuráveis. O sinal mais claro até agora veio de uma análise da Morgan Stanley sobre as chamadas de resultados do primeiro trimestre de 2026 com as empresas do S&P 500 — e os números não deixam margem para dúvida.
Porque muda o jogo competitivo. Não se trata mais de "quem está investindo em IA", mas de "quem já está colhendo resultado" — e a distância entre os dois grupos começa a se tornar irreversível. Para empresários e executivos brasileiros, o risco não é mais ficar para trás na tecnologia. É ficar para trás no resultado.
Um quarto das empresas do S&P 500 — o índice das 500 maiores companhias americanas — reportou ao menos um impacto quantificável de IA no primeiro trimestre de 2026. Em 2025, esse número era de apenas 13%, segundo o relatório da Morgan Stanley, que usou IA para analisar as próprias transcrições das chamadas.
Três exemplos do relatório mostram o que "resultado mensurável" significa na prática:
Hasbro afirma que o uso de IA no design reduziu o tempo entre o conceito e o protótipo físico em 80% — com humanos ainda decidindo quais produtos chegam ao mercado.
Bank of America diz que a tecnologia "economiza cerca de 2.000 pessoas" que normalmente escreveriam código. O CEO Brian Moynihan falou publicamente sobre deixar o quadro de funcionários "encolher naturalmente" graças à IA.
Altria, empresa de tabaco, reportou redução de 50% no tempo necessário para criar conteúdo de marketing.
Os dados entusiasmam — mas merecem leitura crítica.
75% das empresas do S&P 500 ainda não apontam benefícios quantificáveis. E uma análise semelhante do Goldman Sachs, divulgada um mês antes, encontrou apenas 10% das empresas do índice com impacto de IA em casos de uso específicos.
Uma pesquisa com quase 6.000 executivos de negócios revelou que, apesar da adoção generalizada, a maioria ainda não sentiu impacto significativo nos últimos três anos — mas prevê que a virada de produtividade virá nos próximos três.
Kevin Khang, economista global sênior da Vanguard, resume: "Estamos apenas na segunda parte da primeira fase da adoção de IA" — e ele espera aceleração.
A adoção de IA nas empresas está se movendo mais rápido do que a adoção da internet no início dos anos 2000, segundo a própria Morgan Stanley. E a comparação não é retórica — é estrutural.
"Desde o lançamento do ChatGPT, no fim de 2022, a IA emergiu como uma força definidora nos mercados, remodelando como as empresas operam, investem e competem", escreveram analistas da Morgan Stanley no relatório.
Há, porém, um incentivo que não pode ser ignorado: empresas gastam bilhões em ferramentas de IA e têm razões claras para divulgar cada avanço possível. Separar o sinal do marketing ainda exige atenção.
O movimento não é tecnológico — é estratégico. Empresas que ainda tratam IA como projeto de TI estão perdendo a janela em que o ganho competitivo é maior. Nos próximos trimestres, a pergunta que investidores, boards e clientes vão fazer não será "vocês usam IA?" — será "qual foi o resultado?"
Para empresas brasileiras, o dado mais relevante não está nos 25% que já medem resultado. Está nos 75% que ainda não medem — e no espaço que isso abre para quem agir primeiro.
É o programa da StartSe que transforma IA em estratégia aplicada: do diagnóstico do seu negócio à implementação de casos de uso reais, com acompanhamento de quem já está gerando resultado. Não é mais sobre aprender IA. É sobre colocar IA para trabalhar.
Gostou deste conteúdo? Deixa que a gente te avisa quando surgirem assuntos relacionados!
Leia o próximo artigo
newsletter
Start Seu dia:
A Newsletter do AGORA!