Gallup mostra que gestores relatam mais estresse diário que os próprios liderados, enquanto a CIPD aponta que eles se tornaram o principal ponto de apoio da equipe — sem preparo formal para essa função.
O tema "pessoas" virou um desafio tão grande quando IA para lideranças.
, Redator
6 min
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15 set 2026
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Atualizado: 15 set 2026
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Pergunte a qualquer gestor de linha o que ocupou a semana dele. Dificilmente a resposta será "estratégia". Mais provável: mediar conflito, segurar ansiedade de alguém do time, decidir prioridade que devia ter sido decidida três níveis acima.
O dado mais recente da Gallup dá números a essa percepção. No relatório State of the Global Workplace: 2026, que reúne dados coletados ao longo de 2025, 45% dos gestores relatam altos níveis de estresse diário, contra 39% entre os colaboradores individuais — uma diferença que inverte a lógica de que cargo mais alto significa, necessariamente, mais controle sobre a própria rotina.
Faz sentido, quando se olha para o que a função de gestão virou nos últimos anos. O gestor de linha hoje responde pela entrega do time, pela retenção de talento, pelo clima da equipe e, cada vez mais, por conversas que antes eram encaminhadas para o RH.
Ele virou a primeira linha de escuta emocional da empresa. Só que raramente alguém sentou com ele para ensinar como conduzir esse tipo de conversa sem se desgastar — ou sem simplesmente empurrar o problema para debaixo do tapete.
O Good Work Index 2025, da CIPD, reforça esse retrato. O relatório mostra que, quando o gestor de linha recebe capacitação adequada, os efeitos aparecem em cascata: colaboradores se sentem mais competentes no próprio trabalho, relatam menos impacto negativo do trabalho na saúde e cogitam menos deixar a empresa.
Como resume Jake Young, conselheiro sênior de política e prática da CIPD no próprio relatório: treinar e capacitar gestores para criar ambientes de trabalho saudáveis é o que protege o time do excesso de pressão. Não é discurso motivacional — é o achado central da pesquisa.
Nenhum desses dados aponta para gestor despreparado por falta de vontade. Aponta para uma função que mudou de escopo mais rápido do que as empresas mudaram o treinamento oferecido a quem ocupa esse cargo.
A maioria dos programas de desenvolvimento de liderança ainda foca em gestão de resultado, de prazo, de indicador. Poucos dedicam tempo real a ensinar como conduzir uma conversa difícil, como reconhecer sinal de esgotamento na equipe antes que vire pedido de demissão, ou como dizer não para uma demanda sem quebrar a relação de confiança com quem pediu.
Quando o gestor de linha não recebe esse preparo, o custo não desaparece — ele só migra de lugar. Vira turnover que ninguém antecipou, vira clima de equipe que azeda sem motivo aparente, vira decisão estratégica adiada porque o gestor gastou a semana apagando incêndio interpessoal em vez de pensar dois passos à frente.
É por isso que tratar isso como "questão de RH" é entender errado o problema. É questão de resultado de negócio, só que com sintoma disfarçado de clima organizacional.
A empresa que já entendeu isso parou de tratar desenvolvimento de liderança como curso avulso e passou a tratar como investimento contínuo — com o mesmo peso que dá a treinamento técnico ou financeiro.
Sua empresa já preparou seus gestores para essa parte do cargo que ninguém descreveu na hora da promoção? É esse tipo de repertório que o Executive Program ajuda a construir — antes que o estresse do gestor vire rotatividade do time.
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