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O Gargalo da IA Não É a Tecnologia. É a Governança.

Por Que a Maioria dos Projetos de IA Morre Antes de Dar Retorno (e Como Evitar Isso)

O Gargalo da IA Não É a Tecnologia. É a Governança.

Felipe Pojo | AI Sales Specialist Google Cloud

Victor Hugo Bin

, redator(a) da StartSe

10 min

13 mai 2026

Atualizado: 13 mai 2026

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Felipe Pojo, AI Sales Specialist do Google Cloud — com passagens anteriores por IBM e Amazon — abriu o jogo em uma sessão exclusiva no AI Festival da StartSe: o maior problema das empresas com inteligência artificial não é acesso a modelos ou falta de ferramenta. É falta de organização interna para fazer a tecnologia funcionar de verdade.

Em um Q&A fechado com alunos da trilha AI Journey, Pojo destrinçou por que tantos projetos de IA morrem antes de gerar retorno e o que separa as empresas que estão extraindo valor real das que ainda estão na "feira de ciências."

Por que isso importa: O mercado de IA corporativa entrou em uma fase onde a tecnologia deixou de ser a barreira. Os modelos estão aí, acessíveis e cada vez mais baratos. Mas a maioria das empresas brasileiras ainda trava no mesmo ponto: não sabe medir o que está fazendo, não tem governança de dados e cria projetos isolados que viram silos impossíveis de escalar. Enquanto isso, o Google Cloud anunciou no Next 2026 o Gemini Enterprise Agent Platform — uma plataforma inteira para construir, escalar e governar agentes de IA em nível corporativo. A mensagem é clara: quem não resolver a governança agora vai ficar cada vez mais longe de quem resolveu.

O problema que se repete — com ou sem IA

Pojo foi direto. Os problemas das empresas se repetem de uma big tech para outra. "No mundo empresarial, o principal desafio das empresas eu vejo ele até se repetindo. Mas temos tecnologia hoje que não tínhamos antes", afirmou.

O exemplo concreto: uma empresa que terceirizava o onboarding de clientes para uma consultoria externa agora consegue fazer o mesmo processo internamente, com um colaborador e poucos minutos de trabalho. O que mudou não foi o problema. Foi a ferramenta.

Mas a ferramenta, segundo Pojo, não é o gargalo. "Trazer IA para resolver um problema não é o gargalo. É fazer esse ecossistema mudar com governança."

Sem métrica, sem ROI

Um dos pontos mais incisivos da sessão foi sobre métricas — ou a ausência delas.

"Na maior parte das vezes, as pessoas não têm métricas de sucesso do porquê aquela iniciativa merece ser testada", disse Pojo.

Ele explicou que empresas estão priorizando projetos de IA com melhor retorno sobre o investimento, mas que um dos maiores sabotadores desse ROI é a falta de um baseline claro. Quanto tempo leva? Quanto custa? Se a resposta é "não sei", o projeto está operando no escuro.

A recomendação é direta: defina um problema de negócio, entenda como IA pode resolvê-lo e mensure o resultado. Parece simples. Mas a maioria das empresas pula a terceira etapa.

Agentes de IA: potencial alto, adoção baixa

Pojo reconheceu que recursos agênticos — agentes autônomos que executam tarefas complexas de ponta a ponta — ainda são pouco utilizados pelas empresas.

O Google lançou recentemente o Gemini Enterprise Agent Platform, que unifica ferramentas de construção, orquestração e governança de agentes em uma única plataforma. A precificação do runtime de agentes no Google Cloud funciona por consumo de compute e memória (vCPU-horas e GiB-horas), e não por uma cobrança direta de tokens na infraestrutura de execução — embora o uso dos modelos Gemini que alimentam esses agentes continue sendo cobrado por token.

Um aluno do AI Journey comparou esse modelo ao de concorrentes que cobram diretamente por volume de tokens consumidos, argumentando que isso inviabiliza o ROI quando o uso escala.

O perigo da "feira de ciências"

Quando perguntado sobre como evitar que todo mundo queira usar IA para tudo ao mesmo tempo — o cenário clássico das empresas que aprovam 15 projetos-piloto e nenhum vai para produção — Pojo foi categórico: "A discussão é menos sobre a tecnologia e mais sobre governança."

O risco, segundo ele, é criar silos de dados quando a empresa tenta democratizar IA sem organização. Um departamento pede licenças de IA por conta própria, outro cria sua própria base de dados, e em poucos meses a empresa tem um ecossistema fragmentado impossível de gerenciar.

A recomendação: crie cada projeto de IA já pensando em escalá-lo. Se o piloto nasce separado da infraestrutura principal, ele vira um silo que vai custar caro para integrar depois — ou nunca será integrado.

O GAP que não para de crescer

Uma das perguntas mais provocadoras da plateia tocou em um ponto que pouco se discute: o abismo entre empresas que já usam IA e as que nem sabem o que é. "Tem empresas que têm conta Google mas nunca usaram as ferramentas do Google, nem sabem o que é IA", apontou um participante.

Pojo reconheceu o problema e disse que o Google depende de parceiros de negócios para alcançar empresas que estão longe geograficamente ou que não têm proximidade com a big tech. "Vamos investir ainda mais porque tem esse GAP que não conseguimos tocar que não seja através de parceiros", afirmou.

Mas ele foi além: o problema não é só ferramental. "Tem treinamento, tem maturidade, mas faltam as empresas entenderem como eles podem capacitar seus times. E isso é cultura, não é cada um com seu computador, na mesa usando IA."

A empresa que nasceu para matar um escritório de advocacia

Um dos exemplos citados por Pojo chama atenção pelo radicalismo: um cliente do Google criou uma empresa digital do zero que substituiu um escritório de advocacia completo. O que antes levava 2 horas passou a ser feito em 15 minutos.

É o tipo de movimentação que mostra para onde o mercado está indo. Não se trata apenas de empresas existentes adotando IA para ganhar eficiência. Novas empresas estão surgindo já nativas de IA, competindo frontalmente com modelos de negócio tradicionais — e ganhando.

🔎 Sinais e impactos para o leitor

Para CEOs e empresários: O recado de Pojo é claro — pare de tratar IA como projeto de tecnologia. É projeto de negócio. Se não há um baseline de métricas definido antes de iniciar, o projeto já nasceu sem forma de provar valor. E se cada área está criando seus próprios projetos isolados, a empresa está construindo dívida técnica que vai custar caro.

Para executivos e diretores: A governança de IA é a nova infraestrutura corporativa. Quem liderar esse tema internamente ganha relevância estratégica. O Google investindo US$ 750 milhões só em parceiros para IA agêntica mostra que o mercado de agentes está saindo do piloto e indo para produção.

Para empreendedores: A barreira de entrada nunca foi tão baixa. Se uma empresa nasceu do zero e substituiu um escritório de advocacia inteiro, o mesmo pode acontecer em dezenas de outras indústrias. O Google Cloud oferece US$ 300 em créditos gratuitos para novos clientes e permite testar a plataforma de agentes sem ativar cobrança. O momento de testar é agora — antes que um concorrente faça isso primeiro.

Para ficar de olho

O Google declarou no Cloud Next 2026 que a era dos pilotos de IA acabou. A Gemini Enterprise Agent Platform consolida tudo que era Vertex AI em uma plataforma unificada de agentes. A Alphabet planeja gastar mais de US$ 175 bilhões em capex em 2026 — mais da metade direcionado a cloud e IA. A infraestrutura está sendo construída. A pergunta que resta é: sua empresa vai estar organizada para usá-la?

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