Por que as faculdades dos EUA estão quebrando — e o que isso significa para o mercado de trabalho global
Por que as faculdades dos EUA estão quebrando — e o que isso significa para o mercado de trabalho global
, Redator
10 min
•
22 abr 2026
•
Atualizado: 22 abr 2026
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As faculdades particulares dos EUA estão entrando no modo sobrevivência. Mais de 25% delas correm risco de fechar as portas definitivamente nos próximos anos, podendo atingir até 670 mil alunos.
O problema central é a queda das matrículas: hoje, existem 2,3 milhões de estudantes a menos do que em 2010. Com menos alunos pagando mensalidades, as instituições de médio e pequeno porte não conseguem sustentar as operações.
Antes que você saia por aí dizendo que Harvard e Stanford "estão em crise", saiba que essa tendência não chegou às universidades de elite, que seguem batendo recordes de inscritos.
Não é só uma crise americana. É um sinal claro de que o modelo tradicional de ensino superior — caro, longo e desconectado do mercado — está sendo questionado em escala global. Para empresários e executivos brasileiros, a pergunta que fica: se o diploma está perdendo valor como passaporte para o mercado de trabalho na maior economia do mundo, o que isso diz sobre como você deve preparar seus filhos, sua equipe e a si mesmo para os próximos 10 anos?
O preço das mensalidades subiu 42% acima da inflação nas últimas décadas, o que fez muitos jovens evitarem a ideia de já começar a vida adulta com esse endividamento para ser quitado — um modelo bastante comum por lá.
Só para ter uma ideia, a dívida estudantil americana já ultrapassa os US$ 1,84 trilhão, segundo dados do Federal Reserve e da LendingTree. São 42,8 milhões de devedores federais com um saldo médio de US$ 39.547 por pessoa. A dívida estudantil é a segunda maior categoria de dívida do consumidor americano, atrás apenas dos financiamentos imobiliários.
Como alternativa, jovens recém-formados têm optado cada vez mais por cursos técnicos ou certificações rápidas que pesam menos no bolso. Até porque o número de universitários que conseguem um emprego logo após se formar tem caído nos últimos anos. De acordo com o Bipartisan Policy Center, metade dos graduados entre 2012 e 2021 estava subempregada um ano depois de se formar — trabalhando em funções que sequer exigiam diploma.
O declínio na natalidade iniciado em 2008 criou um vácuo populacional que reduzirá o número de jovens de 18 anos em 15% até 2039. Os nascimentos nos EUA caíram de 4,3 milhões naquele ano para 3,6 milhões em 2025. Ou seja: haverá cada vez menos clientes para um produto que está ficando caro demais.
Não são só as pequenas que sentem. A Universidade do Sul da Califórnia (USC) demitiu mais de 900 funcionários. Stanford cortou pelo menos 363. A Northwestern eliminou 425 posições. A DePaul demitiu 114 e fechou seu museu de arte. Hampshire College, em Massachusetts, anunciou que fechará as portas até o fim de 2026 após anos de dificuldades financeiras, de acordo com reportagem da NPR.
A inteligência artificial está adicionando mais uma camada de pressão. Segundo especialistas ouvidos pelo The Washington Times, a IA está gerando incerteza entre potenciais estudantes sobre o que vale a pena estudar, já que muitas profissões antes ocupadas por graduados em humanas e áreas criativas estão sendo reformuladas ou extintas pela automação.
Pense nisso: por que se endividar por 4 anos para ter uma formação que a IA pode tornar obsoleta antes de você pagar a primeira parcela? Essa é a pergunta que jovens americanos estão se fazendo — e que a geração brasileira deveria começar a fazer também.
O ensino superior nos EUA está passando pela maior reestruturação em décadas. Não é uma crise passageira — é uma correção de mercado. O produto ficou caro demais, o retorno ficou incerto demais, e agora a demanda está secando.
A lição para quem lidera empresas ou educa a próxima geração: o valor não está mais no diploma em si, mas na capacidade de aprender rápido, se adaptar e aplicar conhecimento no mundo real. Quem entender isso primeiro — seja um jovem de 17 anos ou um CEO de 55 — terá a vantagem competitiva que nenhuma universidade tradicional consegue mais garantir.
Se essa matéria fez você repensar o futuro educacional dos seus filhos ou dos jovens ao redor, a StartSe tem algo para isso. A Tomorrow Learning é um programa imersivo de 3 dias para jovens entre 15 e 20 anos conhecerem negócios com a perspectiva global e transformadora do Vale do Silício. Os participantes visitam empresas inspiradoras, interagem com Inteligência Artificial e outras tecnologias, e vivem experiências que os preparam para resolver problemas reais — exatamente o tipo de competência que o mercado está exigindo.
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