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"Executivos estão sofrendo uma psicose de IA", diz CEO da Box

Aaron Levie, fundador da Box, nomeou o que muitos sabem mas poucos dizem: CEOs estão tomando decisões de IA a partir de protótipos de fim de semana. E isso está custando muito mais do que tempo.

"Executivos estão sofrendo uma psicose de IA", diz CEO da Box

Quando tudo vira IA, uma espécie de cegueira toma conta da decisão executiva.

Bruno Lois

, Editor

7 min

3 jun 2026

Atualizado: 3 jun 2026

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O CEO passa um fim de semana explorando uma ferramenta, gera um contrato, prototipa um fluxo, vê o resultado aparecer na tela em segundos. Na segunda-feira seguinte, entra na reunião de liderança com uma convicção nova: "o agente consegue fazer isso."

Aaron Levie, cofundador e CEO da Box, tem um nome para esse fenômeno. Em um post no X, ele escreveu algo basicamente neste sentido, com tradução livre: “CEOs estão particularmente suscetíveis à ”psicose de IA" porque estão distantes da etapa final do trabalho, justamente a que ainda precisa acontecer para gerar valor real com a tecnologia".

O que o CEO vê — e o que ele não vê

Um executivo que gera um contrato com IA vê o documento aparecer formatado, coerente, aparentemente completo. O que ele não vê é a etapa seguinte: verificar cada cláusula antes de enviar à contraparte, conectar aquele contrato ao histórico dos 200 contratos anteriores da empresa, garantir que os termos refletem a política jurídica vigente, e lidar com o que acontece quando o agente alucina um prazo ou inverte uma condição.

Levie é preciso na descrição: o executivo proclama "olha, gerei um contrato" — mas não verificou todos os termos antes de enviar à contraparte, e não precisou conectar todos os contratos anteriores para fazer aquilo funcionar. O gap entre o protótipo e o produto confiável não é técnico. É de experiência acumulada com o processo real — e quem tem essa experiência raramente está na sala onde as decisões são tomadas.

Os dados corroboram a intuição de Levie. Uma pesquisa de 2025 da empresa de IA Rev mostrou que usuários pesados de IA encontram três vezes mais alucinações e levam quase dez vezes mais tempo para obter respostas úteis do que usuários casuais. Isso não aparece na demo. Aparece na operação.

O custo de apostar na demo

O problema não é teórico — ele está aparecendo nos balanços. O CTO da Uber, Praveen Neppalli Naga, revelou que a empresa consumiu todo o orçamento anual de ferramentas de IA para código em apenas quatro meses de 2026. E um cliente de uma consultoria de IA relatou ter gastado acidentalmente meio bilhão de dólares depois de mal-configurar as configurações de uma ferramenta.

Enquanto isso, nos primeiros cinco meses de 2026, o setor de tecnologia já acumulou quase tantas demissões quanto em todo o ano de 2025 — 115.430 pessoas desligadas de 152 empresas, com a maioria das companhias citando IA como justificativa para os cortes. A ClickUp demitiu 22% da força de trabalho após implantar 3.000 agentes de IA para tarefas internas. O resultado, segundo analistas, foi uma queda visível na qualidade do serviço — o mesmo padrão que a Klarna já tinha produzido antes.

Há um nome para essa dinâmica: AI washing. Críticos argumentam que muitas empresas estão atribuindo à IA ganhos de produtividade passados ou futuros, quando outros fatores de negócio são os reais motivadores dos cortes. A IA virou o álibi mais conveniente da gestão corporativa de 2026.

O que Levie propõe — e por que importa

A posição de Levie é relevante porque ele não é um crítico da IA. É um dos seus maiores entusiastas públicos, e a Box é uma empresa construída sobre automação e fluxos de trabalho inteligentes. O que ele critica não é a tecnologia — é a distância entre quem a usa de verdade e quem decide a partir dela.

No podcast Platformer, Levie defendeu que agentes de IA podem, na verdade, multiplicar o número de trabalhadores que uma empresa precisa, tornando mais fácil iniciar tarefas mais complexas. "É basicamente o Se Você Der um Biscoito a um Rato aplicado à economia. Você começa a acumular mais e mais trabalho. As pessoas vão descobrir que há muito mais tarefas que poderiam estar fazendo, mas que nunca conseguiram porque o custo fixo de começar a tarefa era alto demais", disse.

O raciocínio inverte a lógica dominante: em vez de IA como substituta do trabalho humano, IA como amplificadora da capacidade de fazer mais trabalho — o que, no limite, aumenta a demanda por profissionais qualificados, não a reduz. E o perfil desse profissional muda: não é o executor de tarefas repetitivas que a IA já faz melhor. É o engenheiro que entende o processo real do cliente, que sabe onde o agente vai falhar, e que consegue configurar a solução no ambiente onde ela precisa funcionar — não no ambiente controlado da demo.

Decidir sobre IA a partir de uma demonstração de fornecedor e decidir a partir de quem mediu o processo real da empresa são duas decisões completamente diferentes. O problema é que, no ritmo atual, a maioria das organizações está confundindo as duas — e descobrindo a diferença na hora mais cara possível.

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Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.

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