O State of Meetings 2026, da Laxis Research, e o Work Trend Index da Microsoft mostram o preço real — em dinheiro e em atenção — de uma agenda executiva tomada por reuniões.
Reunião no Zoom (Foto: Canva)
, Redator
7 min
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31 ago 2026
•
Atualizado: 31 ago 2026
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Abra a agenda de qualquer diretor nesta semana. As chances de encontrar mais reunião do que espaço para pensar são altas — e não é impressão sua.
O State of Meetings 2026, relatório da Laxis Research que cruza dados do Work Trend Index da Microsoft, Owl Labs, Pumble e Speakwise, chegou a um número que resume o problema: profissionais em nível de gestão e diretoria têm mais de 22 reuniões por semana, e quem está em cargo de diretoria costuma perder mais da metade de cada dia útil em compromissos agendados no calendário.
Fazendo a conta simples: se um diretor trabalha oito horas por dia, mais de quatro delas já nascem comprometidas antes de qualquer decisão estratégica, qualquer conversa com o time ou qualquer hora de foco real. Sobra a segunda metade do dia — geralmente fragmentada entre uma reunião e outra — para o que, na teoria, é o trabalho do cargo: pensar, decidir, liderar.
O relatório mostra ainda que o total sobe para conhecimento sênior de forma geral: enquanto a média de knowledge workers gasta 11,3 horas semanais em reunião (28% da semana de trabalho), o Work Trend Index da Microsoft aponta 15,4 horas semanais especificamente para profissionais seniores — quase dois dias inteiros de trabalho, toda semana, dentro de uma sala ou uma chamada.
A Laxis calculou o custo disso em dólar. Uma empresa com 5 mil funcionários perde mais de US$ 100 milhões por ano só em reuniões consideradas improdutivas. Em escala nacional, a estimativa para os Estados Unidos chega a US$ 399 bilhões anuais. Por funcionário, o desperdício médio gira em torno de US$ 25 mil por ano em tempo que não gerou decisão, entrega ou avanço.
O dado mais direto do relatório vem de quem está na sala. 35% de todas as reuniões são classificadas como perda de tempo pelos próprios participantes. Quando a pergunta inclui reuniões que "poderiam ter sido um e-mail", esse número sobe para até 72%, segundo fontes citadas no mesmo levantamento.
Ou seja: a maior autoridade sobre se uma reunião valeu a pena não é quem a convocou. É quem foi obrigado a comparecer. Em boa parte das empresas, recusar um convite de um superior ainda soa como falta de comprometimento, mesmo quando a pauta não justifica a presença — e enquanto essa cultura não muda, calendário lotado continua sendo sinônimo de estar ocupado, mesmo sem relação nenhuma com o resultado da semana.
Um retrato ainda mais preciso desse cenário vem direto da Microsoft. O relatório "Breaking Down the Infinite Workday", com telemetria do Microsoft 365 e pesquisa da Edelman Data x Intelligence com 31 mil trabalhadores em 31 mercados, mostra como essa fragmentação acontece hora a hora: uma interrupção a cada dois minutos durante o expediente, o equivalente a 275 interrupções por dia.
Metade das reuniões se concentra nas duas janelas mais óbvias da agenda — entre 9h e 11h, e entre 13h e 15h — mas 57% acontecem sem convite formal no calendário, e 60% são não agendadas ou totalmente improvisadas. Reuniões depois das 20h cresceram 16% em um ano. Um terço já atravessa mais de um fuso horário, alta de 8 pontos percentuais desde 2021 — sinal de que boa parte da sobrecarga vem da ausência de um critério compartilhado sobre quando marcar reunião é, de fato, necessário.
O dado que deveria preocupar mais um board não é operacional — é de percepção de quem está no comando. 48% dos funcionários dizem que o trabalho está "caótico e fragmentado". Entre os líderes, a percepção é praticamente a mesma: 52% relatam a mesma sensação, e um em cada três profissionais afirma que é impossível acompanhar o ritmo atual de mensagens, reuniões e interrupções.
Isso derruba a desculpa de que reunião em excesso é problema de time operacional desorganizado, imune no topo. A pressão bate praticamente igual em quem lidera e em quem executa — o que torna esse um problema de desenho organizacional, não de disciplina individual de agenda. A solução raramente vem de um app de calendário mais inteligente: vem de decidir, no nível da liderança, qual categoria de decisão realmente exige uma sala cheia.
Antes de aceitar o próximo convite, vale a pergunta: essa reunião existe porque é necessária, ou porque ninguém parou para questionar se ainda precisava existir? Vale a pena calcular o custo invisível das suas reuniões antes de continuar preenchendo a agenda no automático.
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