O IBM Institute for Business Value mostra que agilidade de decisão deixou de ser vantagem competitiva e se tornou pré-requisito de sobrevivência — e a maioria das empresas ainda não tem estrutura para isso
Segundo a IBM, quase a totalidade dos executivos brasileiros já sente que precisa decidir de forma cada vez mais rápida, enquanto a maioria das organizações ainda constrói, no improviso, a estrutura para sustentar esse ritmo.
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8 min
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21 jul 2026
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Atualizado: 21 jul 2026
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Há uma diferença importante entre "decidir rápido ajuda a competir melhor" e "decidir rápido deixou de ser opcional". O estudo 5 Tendências para 2026, do IBM Institute for Business Value, descreve exatamente essa segunda realidade: 98% dos executivos brasileiros afirmam que precisam decidir de forma cada vez mais ágil só para manter a competitividade — um percentual tão próximo da unanimidade que praticamente elimina qualquer discussão sobre se essa pressão é real.
O detalhe que torna esse dado mais urgente é o que vem junto dele: 75% dos executivos brasileiros já esperam que agentes de IA operem de forma independente dentro da própria organização até o final deste ano. A pressão por velocidade e a expectativa de autonomia de IA estão avançando ao mesmo tempo — e a maioria das empresas ainda não fechou a lacuna de governança que deveria acompanhar essa dupla aceleração.
Segundo o estudo, a velocidade de decisão já apareceu antes em pesquisas de estratégia como diferencial — algo que separava empresa boa de empresa excelente. O que mudou agora é a proporção: quando 98% dos executivos concordam que a pressão por agilidade aumentou, isso deixa de descrever uma vantagem que algumas empresas cultivam e passa a descrever uma condição ambiental que nenhuma organização escapa, independentemente de setor ou porte.
Esse dado se conecta a outro achado do levantamento: 82% dos executivos brasileiros afirmam que a lentidão para operar em tempo real representa perda direta de vantagem competitiva. Não é mais sobre ser mais rápido que o concorrente para ganhar mercado — é sobre não ficar tão lento a ponto de sair do jogo.
O estudo mostra que 65% dos executivos brasileiros já afirmam que agentes de IA ajudam a organização a tomar decisões melhores e mais rápidas, e a realocar recurso para capturar oportunidade em meio à disrupção. Isso indica que a IA agêntica já saiu do território puramente experimental e está presente em processos ligados a planejamento, análise de cenário e resposta a mudança de mercado.
O ponto de atenção está na combinação entre esse avanço e a expectativa de autonomia crescente: se 75% dos executivos esperam que esses agentes operem de forma independente ainda este ano, a maioria das organizações está, ao mesmo tempo, acelerando a delegação de decisão a sistemas autônomos e ainda trabalhando para garantir que dados estejam confiáveis, processos estejam bem desenhados e integração com sistemas existentes esteja madura. Segundo o próprio estudo, um agente de IA só gera valor real se conseguir operar com dado confiável dentro de processo bem estruturado — sem isso, autonomia aumenta complexidade em vez de reduzir atrito operacional.
Esse risco aparece de forma explícita em outro levantamento recente, do KPMG Global Tech Report 2026: no Brasil, 45% dos executivos de tecnologia admitem ter múltiplos projetos de IA operando de forma desconectada, e 58% relatam ter comprometido fatores críticos — como segurança, escalabilidade ou qualidade de dado — na tentativa de inovar rápido e reduzir custo. Ou seja: a pressão por velocidade de decisão, sem estrutura correspondente, tem custo real de qualidade, não apenas de percepção.
O estudo da IBM identifica soberania de IA — a capacidade da própria organização de controlar e governar seus sistemas, dados e infraestrutura de inteligência artificial em qualquer momento — como segundo vetor central para 2026, ao lado da velocidade de decisão. Isso não é acaso: quanto mais autonomia um agente de IA recebe dentro de um processo crítico, mais relevante se torna a capacidade da empresa de auditar, corrigir e responder por aquela decisão quando algo sair fora do esperado.
O terceiro vetor apontado pelo levantamento — colaboração via ecossistema de parceiros — reforça esse raciocínio: 69% dos executivos brasileiros dizem que atuar em ecossistema acelera a incorporação de nova tecnologia, e 89% afirmam que esses parceiros ajudam a mitigar impacto de disrupção. Nenhuma empresa constrói, isoladamente e no mesmo ritmo do mercado, toda a infraestrutura de governança que decisão ágil com IA autônoma exige — e tentar fazer isso sozinho tende a ser mais lento, não mais rápido.
Para qualquer executivo ou conselheiro avaliando esse cenário, o recado prático é que investir em velocidade de decisão sem investir, na mesma proporção, em estrutura de dado, processo e governança de IA autônoma é apostar em fragilidade disfarçada de agilidade. Uma decisão tomada rápido, mas baseada em dado inconsistente ou processo mal desenhado, não é vantagem competitiva — é risco operacional adiantado.
Isso exige que qualquer liderança pergunte, antes de acelerar mais um processo com IA agêntica, se a organização já resolveu a base que sustenta essa velocidade: dado confiável, processo bem documentado e clareza sobre até onde a autonomia do agente pode avançar sem supervisão humana explícita.
Construir essa disciplina de decisão, rápida, mas amparada, e não apenas rápida por pressão de mercado, é o tipo de preparo que o Executive Program da StartSe coloca diante de lideranças que sentem a mesma pressão relatada por quase a totalidade dos executivos brasileiros ouvidos pela IBM.
Quando 98% de qualquer grupo concorda sobre a mesma pressão, o risco real não é discordar dela — é a maioria da fila continuar tentando responder a essa pressão sem antes construir a estrutura que a torna sustentável, em vez de apenas mais um ponto de fragilidade operacional escondido sob a aparência de eficiência.
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Bruno Lois
, Editor
Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.
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