O Uber revelou em maio de 2026 que o orçamento de inteligência artificial do ano inteiro havia sido consumido em quatro meses.
o custo de uso da IA ficou 280x mais barata nos últimos 18 meses; enquanto o custo de empregar pessoas não para de subir
, Redator
8 min
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10 set 2026
•
Atualizado: 10 set 2026
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O Uber revelou em maio de 2026 que o orçamento de inteligência artificial do ano inteiro havia sido consumido em quatro meses. O detalhe que importa não é o valor. É que ninguém na empresa conseguia dizer qual time tinha gasto o quê, nem se aquele consumo tinha produzido resultado proporcional. O preço unitário da inteligência despencou. O que decide se a conta vira investimento ou vazamento é o que está amarrado a ela.
Por que isso importa: empresas que crescem capacidade sem inflar estrutura não são as que gastam menos com IA. São as que conseguem dizer quanto custa cada tarefa concluída e qual indicador aquela tarefa moveu.
A curva de Stanford é real e contínua. Custo de hardware caindo perto de 30% ao ano e eficiência energética ganhando cerca de 40% ao ano são forças estruturais, não promoção de fornecedor.
O que mudou junto foi o formato do trabalho. Uma pergunta seguida de uma resposta consome pouco e de forma previsível. Uma tarefa executada de ponta a ponta funciona de outro jeito: o sistema chama ferramenta, verifica resultado, corrige rota e reenvia o contexto acumulado a cada passo. Na vigésima etapa, o mesmo contexto foi pago vinte vezes. A entrada, e não a saída, passa a dominar a fatura.
A leitura preguiçosa desse fato é concluir que IA ficou cara. A leitura correta é outra: o preço por unidade e o custo por tarefa deixaram de ser a mesma conversa. Orçar IA olhando tabela de preço por milhão de tokens em 2026 tem a mesma utilidade de orçar frete olhando o preço do litro de diesel.
Aqui está o achado que muda o desenho de qualquer projeto. Um estudo que analisou trajetórias de oito modelos de fronteira encontrou três coisas ao mesmo tempo.
A primeira é a variância. Execuções da mesma tarefa podem diferir em até 30 vezes no total de tokens consumidos, e os modelos subestimam de forma consistente o próprio gasto quando questionados antes de executar.
A segunda é que dificuldade percebida pelo humano não prevê custo. Tarefa que parece simples pode custar caro e o contrário também acontece.
A terceira é a que interessa ao conselho: a acurácia não sobe junto com o gasto. Ela costuma atingir o pico num custo intermediário e estagnar a partir dali. Existe um ponto ótimo de consumo, e ele fica bem antes do teto.
Isso desmonta a ideia de que controlar custo de IA é escolher o modelo mais barato. E desmonta também a ideia oposta, de que resultado melhor exige orçamento maior. O que separa as duas curvas é escopo definido, dono nomeado e medição antes e depois.
Empresa que roda automação sem saber qual processo ela atende paga pelo consumo e não consegue provar o retorno. A empresa que amarra cada tarefa a um indicador descobre onde está o ponto ótimo em semanas, e passa a comprar capacidade em vez de comprar token.
Para CEOs e conselhos. A pergunta a fazer ao time não é quanto se gasta com IA por mês. É quanto custa cada tarefa concluída e qual número da operação ela moveu. Quem não tem a segunda resposta não tem projeto, tem assinatura.
Para C-levels e diretores. Vale exigir atribuição por time e por fluxo antes de escalar qualquer piloto. O caso do Uber não foi excesso de ambição, foi ausência de rastreio.
Para donos de pequenas e médias. A vantagem aqui é de agilidade. Testar um processo, medir o custo por tarefa concluída e comparar com o custo atual daquele processo é um experimento de semanas, não de trimestres.
A queda de 280 vezes no preço da capacidade é a maior deflação de insumo que uma operação viu em décadas, e ela é o motivo pelo qual crescer sem contratar virou possível. Ela não vem com garantia. O ganho aparece para quem consegue nomear a tarefa, medir o antes e o depois e apontar o responsável. Fora disso, o que a empresa comprou foi consumo.

A diferença entre comprar consumo e comprar capacidade está no método, não no fornecedor. A Masterclass de IA da StartSe mostra como escolher o processo certo, medir o antes e o depois e colocar dono em cada solução antes de escalar.
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