Enquanto empresas discutem sucessão, seis em cada dez executivos brasileiros já pensam em sair da liderança
Ainda compensa ser líder?
, Editor
6 min
•
27 jul 2026
•
Atualizado: 27 jul 2026
newsletter
Start Seu dia:
A Newsletter do AGORA!
Um dado recente da LHH expõe um paradoxo que a maioria dos comitês de sucessão ainda não enfrentou de frente. Segundo o Índice de Competitividade de Talentos 2026, que ouviu mais de 4.600 líderes, 60% dos executivos brasileiros afirmam desejar mudar de carreira, mesmo ocupando posições estratégicas e de alta responsabilidade.
Não se trata de insatisfação pontual. É um sinal estrutural de desgaste no topo das organizações, justamente no momento em que essas mesmas organizações dependem da liderança para atravessar transformação digital, pressão por resultado e escassez de talento qualificado.
O fenômeno não nasce de falta de ambição. Segundo especialistas ouvidos na pesquisa da LHH, o que mudou foi a urgência com que as novas gerações buscam o topo. Diferente de gerações anteriores, que associavam sucesso a ascensão hierárquica, muitos profissionais hoje priorizam trajetórias sustentáveis a acelerar a chegada ao comando. A liderança, nesse meio tempo, acumulou funções que não existiam há uma década. Além das metas tradicionais de performance, o cargo hoje envolve engajamento de equipe, saúde mental, retenção, hibridização do trabalho e, mais recentemente, a gestão da própria transformação com inteligência artificial.
Esse acúmulo de responsabilidade sem redesenho de escopo cria um efeito silencioso: quem já está no topo sente o peso crescer sem contrapartida clara, e quem está na base observa esse desgaste antes de decidir se quer assumir o mesmo lugar.
Quando o desejo de sair do cargo cresce entre quem já ocupa posições estratégicas, o problema não aparece imediatamente no resultado trimestral. Aparece na sucessão. Empresas que não têm um pipeline de liderança robusto e preparado enfrentam dois riscos simultâneos: perder executivos experientes por desgaste e não ter substitutos preparados para assumir com a mesma consistência.
Esse cenário se agrava quando o processo de sucessão é tratado como formalidade de RH, e não como prioridade estratégica do board. Conselhos que discutem sucessão apenas quando o cargo já está vago chegam tarde. A decisão sobre quem assume a liderança precisa ser construída com antecedência, testada em contextos reais de decisão e sustentada por critérios de resultado, não apenas de tempo de casa ou proximidade política.
Grande parte das estratégias de retenção de liderança ainda se apoia em remuneração e benefícios. O dado da LHH sugere que isso não resolve a raiz do problema. Executivos que querem mudar de carreira mesmo em posições de alta responsabilidade não estão buscando outro salário. Estão questionando se o cargo, do jeito que está desenhado hoje, ainda vale o custo pessoal que exige.
Isso exige que as empresas repensem o que significa liderar dentro delas. Redesenhar escopo, distribuir responsabilidades antes reservadas a um único cargo, criar espaço real para decisão sem sobrecarga individual e proteger tempo de liderança para pensar estratégia, não apenas para apagar incêndios operacionais.
O primeiro movimento não é reter quem já pensa em saída. É mapear com precisão quem, dentro da liderança atual, está em risco de desengajamento silencioso, antes que ele se converta em pedido de desligamento. O segundo é revisar, com dados reais e não com percepção informal, o que o cargo de liderança realmente exige hoje comparado ao que exigia cinco anos atrás. O terceiro é preparar sucessores com antecedência suficiente para que a saída de um executivo não vire crise de continuidade.
Organizações que tratam sucessão como projeto contínuo, e não como reação a uma vaga aberta, chegam à próxima década com vantagem competitiva real sobre quem só percebe o problema quando a cadeira já está vazia.
Programas estruturados de desenvolvimento executivo, como o Executive Program da StartSe, ajudam lideranças a reconstruir esse desenho de cargo antes que o desgaste se transforme em saída.
Gostou deste conteúdo? Deixa que a gente te avisa quando surgirem assuntos relacionados!
Assuntos relacionados
Bruno Lois
, Editor
Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.
Leia o próximo artigo
newsletter
Start Seu dia:
A Newsletter do AGORA!