Levantamentos da EY e da KPMG com conselheiros brasileiros mostram uma agenda de board dominada por IA, dados e governança de risco — bem menos burocrática do que a pauta de anos anteriores.
no levantamento global de tecnologia da KPMG, o retorno médio sobre investimento em tecnologia foi de 4,5 vezes
, Redator
8 min
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10 set 2026
•
Atualizado: 10 set 2026
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Se você senta em um conselho de administração — ou reporta a um — vale fazer um exercício simples: compare a pauta da última reunião de board com a que provavelmente vai dominar 2026. A distância entre as duas é o tamanho do problema que muita empresa brasileira ainda não percebeu que tem.
O EY Center for Board Matters ouviu mais de 100 conselheiros brasileiros no fim de 2025 para mapear os temas prioritários deste ano. O levantamento identifica nove tópicos, com fatores locais como custo de capital e contexto político dividindo espaço com inovação tecnológica e a forma como novos modelos de negócio vão pressionar decisões estratégicas. IA, sucessão de conselheiros, diversidade e estrutura operacional aparecem entre os temas críticos da lista.
Em paralelo, uma publicação do ACI Institute Brasil chega a uma lista de sete prioridades para 2026. As duas pesquisas, feitas de forma independente, convergem num ponto que não é coincidência: inteligência artificial deixou de ser item de TI e virou item de governança.
Na lista da KPMG, o segundo item — logo depois da avaliação do papel estratégico do próprio conselho — é compreender a estratégia de IA e IA generativa da empresa, monitorando riscos, oportunidades e necessidades de talento associadas. Não é "aprovar o orçamento de IA da área de tecnologia". É entender, no nível do board, o que a IA está mudando no modelo de negócio, no perfil de risco e na composição da força de trabalho.
Essa mudança de status — de pauta técnica para pauta fiduciária — é o mesmo movimento que aparece em pesquisas de adoção de IA agêntica nas empresas brasileiras: quando a tecnologia passa a tomar decisões, ela deixa de ser assunto de CIO e vira assunto de quem responde legalmente pelos rumos da companhia.
Logo depois de IA, a lista da KPMG coloca governança de dados como prioridade independente — avaliar se a estrutura e os processos existentes ainda dão conta da quantidade e da sensibilidade de dados que a empresa hoje movimenta. É um reconhecimento direto de que dado mal governado é o gargalo silencioso de qualquer estratégia de IA: agente nenhum toma decisão melhor do que a qualidade do dado que recebe.
Para conselhos acostumados a delegar esse tema inteiramente à diretoria de tecnologia, 2026 pede outra postura. Não se trata de auditar um sistema. Trata-se de entender se a governança de dados da empresa sustenta as promessas que a liderança está fazendo sobre IA para o mercado, para investidores e para o próprio board.
Os dois levantamentos mantêm cibersegurança e sustentabilidade entre as prioridades — a KPMG pede que a estrutura de governança cibernética permaneça atualizada diante de um cenário de ameaças em constante mudança, e reforça a necessidade de as empresas se prepararem para divulgações obrigatórias em sustentabilidade, mesmo em meio a tantos temas novos disputando atenção.
O ponto de atenção para quem lidera é que esses temas não "perderam" prioridade para a IA — eles competem por um tempo de conselho que continua sendo o mesmo de sempre. Isso força uma pergunta prática, e pouco confortável: quais reuniões, comitês ou relatórios a empresa está disposta a cortar para abrir espaço real de discussão sobre IA, e não apenas mais um item de dez minutos ao fim da pauta?
A KPMG inclui explicitamente a dinâmica entre CEO e conselho como prioridade de 2026 — manter uma relação saudável entre as partes num momento em que decisões de tecnologia precisam ser tomadas mais rápido do que o ritmo tradicional de aprovação em board permite. Quando um CEO precisa decidir sobre adoção de um agente de IA em semanas, não em trimestres, a cadência clássica de governança corporativa é testada.
Isso não significa abrir mão de controle. Significa que board e CEO precisam calibrar, com antecedência, quais decisões de IA cabem à diretoria decidir sozinha e quais exigem passagem formal pelo conselho — antes que a pressão do mercado force essa definição no meio de uma crise.
É a pergunta que fecha o exercício. Um conselho pode ter IA, dados e cibersegurança no topo da lista de prioridades e, ainda assim, não ter capacidade real de questionar o que a diretoria apresenta sobre esses temas — porque simplesmente não tem repertório técnico para isso. Governança que apenas homologa é governança de fachada, e nenhuma das duas pesquisas citadas aqui foi feita para produzir fachada.
Seu conselho está preparado para essa pauta, ou só vai referendar decisões que a diretoria já tomou sem entender de verdade o risco? É essa lacuna que o Board Program foi desenhado para fechar — dando a conselheiros o repertório técnico e de governança para discutir IA com a mesma autoridade com que discutem risco financeiro.
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