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Como os agentes de IA devem reescrever a próxima era do e-commerce global

A "agentic AI" não promete só vender mais — promete eliminar a etapa em que o consumidor decide, pesquisa e compra sozinho

Como os agentes de IA devem reescrever a próxima era do e-commerce global

Agentic Commerce

Bruno Lois

, Editor

8 min

23 jul 2026

Atualizado: 23 jul 2026

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Se essa transformação parece distante da realidade da sua empresa, vale antecipar o movimento antes que ele vire obrigação: o Agentic Led Growth da StartSe foi desenhado justamente para isso — implementar agentes de IA em até 30 dias dentro de áreas como comercial, atendimento e marketing, destravando crescimento e rentabilidade sem depender de mais orçamento ou mais gente.

O impacto da inteligência artificial no comércio eletrônico promete ser revolucionário — não porque vai fazer as empresas venderem mais, mas porque vai mudar a própria forma como o consumidor interage com a loja. Segundo reportagem da Bloomberg Línea, não se trata mais do "quanto" se vende, mas do "como" a venda acontece. E, dessa vez, o consumidor pode nem precisar fazer a compra sozinho — um agente autônomo fará isso por ele.

Da digitalização à decisão automatizada: por que essa é uma ruptura diferente

No início dos anos 2000, a popularização da internet forçou o varejo a se reinventar: quem entendeu que o consumidor queria comprar de casa, sem sair do sofá, construiu impérios como Amazon e Mercado Livre. Um relatório do BTG Pactual, citado na reportagem, descreve a "agentic AI" — tecnologia por trás dos agentes autônomos de inteligência artificial — como o primeiro desafio verdadeiramente crível a esse modelo que dominou o comércio eletrônico por mais de duas décadas.

A diferença central é estrutural. Segundo Alberto Serrentino, fundador da consultoria Varese Retail, a inteligência artificial agêntica "leva a agenda da transformação digital do varejo para um novo patamar", porque não se limita a criar novas formas de fazer o que já se fazia — ela redesenha processos inteiros que o e-commerce tradicional nunca havia questionado.

Os números que já provam que a mudança começou

O avanço não é hipotético. Dados da Bain & Company mostram que o tráfego gerado por plataformas de IA generativa em sites de e-commerce cresceu quase 5.000% no último ano — e a tendência é de aceleração, não de estabilização. Segundo a mesma consultoria, 55% dos consumidores já usam ferramentas de IA para pesquisar produtos antes de comprar, e a expectativa é de que agentes autônomos sejam responsáveis por uma em cada quatro transações de comércio eletrônico no mundo até 2030.

Isso significa que, em menos de cinco anos, um quarto de todo o comércio eletrônico global pode acontecer sem decisão humana direta no momento da compra — o agente pesquisa, compara, decide e executa a transação, com o consumidor apenas definindo a intenção original.

O risco de ficar para trás já tem precedente histórico

O paralelo com a virada do e-commerce nos anos 2000 é direto e, segundo especialistas, deveria soar como alerta: assim como quem não se digitalizou naquele momento perdeu espaço para quem apostou, quem não incorporar agentes de IA aos próprios processos nos próximos anos corre o risco real de ver as vendas encolherem frente aos concorrentes que já abraçaram a tecnologia. Segundo Serrentino, a mudança vai afetar diretamente ganhos de produtividade, eficiência operacional e a própria forma como as empresas se relacionam com o cliente.

O impacto que vai além do consumidor: o "agentic arbitrage" no orçamento de tecnologia

A transformação não para na experiência de compra. Segundo dados da consultoria Gartner citados na reportagem, até US$ 234 bilhões podem migrar dos softwares corporativos vendidos no modelo SaaS (Software-as-a-Service) para soluções baseadas em agentes autônomos — o equivalente a cerca de 20% de todo o mercado global de SaaS.

O mercado já batizou esse fenômeno de "agentic arbitrage": se agentes autônomos conseguem fazer compras sozinhos, também conseguem executar boa parte do trabalho que hoje depende de um funcionário humano operando um software licenciado. Como o modelo de negócio da indústria de SaaS depende diretamente da cobrança por licença de acesso, a expansão de agentes que substituem esse uso individual representa um risco direto de receita para empresas desenvolvedoras desse tipo de solução — e, ao mesmo tempo, uma oportunidade de redução de custo para quem contrata.

O que isso exige de qualquer empresa — grande ou pequena

Para lideranças que ainda avaliam o momento certo de investir em agentes de IA, o padrão histórico é claro: a virada do e-commerce recompensou quem se moveu cedo, e penalizou quem esperou o mercado amadurecer sozinho. A mesma lógica se aplica agora, com uma diferença importante — a curva de adoção da IA agêntica está avançando num ritmo muito mais acelerado do que a digitalização do varejo levou para se consolidar duas décadas atrás.

Isso não significa que só grandes players com orçamento robusto podem participar dessa transformação. Empresas de todos os portes já conseguem implementar agentes de IA em áreas críticas de operação — comercial, atendimento, marketing, gestão — sem depender de grandes investimentos em tecnologia proprietária ou expansão de equipe, desde que sigam um método estruturado de diagnóstico, priorização e implementação real.

A pergunta que qualquer negócio deveria estar fazendo agora não é mais "se" agentes de IA vão mudar a forma como se vende e se compra — é quanto tempo ainda resta antes que essa mudança deixe de ser vantagem competitiva e vire, simplesmente, o novo piso mínimo para continuar competindo.

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Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.

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