Com uma equipe dedicada e o GPT-5 como parceiro de pesquisadores, a OpenAI aposta que a próxima grande revolução científica não virá só de gênios isolados, mas da colaboração entre humanos e máquinas.
Sam Altman dita o futuro na OpenAI
, redator(a) da StartSe
6 min
•
27 jan 2026
•
Atualizado: 27 jan 2026
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Durante décadas, a ciência avançou no ritmo da capacidade humana de formular hipóteses, testar modelos e interpretar dados. Isso está mudando rapidamente. A OpenAI acaba de estruturar uma equipe dedicada exclusivamente a acelerar o uso de inteligência artificial na pesquisa científica — um movimento que sinaliza uma virada de fase: a IA deixa de ser ferramenta auxiliar e passa a atuar como copiloto cognitivo da ciência.
Batizada de OpenAI for Science, a iniciativa posiciona o GPT-5 como um parceiro de trabalho para matemáticos, físicos, químicos, biólogos e engenheiros. Não como um “oráculo da verdade”, mas como um sistema de raciocínio capaz de explorar caminhos, cruzar hipóteses, analisar dados complexos e reduzir drasticamente o tempo entre pergunta e experimento.
O líder do projeto, Kevin Weil, tem formação em física de partículas — um detalhe que importa. A OpenAI está deixando claro que não se trata apenas de produto, mas de infraestrutura intelectual para descoberta científica.
Os números ajudam a entender a magnitude do movimento. Em apenas um ano, as interações do ChatGPT sobre temas avançados de ciências exatas cresceram quase 47%. Hoje, cerca de 1,3 milhão de usuários por semana discutem matemática, física, química, biologia e engenharia em nível de pós-graduação e pesquisa, gerando milhões de mensagens.
Isso revela algo importante: a IA já entrou silenciosamente no cotidiano de laboratórios, universidades e centros de pesquisa. Não como substituta do cientista, mas como aceleradora do pensamento.
O salto de desempenho também é relevante. O GPT-5.2 atingiu 92% no benchmark GPQA, que mede conhecimento especializado em ciências duras — um avanço gigantesco em relação às gerações anteriores. Na prática, isso significa menos tempo gasto em cálculos intermediários, revisões extensas e buscas fragmentadas por referências.
Relatos de pesquisadores reforçam o potencial — e os limites. Há casos em que o GPT-5 ajudou a resolver problemas que humanos não conseguiram solucionar por meses. Ao mesmo tempo, persistem erros conceituais e alucinações, especialmente em domínios altamente sensíveis.
A própria OpenAI faz questão de estabelecer o enquadramento correto: IA como parceiro de brainstorming, não como árbitro final da verdade científica. A decisão, a validação e a responsabilidade continuam humanas.
Esse ponto é crucial. A ciência não está sendo automatizada. Está sendo aumentada.
A OpenAI não está sozinha. O Google DeepMind opera há anos com times dedicados à ciência, criando ferramentas como o AlphaFold, que transformou a biologia estrutural. O que muda agora é a escala e a democratização: modelos generalistas, acessíveis, capazes de dialogar com múltiplas disciplinas.
Ao mesmo tempo, a empresa pressiona governos por mais dados abertos, infraestrutura computacional moderna e políticas públicas que acelerem a ciência orientada por IA. Não é filantropia: é estratégia. Quem liderar a ciência assistida por IA lidera inovação, competitividade industrial e soberania tecnológica.
Globalmente, estamos vendo a ciência entrar em um ciclo de compressão de tempo. O que antes levava anos pode passar a levar meses. Isso impacta desde novos materiais e medicamentos até energia, clima e manufatura avançada.
No Brasil, o sinal é claro: universidades, centros de pesquisa, empresas industriais e setores intensivos em conhecimento precisam repensar sua relação com IA. Não como ferramenta de produtividade genérica, mas como infraestrutura estratégica de descoberta.
A pergunta já não é se a IA será usada na ciência. É quem aprenderá a usá-la melhor, com governança, método e pensamento crítico.
A aposta da OpenAI deixa claro que a próxima fronteira da IA não está apenas em código, marketing ou atendimento ao cliente. Está em expandir a capacidade humana de entender o mundo.
A ciência não perdeu o humano. Ganhou um acelerador.
E, como toda tecnologia poderosa, o diferencial não estará em quem tem acesso primeiro — mas em quem sabe usar com critério, contexto e responsabilidade.
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Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.
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