Sou Aluno
Formações
Imersões Internacionais
Global MBAs
Eventos
AI Tools
Artigos
Sobre Nós
Para Empresas
Consultoria
Tecnologia

CEOs assumem o volante da IA. E a metade deles já vê o próprio cargo em jogo

Um novo levantamento da BCG mostra que a decisão sobre inteligência artificial deixou de ser delegada a times de tecnologia e virou pauta pessoal na agenda do CEO.

CEOs assumem o volante da IA. E a metade deles já vê o próprio cargo em jogo

Segundo a BCG, 72% dos CEOs já se dizem os principais decisores sobre estratégia de IA em suas empresas — o dobro do percentual registrado um ano antes.

Bruno Lois

, Editor

9 min

16 jul 2026

Atualizado: 16 jul 2026

newsletter

Start Seu dia:
A Newsletter do AGORA!

Por muito tempo, IA foi assunto que subia até o CEO em forma de relatório trimestral, resumido por alguém da área de tecnologia. Essa dinâmica mudou de forma abrupta. Segundo o BCG AI Radar 2026, estudo anual da Boston Consulting Group com 2.360 executivos em 16 mercados — entre eles 640 CEOs —, 72% dos principais executivos já se consideram os principais tomadores de decisão sobre IA dentro da própria empresa, o dobro do percentual registrado no ano anterior.

Esse deslocamento de responsabilidade para o topo da hierarquia não é sintoma de microgestão. É reflexo direto de quanto capital, e quanto risco pessoal, esse tema já representa para quem ocupa a cadeira principal.

Um investimento que vai dobrar, com ou sem retorno garantido

O dado financeiro central do estudo é direto: as empresas planejam dobrar o investimento em IA em 2026, chegando a cerca de 1,7% da receita — mais que o dobro do aumento registrado em 2025. E esse crescimento não vem com cláusula de segurança.94% dos CEOs afirmam que vão continuar investindo em IA nos níveis atuais, ou superiores, mesmo que o retorno não se confirme no próximo ano.

Esse tipo de compromisso — investir independentemente do resultado de curto prazo — normalmente aparece em decisões tratadas como apostas existenciais para o negócio, não como linha orçamentária entre outras. E os próprios CEOs parecem tratar o tema dessa forma: metade deles já acredita que sua permanência no cargo depende diretamente de acertar a estratégia de IA da empresa.

Três perfis de CEO, e só um está realmente na frente

O levantamento da BCG identifica três arquétipos de liderança executiva diante da IA. Os "Followers" — cerca de 15% — reconhecem o potencial da tecnologia, mas fazem apostas cautelosas, sem convicção plena. Os "Pragmatistas" — a maioria, com 70% — estão confiantes e otimistas, mas só investem quando veem valor evidente e risco baixo. Os "Trailblazers" — também 15% — são quem realmente lidera a transformação: investimento decisivo, requalificação acelerada da equipe e convicção real sobre o retorno da tecnologia.

A diferença de comportamento entre esses grupos é o dado mais útil do estudo para qualquer conselho que queira calibrar expectativa. Enquanto os Trailblazers destinam 60% do orçamento de IA para requalificar a força de trabalho atual, Pragmatistas investem 27% nesse item, e Followers, apenas 24%. A diferença não está em quanto dinheiro cada grupo tem disponível — está em onde decide aplicá-lo.

Agentes de IA como aposta prioritária dos que estão na frente

Outro traço que separa os Trailblazers do restante é a antecipação sobre agentes de IA. Esse grupo já direciona mais da metade do investimento corporativo em IA para 2026 especificamente para IA agêntica, e tem quase duas vezes mais chance de implantar agentes de ponta a ponta em um processo inteiro de negócio, em comparação com os Followers. Essa aposta parece estar rendendo confiança: cerca de 90% dos CEOs globalmente acreditam que agentes de IA vão gerar retorno mensurável já em 2026, o que ajuda a explicar por que, no total, os CEOs já comprometeram mais de 30% do investimento corporativo em IA desse ano especificamente em agentes.

A geografia da confiança: por que o Oriente aposta mais forte que o Ocidente

O estudo revela uma assimetria geográfica relevante para qualquer empresa multinacional pensando em benchmark de investimento. A confiança de que a IA vai gerar retorno é sensivelmente mais alta entre CEOs da Índia e da Grande China — cerca de três quartos deles acreditam nisso — do que entre CEOs do Reino Unido (44%), Estados Unidos (52%) ou Europa (61%). Do lado oposto dessa equação, uma parcela maior de CEOs ocidentais afirma que investe em IA por medo de ficar atrás da concorrência, ou por pressão externa — não por convicção própria de retorno.

Essa diferença de motivação importa porque investimento movido por medo tende a ser mais reativo e menos estratégico do que investimento movido por convicção de resultado — um padrão que qualquer conselho deveria monitorar ao avaliar se a estratégia de IA da própria empresa nasce de tese, ou de ansiedade competitiva.

O que isso exige de quem senta na mesa de decisão

O estudo também aponta uma divisão setorial que merece atenção de qualquer comitê de investimento: instituições financeiras já planejam destinar 2,0% da receita para IA em 2026, próximas do setor de tecnologia, que lidera com 2,1%. No outro extremo, empresas industriais e do setor imobiliário ainda investem apenas 0,8% da receita — uma diferença que, mantida, deve ampliar a distância competitiva entre setores digitalmente maduros e setores tradicionais.

Para conselhos de administração, o recado prático do BCG AI Radar não é apenas "investir mais em IA". É reconhecer que a decisão sobre IA migrou de pauta técnica para pauta de governança corporativa — envolvendo risco de carreira do próprio CEO, alocação de capital em escala crescente, e uma diferença de maturidade entre empresas que já é mensurável pelo comportamento de investimento, não apenas pelo discurso institucional.

Esse tipo de leitura crítica sobre governança, risco e maturidade de investimento em IA no nível mais alto da empresa é justamente o que o Board Program da StartSe coloca diante de conselheiros que precisam avaliar se a estratégia de IA da própria empresa reflete convicção ou apenas reação ao movimento do concorrente, como parte relevante do mercado ocidental hoje admite fazer.

Nove em cada dez CEOs já dizem que, até 2028, o critério que vai definir sucesso empresarial vai pesar fortemente sobre quem consegue "acertar a mão" na IA. Para quem senta num conselho, a pergunta que resta não é mais se a empresa vai investir em IA — é se esse investimento nasce de tese estratégica clara, ou apenas do medo de ser a próxima a ficar atrás.

Gostou deste conteúdo? Deixa que a gente te avisa quando surgirem assuntos relacionados!

Imagem de fundo do produto: IA para Negócios - Imersão Executiva Presencial | StartSe

Assuntos relacionados

Imagem de perfil do redator

Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.

Leia o próximo artigo

newsletter

Start Seu dia:
A Newsletter do AGORA!