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CEO criou um "segundo cérebro" com IA após suspeita de tumor — e agora quer que todo líder faça o mesmo

O CEO que treinou uma IA para substituí-lo — e descobriu que o problema das empresas não é tecnologia, é liderança

CEO criou um "segundo cérebro" com IA após suspeita de tumor — e agora quer que todo líder faça o mesmo

Imagem: Internet

Victor Hugo Bin

, redator(a) da StartSe

12 min

13 mai 2026

Atualizado: 13 mai 2026

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Fábio Scabeni, CEO do Grupo Viasoft, não entrou na IA pelo hype. Entrou por desespero. Após perder um familiar por tumor cerebral em 2023, receber um diagnóstico parecido e passar meses em delay cognitivo, ele decidiu criar um backup de si mesmo usando inteligência artificial — um "segundo cérebro" que pudesse responder aos filhos o que ele não teve tempo de dizer. O diagnóstico final foi outro (epilepsia, não tumor), mas o projeto não parou. Virou método, virou produto e, durante oficina no AI Festival 2026, virou provocação direta a CEOs e lideranças: quem realmente está usando IA para pensar melhor — e quem está apenas automatizando a mediocridade?

Por que isso importa

Porque a maioria das empresas brasileiras ainda trata IA como ferramenta de produtividade operacional. Scabeni propõe algo diferente: IA como extensão do raciocínio executivo. Não para pensar no lugar do líder, mas para forçá-lo a pensar melhor. O conceito muda a conversa de "como automatizar tarefas" para "como tomar decisões melhores sob pressão" — um problema que atinge do CEO de multinacional ao dono de empresa de médio porte que não consegue sair do operacional.

Quem é Fábio Scabeni

Scabeni começou como estagiário de suporte na Viasoft. Dezesseis anos depois, em 2022, foi nomeado CEO do grupo — uma empresa paranaense com 36 anos de mercado, mais de 600 colaboradores e milhares de empresas atendidas em soluções de ERP, CRM e BI. Formado em Administração pela UTFPR, com MBA em Estratégias de Negócio, ele é autor do livro Entre a Vida e a Inteligência Artificial e criador do framework COETARTA, metodologia que estrutura o uso de IA para apoiar tomada de decisão executiva. A oficina no AI Festival contou com Flávia Saturnino de Sá, VP de Operações, e Max Ruben de Oliveira Schultz, Diretor de Produtos do Grupo Viasoft.

Para saber mais sobre o Grupo Viasoft: IT Forum | Exame

O que aconteceu

Em 2023, Scabeni perdeu um familiar próximo por tumor cerebral. Meses depois, começou a sentir sintomas parecidos: atrasos cognitivos, fadiga extrema, sinais que os médicos inicialmente atribuíram a burnout. Exames subsequentes levantaram a suspeita de tumor. O diagnóstico final descartou a hipótese — era epilepsia —, mas a experiência mudou a forma como ele enxerga a relação entre liderança, mortalidade e legado.

A reação imediata foi pragmática: treinar uma IA com seus valores, pensamentos, decisões e estilo de raciocínio. Um "backup cognitivo" que os filhos pudessem consultar. Scabeni baixou 7GB de dados da Meta para treinar o modelo, criou versões sucessivas (já na versão 87, segundo relatos) e o que começou como projeto pessoal se transformou em método aplicável a qualquer liderança empresarial.

O método COETARTA: como funciona na prática

O framework COETARTA — criado por Scabeni e já adotado por líderes de alto desempenho no Brasil, segundo o site do projeto Eugenius — estrutura o uso de IA como extensão do raciocínio executivo. A ideia central: não é fazer a IA pensar por você. É criar um "adversário intelectual" que desafie suas premissas e force melhores decisões.

Na oficina, Scabeni demonstrou como o modelo é treinado com valores, cultura organizacional e repertório do líder. A IA é atualizada continuamente e funciona como um "conselheiro adversário" — não um assistente passivo.

Exemplo concreto: a Viasoft criou, em parceria com Eugênio Mussak (referência nacional em desenvolvimento humano), uma IA autoral batizada de Eugenius. Treinada com o repertório de Mussak, ela funciona como copiloto de liderança e inteligência emocional, acessível pelo smartphone das lideranças do grupo. Segundo Scabeni, é um sucesso entre CEOs que buscam apoio em decisões difíceis sem expor vulnerabilidades a pares.

Para saber mais: eugenius.com.br

As provocações que ficaram no ar

A oficina não foi uma aula técnica de ferramentas. Foi uma sessão de provocação direta às lideranças presentes. Alguns dos pontos mais afiados levantados por Scabeni:

Sobre conhecimento que se perde: "Quantos HDs as empresas desligam todos os dias? Quando um funcionário de 20 anos de casa vai embora, o conhecimento vai com ele." A provocação aponta para um problema crônico: empresas investem em tecnologia, mas não capturam o capital intelectual das pessoas. IA pode ser a camada que preserva esse conhecimento.

Sobre atenção na era do ruído: "No meio de tanto grito, como você percebe o sussurro da sua operação?" Scabeni usa um modelo de gamificação que mostra onde investir atenção — e não prestar atenção em quem grita mais alto. Aqueles problemas grandes que começam pequenininho.

Sobre liderança e IA: "Nenhuma empresa avança além do nível de consciência do seu líder. Nenhuma IA vai gerar relevância além da coragem do CEO em assumi-la e tocar riscos."

Sobre o que a IA revela: "O problema não está na IA. Está no que a IA revela." Segundo Scabeni, quando a IA expõe o que as lideranças realmente fazem, ela revela o gestor excepcional — ou os "artificialmente inteligentes".

Sobre analfabetismo analítico: "As pessoas saem de um MBA e não sabem interpretar os dados da própria operação." Uma crítica direta à formação executiva tradicional que prioriza teoria e ignora capacidade analítica prática.

O resultado concreto: VIVI, a IA de vendas

Não ficou só na teoria. A Viasoft desenvolveu a VIVI, uma IA de vendas construída em 13 dias. Resultado: 52% do forecast do ano da empresa já tem interação com a VIVI. É o tipo de dado que transforma discurso em evidência. Não é um piloto, não é um teste — é mais da metade da previsão comercial da empresa passando por uma inteligência artificial.

Para saber mais sobre as soluções de IA da Viasoft: aifestival.viasoft.com.br

As ferramentas que Scabeni usa no dia a dia

A oficina também trouxe o lado tático. Scabeni revelou que utiliza o app SOLTE para capturar insights por áudio. A IA transforma as gravações em um Kanban no Trello e gera demandas automaticamente. É a materialização da ideia de que o cérebro humano não foi feito para memorizar o volume de informação que recebe hoje — mas pode ser treinado para filtrar com ajuda de IA.

"Somos uma geração mimada, do Uber, do iFood. Então preciso criar mecanismos para preservar meu esforço mental." — Fábio Scabeni

O que vem por aí

Scabeni anunciou que a Viasoft vai levar ao mercado uma assessoria estratégica e conselho executivo de IA para CEOs, líderes e empresários, incluindo uma "carteira de investimento de IA" — um modelo que orienta sobre quais investimentos em inteligência artificial fazem sentido para cada empresa, agora.

O posicionamento é claro: num mercado onde, nas palavras do próprio Scabeni, "todo mundo é especialista em IA", a Viasoft quer se diferenciar com método, resultado e prestação de contas.

Sinais e impactos — o que isso significa para você

Se você é CEO ou empresário: A pergunta não é se você deve usar IA. É se você está usando IA para tomar decisões melhores ou apenas para automatizar tarefas. O modelo de Scabeni sugere que o ROI real da IA executiva não está em produtividade, está em qualidade de decisão. E a provocação sobre o conhecimento que se perde toda vez que um funcionário sai é um problema bilionário que quase ninguém está endereçando.

Se você é executivo ou diretor: Existe um conceito que Scabeni chama de "artificialmente inteligentes" — gestores que parecem dominar IA mas não entregam resultado. A IA vai expor quem decide bem e quem apenas processa informação. Isso deve ser levado a sério por qualquer líder que queira se manter relevante.

Se você é empreendedor: A VIVI (IA de vendas) foi construída em 13 dias e já impacta 52% do forecast comercial. Empresas menores têm a vantagem da velocidade. Não é preciso um orçamento milionário — é preciso método e disposição para testar. O framework COETARTA e o conceito de "segundo cérebro" são replicáveis por empresas de qualquer porte.

A frase que resume a oficina: "Se pararmos a IA agora, congelar por 3 anos e voltar depois, ainda teriam empresas que não saberiam usar IA." O gargalo nunca foi a tecnologia. Sempre foi a liderança

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