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Briga de bilionários: Sam Altman afirma que Musk buscava controle da OpenAI antes de sua saída

O julgamento que pode redefinir o futuro da empresa mais influente da corrida por inteligência artificial chegou ao seu momento mais dramático

Briga de bilionários: Sam Altman afirma que Musk buscava controle da OpenAI antes de sua saída

O clima esquentou nos tribunais norte-americanos

Bruno Lois

, Editor

8 min

12 mai 2026

Atualizado: 12 mai 2026

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Elon Musk construiu seu processo contra a OpenAI sobre uma premissa moral: a de que Sam Altman e a empresa traíram uma promessa feita à humanidade ao transformar uma organização sem fins lucrativos numa máquina comercial. É um argumento que ressoa bem em público. O problema é que, segundo o próprio Altman no banco das testemunhas na terça-feira, foi Musk quem chegou primeiro com a proposta de transformar a OpenAI numa empresa comercial — e queria estar no comando quando isso acontecesse.

Nesta terça-feira, Altman subiu ao banco das testemunhas num tribunal federal em Oakland e disse o que a OpenAI vinha sugerindo desde o início do processo: que Musk não saiu da empresa em 2018 por divergências filosóficas sobre a missão da IA, mas porque não conseguiu o controle que queria. Altman foi direto — sua leitura é que Musk buscava domínio de longo prazo sobre a organização e que chegou a propor sua fusão com a Tesla como caminho para isso.

Se verdadeiro, isso inverte completamente a narrativa que Musk construiu publicamente nos últimos anos.

O que está em jogo

O processo é, na superfície, uma disputa sobre quebra de contrato. Musk alega que doou tempo e dinheiro à OpenAI com base numa promessa — a de que ela permaneceria uma organização sem fins lucrativos voltada ao benefício da humanidade — e que essa promessa foi quebrada quando a empresa começou a se reorganizar comercialmente, especialmente após a entrada da Microsoft como grande investidora.

Das 26 acusações originais, apenas duas sobreviveram até o julgamento: enriquecimento ilícito e violação de compromisso filantrópico. O pedido de Musk é ambicioso: mais de US$ 150 bilhões em indenizações, a remoção de Altman do conselho e a reversão da reestruturação para fins lucrativos.

É um número que parece calculado para causar impacto e que, se concedido mesmo que parcialmente, criaria um problema existencial para a OpenAI às vésperas do que se espera ser um IPO ainda em 2026.

Nadella e Taylor: os coadjuvantes que importam

Antes de Altman, dois depoimentos na segunda-feira ajudaram a preparar o terreno.

Satya Nadella, CEO da Microsoft, passou horas no banco de testemunhas afirmando que Musk nunca levou a ele qualquer preocupação sobre os investimentos da Microsoft na OpenAI. Esse detalhe importa porque Musk posiciona a parceria com a Microsoft como evidência da captura comercial da organização — mas se nunca reclamou diretamente do maior investidor enquanto ainda tinha influência, o argumento enfraquece.

Nadella também tratou de defender seu papel no episódio de novembro de 2023, quando Altman foi demitido pelo conselho e recontratado dias depois após uma movimentação interna que expôs as tensões de governança da empresa. Aquele episódio continua sendo um dos capítulos mais opacos da história recente do Vale do Silício.

Bret Taylor, presidente do conselho da OpenAI, também depôs na segunda-feira. Seu papel no processo tem uma dimensão especialmente reveladora: foi ele quem, em fevereiro de 2025, rejeitou a oferta de aquisição de US$ 97,4 bilhões apresentada por Musk e investidores ligados à sua empresa xAI. A caracterização de Taylor para a oferta foi direta — ele a descreveu como uma tentativa de prejudicar a concorrência, não uma proposta genuína de preservar a missão original da OpenAI.

Ou seja: o homem que processa a OpenAI por ter abandonado seus ideais também tentou comprá-la por quase 100 bilhões de dólares. O conselho entendeu que as duas coisas não eram compatíveis.

O problema estrutural do argumento de Musk

Há uma tensão interna no processo que os depoimentos desta semana ajudam a iluminar.

Musk argumenta que nenhum indivíduo deveria dominar o futuro da inteligência artificial. É uma posição filosoficamente coerente — e também é, coincidentemente, a posição de alguém que fundou a xAI, controla o X, e tem interesses diretos na corrida por IA que competem diretamente com a OpenAI.

O argumento de Altman no tribunal foi precisamente esse: o problema de Musk nunca foi com controle concentrado em tese. O problema foi com controle concentrado fora das suas mãos.

Se o júri — cujo veredicto terá caráter consultivo, cabendo à juíza Yvonne Gonzalez Rogers a decisão final — chegar à mesma conclusão, o processo se torna não uma história sobre traição de missão, mas sobre disputa de poder entre dois homens que discordam sobre quem deveria estar no centro da maior transformação tecnológica do século.

O que vem a seguir

Os argumentos finais são esperados ainda esta semana, com deliberações do júri podendo começar logo em seguida. O calendário é apertado, e o resultado importa além das partes envolvidas.

Uma decisão contrária à OpenAI não apenas complicaria o IPO — poderia forçar uma revisão da estrutura híbrida entre fins lucrativos e sem fins lucrativos que a empresa passou anos construindo e que se tornou modelo para outras organizações do setor. 

Uma decisão a favor da OpenAI, por outro lado, consolida o entendimento de que a transição comercial foi legítima e que as alegações de Musk eram, como o conselho sugeriu, mais estratégicas do que principiológicas.

O que o julgamento já provou, independente do veredito, é que a história oficial da fundação da OpenAI — a narrativa de um grupo de idealistas querendo construir IA segura para a humanidade — era mais complicada, mais humana e mais bagunçada do que qualquer um dos lados admitiu publicamente por muito tempo.

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Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.

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