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Brasil pode ser protagonista em IA generativa, mas desafios persistem, diz Google

Brasil pode ser protagonista em IA generativa, mas desafios persistem, diz Google

Brasil pode ser protagonista em IA generativa, mas desafios persistem, diz Google

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4 min

25 jun 2024

Atualizado: 26 jun 2024

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O Brasil tem um contexto favorável para se destacar no uso da inteligência artificial generativa. No entanto, ainda não aproveita todo este potencial e precisa superar desafios-chave para o avanço desta tecnologia no país. 

A maioria (63%) das startups de IA no Brasil ainda não possui uma estratégia de curto e longo prazo para o desenvolvimento e o uso da IA Generativa, e 22% dizem ainda não conseguir quantificar e mensurar os resultados do uso dessa tecnologia.

Os dados são do "Startups & Inteligência Artificial Generativa: Destravando o seu potencial no Brasil", relatório do Google for Startups conduzido pela Box1824. Realizada em março deste ano com empresas de todo o país, a pesquisa baseia-se em entrevistas aprofundadas com fundadores de startups, formadores de opinião sobre GenAI e gestores de capital de risco especializados no desenvolvimento de startups, além de um questionário online com 63 tomadores de decisão de startups focadas em IA a fim de entender as principais dores e oportunidades do mercado.

"O Brasil precisa se fazer presente e protagonista no uso e desenvolvimento da IA generativa", afirma André Barrence, diretor do Google for Startups para a América Latina, em coletiva realizada com jornalistas nesta terça-feira (25). 

O executivo destaca que, apesar do potencial de crescimento do mercado, as startups ainda estão em estágios iniciais dos seus desenvolvimentos, e têm um imenso desafio de ganhar escala. A maioria (55%) das startups 55% têm até 15 funcionários, 38% nunca passaram por uma rodada de investimento e 29% estão na fase pré-seed.

Um dos maiores obstáculos identificados pelas startups é justamente a obtenção de capital para o desenvolvimento e uso dessa tecnologia. Aproximadamente 25% das startups entrevistadas disseram não ter um orçamento específico para essa finalidade.

Para facilitar a adoção da GenAI, muitas delas dependem de investimentos externos, principalmente o investimento público, apontado por 46% dos respondentes, seguido pelos investimentos privados (VCs, aceleradoras e fundos de investimento), com 38%.

"A falta de capital para startups de IA no Brasil não é uma novidade, mas ficou muito mais evidente agora. Existe a necessidade de que haja mais investimentos público e privados, e os empreendedores destacam a importância de mais políticas públicas para o desenvolvimento de IA generativa brasileira", observa André. 

Cerca de 35% das startups espera que haja uma facilitação de acesso ao capital em novas rodadas de investimento, o que poderia gerar mais inovação e tecnologia brasileira sendo construída.

O perfil das startups de IA generativa no Brasil já é bastante conhecido: lideradas por homens cis (81%), brancos (78%), heterossexuais (90%), em sua maioria situados no estado de São Paulo (60%). 

"A diversidade do nosso país ainda não está presente em quem está construindo ou desenvolvendo a IA generativa no Brasil", analisa André. Mais de 70% dos entrevistados estão desenvolvendo soluções B2B.

André Barrence, diretor do Google for Startups para a América LatinaAndré Barrence, diretor do Google for Startups para a América Latina (Foto: Divulgação) 

Principais desafios

A pesquisa identificou quatro frentes prioritárias para o avanço do uso e desenvolvimento da inteligência artificial generativa no Brasil. São eles: letramento, regulamentação, negócio e prontidão da sociedade. "As startups querem conexão. Conexão com recursos financeiros, com intelectuais e entre seus pares para assim promover um ecossistema de IA próspero e robusto", diz André.

O letramento digital inclui conhecimento, compreensão e análise crítica sobre a tecnologia. "As startups consideram que a qualificação e formação de talentos é central para o desenvolvimento da IA generativa, e o sistema de educação brasileiro precisa estar preparado para responder a essas demandas", pontua André. 

Cerca de 59% das startups acreditam que a educação e a conscientização sobre GenAI são essenciais para o desenvolvimento da tecnologia. Além disso, 43% consideram o desenvolvimento de soft skills essencial para desenvolvedores, 37% dizem que a evolução no ensino básico para desenvolver raciocínio lógico é fundamental para o avanço dessa tecnologia e 38% apontam a evolução no ensino superior como crucial para a preparação dos profissionais do setor.

"Com o avanço da digitalizacão, as barreiras para que um talento brasileiro pudesse trabalhar em qualquer lugar do mundo diminuíram", avalia André. Segundo o diretor do Google for Startups Brasil, esse movimento fez com que houvesse uma maior fuga de talentos, com profissionais brasileiros trabalhando em empresas de tecnologia em outros países, contribuindo para o desenvolvimento de mercados que não o Brasil.

“O talento está muito mais disputado do que já foi, com profissionais brasileiros atraídos por oportunidades fora do país por conta de melhores condições trabalhistas e remuneração.”

Um desafio bastante conhecido neste mercado é a frente regulatória para promover o desenvolvimento tecnológico responsável e ético. O estudo revela que 83% das startups acreditam na necessidade de regulamentação específica para a GenAI.

 No entanto, não há um consenso de como fazer isso. 27% dos entrevistados acham que esse papel deveria ser atribuído a uma agência reguladora independente; 24% acham que o tema deveria ser conduzido por um projeto de lei; 16% acreditam que a IA teria de ser regulada por entidade privada ligada às empresas do setor; 11% pensam que a IA deveria ser regulada pelas próprias empresas e 13% acreditam que não deveria haver nenhuma regulação no momento.

"É necessário mais discussões sobre o tema para criar uma regulamentação que não seja um freio brusco para o desenvolvimento das startups e da IA generativa. Além disso, é importante que os empreendedores participem dessas discussões, pois suas necessidades precisam estar representadas na regulação do país", explica André.

O relatório aponta que a falta de clareza e coordenação nas políticas regulatórias é vista pelas empresas como obstáculo para o desenvolvimento e implementação eficaz da tecnologia. 

A prontidão para a sociedade envolve a preparação social para lidar com as implicações sociais, éticas e legais da tecnologia. Isso inclui preocupações com o uso e proteção de dados e também com os efeitos da IA no mercado de trabalho, com receios relacionados à substituição de determinadas funções e tarefas. 

"A confiança da sociedade é diretamente proporcional à transparência da IA generativa", destaca André.

O executivo acrescenta que os brasileiros são mais otimistas com essa tecnologia do que a média global, mas que o  otimismo é proporcional à preocupação com o uso responsável da GenIA. 

O relatório aponta que 66% dos brasileiros se dizem otimistas com a IA, contra 54% no mundo todo. E mais: 56% dos brasileiros confiam que as empresas que usam IA vão proteger seus dados pessoais e 41% acreditam que o uso dessa tecnologia aumentou a produtividade do trabalho.

Em relação ao desafio de negócios, que diz respeito à viabilidade econômica da IA Generativa, o estudo identificou que a maioria das empresas são formadas por pessoas com alta capacidade técnica, mas não possuem a mesma capacidade para transformar seus modelos em produtos comerciais. 

"A IA generativa ainda não encontrou o seu product market fit. Ela está em fase de experimentação para boa parte das startups e ainda não existe um plano consolidado de como essa tecnologia será incorporada no curto ou medio prazo. Os casos de uso ainda são bastante dispersos, e as lideranças têm dificuldades para encontrar novos casos de uso", explica André.

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