Enquanto a corrida por dispositivos de inteligência artificial esquenta, a Apple intensifica o desenvolvimento de wearables que podem transformar a experiência humana com tecnologia
Apple reposiciona sua estratégia para definir um novo padrão no mercado de IA vestível
, redator(a) da StartSe
7 min
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18 fev 2026
•
Atualizado: 18 fev 2026
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A Apple está intensificando o desenvolvimento de dispositivos vestíveis com inteligência artificial, acelerando projetos que vão desde óculos inteligentes com IA até um pingente wearable e AirPods com câmeras integradas. Segundo relatório de fontes familiarizadas com os planos da empresa, essa estratégia faz parte de um movimento mais amplo da companhia para aprofundar sua integração de IA em hardwares do dia a dia e competir diretamente com rivais no emergente segmento de wearables inteligentes.
A Apple já vinha explorando a inteligência artificial em seus produtos por meio da plataforma Apple Intelligence, integrada ao iPhone, iPad e Macs, e aprimorada com parcerias como a recente com o Google para fortalecer a Siri com tecnologia de IA. O que mudou é que a empresa está levando a IA além do software: ela quer que o hardware “veja”, “ouça” e entenda” o contexto ao redor do usuário em tempo real — algo que exige sensores, câmeras e algoritmos sofisticados instalados diretamente nos dispositivos.
O ponto de partida desse novo capítulo é o desenvolvimento de três categorias de wearables:
Estes dispositivos em desenvolvimento — possivelmente com codinome como “N50” — devem entrar em produção já no fim de 2026 para lançamento em 2027. Embora não tenham um display tradicional integrado, os óculos devem incluir microfones, alto-falantes e câmeras de alta resolução capazes de permitir interações impulsionadas por IA, como identificação de objetos, interpretação visual do ambiente e assistência contextual para o usuário.
Ao contrário de outras abordagens, a Apple foca em construir internamente muitas partes desses óculos, incluindo o design da armação e a integração de sensores, em vez de depender de parcerias externas — uma mudança que reflete um controle maior sobre experiência e integração com o ecossistema iPhone.
Além dos óculos, a Apple planeja lançar um pingente inteligente do tamanho de uma AirTag, equipado com câmera e microfone. Esse dispositivo funcionaria como um “olho e ouvido” sempre ativos para o iPhone — oferecendo entrada visual e de áudio para a assistente Siri baseada em IA — e poderia ser usado como acessório portátil ou broche, estendendo as capacidades de captura de contexto do smartphone para fora do bolso.
O terceiro pilar desse trio tecnológico são novos AirPods com câmeras integradas, que podem permitir que a IA interprete o ambiente ao redor do usuário — não simplesmente para gravar vídeo, mas para análise contextual contínua, tradução em tempo real, respostas de voz mais inteligentes e interações baseadas em visão computacional.
Esse movimento intensificado da Apple acontece em um momento em que a competição por dispositivos inteligentes com IA está se tornando cada vez mais acirrada. Empresas como Meta (com os óculos Ray-Ban Meta), Google (com parcerias em óculos inteligentes) e até startups de IA-vestível já estão explorando como integrar percepção visual e machine learning no cotidiano.
Ao acelerar o desenvolvimento desses produtos, a Apple está reposicionando sua estratégia de hardware para enfrentar não apenas concorrentes diretos, mas também para definir um novo padrão no mercado de IA vestível — aquele em que os dispositivos não apenas executam comandos, mas interpretam o contexto e acompanham o usuário de forma contínua.
Se concretizados, esses dispositivos não serão meramente acessórios: eles representarão uma mudança no paradigma de interação humano-computador. A integração da Siri com percepção visual e áudio contextualizada pode transformar a maneira como:
Recebemos informações no momento certo
Navegamos e interagimos com o mundo físico
Automatizamos tarefas com base no ambiente real
Personalizamos rotinas e assistências em tempo real
Esse tipo de ambient intelligence — em que a tecnologia antecipa necessidades sem intervenção explícita — está entre as tendências mais disruptivas da tecnologia contemporânea.
A movimentação da Apple em direção a wearables com inteligência artificial não é apenas um passo de produto — é um reconfigurador estratégico da experiência digital humana. Ela realinha o centro de gravidade da empresa de um modelo baseado em telas para um modelo baseado em percepção contextual integrada ao corpo e ao ambiente do usuário.
Por trás de dispositivos como óculos IA, pingentes inteligentes e AirPods com câmera há uma visão maior: transformar a tecnologia em um companheiro intuitivo, perceptivo e sempre presente.
E, num mercado no qual integrar hardware, software e IA de maneira profunda é tão desafiador quanto valioso, as próximas decisões da Apple nos próximos dois anos serão decisivas para saber se essa estratégia não só acompanhará a evolução do mercado — mas a ditará.
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Bruno Lois
redator(a) da Startse
Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.
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