André Petenussi, CTO, mostrou no AI Festival como a maior locadora da América Latina está reinventando a relação com o cliente a partir de dentro
André Petenussi, CTO da Localiza
, Editor
7 min
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14 mai 2026
•
Atualizado: 14 mai 2026
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André Petenussi tem mais de 25 anos de experiência em tecnologia e lidera o Localiza Labs — o braço de inovação da L&CO com mais de 1.500 colaboradores distribuídos em 18 estados do Brasil.
No palco do AI Festival 2026, ele não veio falar de intenção. Veio com números, produto e uma tese clara: a IA está mudando a empresa em duas frentes ao mesmo tempo, e quem não tratar isso como prioridade estrutural vai ficar para trás.
Os números da L&CO ajudam a entender a escala do que está em jogo. No primeiro trimestre de 2026, a empresa registrou receita líquida de R$ 12,3 bilhões — crescimento de 21,2% ao ano — e lucro líquido de R$ 1,2 bilhão, com alta de 45% no mesmo período. São 855 pontos de experiência, mais de 22 mil colaboradores e uma frota de 642.111 veículos operando em oito países da América Latina. É sobre essa base que a transformação com IA está sendo construída.
Por que o ChatGPT virou estratégia, não experimento
Petenussi abriu a palestra com uma pergunta direta: por que o ChatGPT? A resposta veio em dados. O ChatGPT já opera com aproximadamente 900 milhões de usuários ativos semanais, segundo dados da OpenAI e TechCrunch de fevereiro de 2026. No Brasil, o cenário é ainda mais expressivo: 77% dos brasileiros já usam IA — o que fez o país ultrapassar os Estados Unidos em taxa de adoção, de acordo com o Bain Consumer Pulse 2026. Metade dos consumidores americanos já usa IA-search ativamente para decidir compras. E a McKinsey projeta US$ 750 bilhões em receita fluindo por buscas via IA até 2028.
Diante desses números, tratar o ChatGPT como uma ferramenta periférica deixou de fazer sentido. A L&CO decidiu colocá-lo no centro — literalmente dentro da interação com o cliente.
Duas vertentes, uma transformação
A IA está mudando a L&CO em dois eixos simultâneos, como Petenussi apresentou no slide que talvez tenha sido o mais importante da palestra.
O primeiro é interno: como a empresa trabalha. O "Movimento IA" já capacitou 12 mil pessoas e criou 4 mil agentes internos operando dentro da organização. A "Revolução Coding" produziu resultados concretos: 200% de aumento de produtividade no desenvolvimento e 84% do código já sendo gerado por IA. Não como piloto. Como operação.
O segundo eixo é externo: como o cliente experimenta a empresa. Aqui entram dois produtos centrais. A Liza — assistente conversacional e de voz da L&CO — que já cuida de locação, gestão de reserva e está se expandindo para outros segmentos como Zarp e Seminovos. E o GPT in App, que integra IA generativa diretamente ao aplicativo para cobrir aluguel, compra e assinatura. A lógica é criar um novo canal de distribuição por intenção: o cliente não navega mais por menus. Ele fala o que quer — e a IA resolve.
O que a jornada ensinou
Petenussi fechou a apresentação com os aprendizados que mudaram a forma de construir da empresa — e que qualquer organização que está começando essa jornada deveria anotar.
O primeiro é sobre o momento de entrar. Ser early adopter tem benefícios reais e mensuráveis: aprender antes dos concorrentes, engajar times, tornar inovação parte da cultura e atrair os melhores talentos do mercado. Quem esperou para "ver como ia ficar" já está pagando o preço do atraso.
O segundo é sobre estrutura. A IA exige times menores e mais rápidos — não porque reduz headcount, mas porque o código é desenvolvido em velocidade muito maior e os papéis dentro dos times se misturam. O modelo de coordenação tradicional não funciona no mesmo ritmo.
O terceiro aprendizado é o mais estratégico: a IA exige a reconstrução dos canais existentes. A navegação agêntica — onde agentes tomam decisões e executam tarefas de forma autônoma — muda o comportamento esperado de cada ponto de contato com o cliente. App, site, atendimento, busca: tudo precisa ser repensado para funcionar num mundo onde quem navega pode ser um agente, não um humano.
A L&CO não está falando sobre o futuro. Está mostrando o que já construiu — e deixando claro que a distância entre quem começou e quem ainda está esperando é maior do que parece nos slides de estratégia.
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Bruno Lois
, Editor
Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.
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