A OpenAI considera cortar drasticamente o preço dos tokens para enfrentar a Anthropic. Por trás da disputa comercial entre as duas maiores empresas de IA do mundo, há uma crise real de custos que já está mudando como as empresas usam.
Sam Altman quer baratear tokens: a concorrência por quem domina IA nos negócios vai ficar acirrada.
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8 min
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11 jun 2026
•
Atualizado: 11 jun 2026
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Durante anos, a conversa sobre inteligência artificial nas empresas girou em torno de adoção. Como implementar, onde testar, qual caso de uso justifica o investimento. Era a fase da curiosidade organizada. Essa fase acabou — e o problema que veio depois é mais prosaico, mais urgente e, de certa forma, mais revelador sobre onde o setor realmente está.
O problema é o custo.
Em um evento empresarial no início de junho, o CEO da OpenAI, Sam Altman, descreveu uma mudança que ele mesmo disse ter sido surpreendentemente rápida: "Isso passou de, no início deste ano, um assunto que nunca aparecia — as pessoas estavam totalmente satisfeitas com o quanto estavam gastando — para, de repente, um problema enorme." A queixa que ele ouviu repetida pelos clientes corporativos tem variações, mas o mesmo núcleo: "Minha empresa gastou todo o meu orçamento de 2026 no primeiro trimestre, você pode tornar isso mais eficiente?"
O que está acontecendo nas empresas
Os números que começam a vazar são difíceis de ignorar. Uma empresa teria gasto cerca de US$ 500 milhões com o uso do Claude AI em um único mês — o tipo de número que transforma qualquer projeto de inovação em crise de governança financeira. Uber e Walmart começaram a limitar o uso de IA por parte dos funcionários. A Amazon teria encerrado um ranking interno de tokens depois que os custos saíram do controle.
O que esses casos têm em comum não é negligência. É escala. Quando a IA funcionava em projetos isolados e controlados, o custo era gerenciável. Quando ela passou a estar integrada em fluxos de trabalho cotidianos, com múltiplos usuários, múltiplas consultas e contextos longos, os tokens se acumularam numa velocidade que os orçamentos de TI não estavam calibrados para absorver.
É exatamente aqui que o debate sobre o preço dos modelos deixa de ser assunto de desenvolvedores e vira pauta de CFO.
A OpenAI considerando cortar preços — e o que isso diz
O Wall Street Journal reportou que a OpenAI está discutindo internamente reduções expressivas nos preços cobrados por tokens, na tentativa de reconquistar clientes corporativos que migraram ou estão migrando para a Anthropic. As discussões ainda estão em andamento.
O movimento tem uma lógica competitiva direta. A Anthropic ultrapassou a OpenAI em valuation — encerrando sua última rodada de captação a US$ 965 bilhões, contra uma avaliação-alvo de US$ 1 trilhão da OpenAI no IPO que protocolou na SEC em 8 de junho. Segundo alguns relatos, a Anthropic também registrou brevemente crescimento de receita corporativa superior ao do rival histórico.
Mas a pressão de preço não vem só da Anthropic. O laboratório chinês DeepSeek reduziu permanentemente os preços do seu modelo principal em 75% em maio, oferecendo tarifas até nove vezes mais baratas do que as concorrentes americanas. Quando um player com esse nível de eficiência de custo entra no mercado, a pressão sobre as margens de quem cobra mais se torna estrutural — não conjuntural.
A tensão que os investidores vão examinar
O timing dessa guerra de preços é particularmente delicado. Tanto OpenAI quanto Anthropic estão se preparando para aberturas de capital com valuations que somam quase US$ 2 trilhões. E ambas queimam caixa em ritmo significativo para financiar a infraestrutura que sustenta os modelos — data centers, chips, energia, pesquisa.
A OpenAI sinalizou durante sua última rodada de captação que não espera atingir lucratividade antes de 2030. A CFO da empresa, Sarah Friar, teria manifestado preocupações internas sobre se o crescimento da receita conseguiria acompanhar os compromissos com computação. Cortar o preço dos tokens em resposta à concorrência resolve o problema de retenção de clientes no curto prazo — e agrava o problema de margem no médio.
É a contradição central do setor de IA em 2026: os modelos ficaram bons o suficiente para gerar adoção em escala, a adoção em escala gerou custo em escala, o custo em escala está pressionando tanto quem paga quanto quem cobra, e a corrida para o IPO está acontecendo exatamente no meio dessa tensão não resolvida.
O que isso significa para quem decide dentro das empresas
Para líderes e gestores que usam ou planejam usar IA de forma intensiva, há implicações práticas diretas nesse movimento.
A primeira é que o preço vai cair — a questão é quando e quanto. Uma guerra de preços entre OpenAI e Anthropic, acelerada pela pressão do DeepSeek, cria um ambiente de commoditização dos modelos base que beneficia o comprador. Quem está travado em contratos longos com preços altos ou construindo arquiteturas que dependem de um único fornecedor vai sentir a diferença.
A segunda é que custo de IA precisa entrar na governança financeira das empresas com a mesma seriedade que qualquer outro item de infraestrutura. O modelo de "testar e ver o que acontece com o orçamento" chegou ao limite. Empresas que não têm visibilidade sobre consumo de tokens por equipe, por projeto e por caso de uso estão operando às cegas — e vão descobrir o tamanho do problema da pior forma.
A terceira, e talvez a mais estratégica, é que o diferencial competitivo vai migrar rapidamente da tecnologia para o uso. Quando os modelos ficam mais baratos e mais acessíveis, o que diferencia uma empresa que usa IA bem de uma que usa IA mal não é o acesso ao modelo — é a qualidade da integração, a clareza dos casos de uso e a capacidade humana de extrair valor real do que a ferramenta entrega.
A guerra de preços que está começando vai tornar a IA mais barata. Não vai tornar mais fácil usá-la bem.
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Bruno Lois
, Editor
Jornalista e Copywriter. Escreve sobre negócios, tendências de mercado e tecnologia na StartSe.
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