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A competência mais difícil de contratar em 2026 não está à venda

As habilidades de IA agora lideram a escassez de talentos, segundo a ManpowerGroup, que ouviu 39 mil empregadores. A saída mais citada é formar quem já está dentro.

A competência mais difícil de contratar em 2026 não está à venda

Inteligência Artificial (Foto: via Canva)

Redação StartSe

, Redator

8 min

•

6 out 2026

•

Atualizado: 6 out 2026

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Toda empresa já viveu esta cena: a vaga é aberta, o perfil é desenhado com cuidado, o salário é competitivo e, três meses depois, a posição continua vazia. Em 2026, essa cena tem um protagonista novo, e ele não é o engenheiro de software nem o especialista em dados.

É a inteligência artificial.

O 2026 Talent Shortage Survey da ManpowerGroup, feito com 39.063 empregadores em 41 países, Brasil incluído, mostra que 72% das empresas têm dificuldade para preencher vagas. E, no topo da lista de competências em falta, estão hoje duas habilidades de IA: desenvolvimento de modelos e aplicações de IA, citado por 20% dos empregadores, e letramento em IA, citado por 19%. Elas passaram à frente das funções tradicionais de engenharia e TI.

Quais habilidades estão mais em falta em 2026?

As de IA, e não só as técnicas. O dado mais revelador da ManpowerGroup não é o primeiro da lista, é o segundo. Letramento em IA não é saber construir modelos. É saber usar bem, avaliar o que a ferramenta entrega, entender limites e riscos, reconhecer quando a resposta está errada.

Em outras palavras: a empresa não está sem cientistas de dados. Está sem gente que saiba trabalhar com IA no dia a dia de marketing, finanças, jurídico, operação e vendas.

Por que letramento em IA virou escassez?

Porque a tecnologia chegou ao trabalho de todo mundo mais rápido do que qualquer currículo, faculdade ou programa de treinamento conseguiu acompanhar.

Há três anos, saber usar IA generativa era curiosidade. Hoje é requisito implícito em boa parte das vagas, mesmo quando não aparece na descrição. O resultado é um descompasso: as empresas querem profissionais fluentes numa tecnologia que, para a maioria das pessoas, tem pouco tempo de uso real. Não existe um estoque de gente pronta no mercado esperando ser contratada.

Falta de gente vai frear mais do que falta de capital?

Para a maioria dos CEOs, sim. O CEO Outlook da EY, publicado em outubro com 1.200 CEOs de 21 países, mostra que 72% acreditam que, dentro de três anos, a falta de competências vai ser uma barreira maior ao crescimento do que o acesso a capital.

É uma inversão importante. Durante décadas, a pergunta estratégica era "temos dinheiro para isso?". Agora, para boa parte das lideranças, a pergunta passou a ser "temos gente capaz de fazer isso?". Dinheiro se capta. Competência em escala leva tempo para formar.

Comprar talento pronto ainda funciona?

Funciona cada vez menos, e os próprios empregadores já perceberam. Na pesquisa da ManpowerGroup, a estratégia mais citada para enfrentar a escassez é requalificar e capacitar a equipe atual (27%), à frente de oferecer mais flexibilidade de horário (20%).

Faz sentido por uma conta simples. Se todas as empresas disputam o mesmo profissional fluente em IA, o preço dele sobe e a permanência cai. Já o funcionário que conhece o negócio, os clientes e os processos, e aprende a usar IA dentro desse contexto, gera valor mais rápido do que qualquer contratação externa.

Contratar continua necessário para posições muito específicas. Mas apostar só em contratação para resolver letramento em IA é tentar comprar algo que o mercado não tem para vender.

O que separa o superusuário do resto da equipe?

A diferença de desempenho é grande o bastante para mudar a conta de qualquer área. A pesquisa da WRITER com a Workplace Intelligence, com 1.200 executivos C-level e 1.200 funcionários, aponta que os superusuários de IA são cinco vezes mais produtivos e têm três vezes mais chance de ser promovidos. A mesma pesquisa mostra que 92% dos executivos estão formando uma espécie de "elite de IA" dentro das empresas, e que 60% planejam eliminar funções de quem resistir à adoção.

Esse último dado merece atenção. Se a resposta da empresa à escassez for separar quem já sabe de quem ainda não sabe, e cortar o segundo grupo, ela vai trocar um problema de competência por um problema de cultura. E vai perder gente que conhece o negócio justamente quando mais precisa dela.

Treinar não é dar curso: é mudar o trabalho

A maior parte dos programas de capacitação em IA ainda segue o modelo antigo: uma trilha de vídeos, um certificado, uma meta de horas concluídas. A ferramenta é apresentada, o curso termina e o trabalho continua igual.

Não é assim que o superusuário aprende. Ele aprende resolvendo problemas reais do próprio trabalho, testando, errando e ajustando, com tempo e espaço para isso. Capacitar em IA, portanto, é menos sobre conteúdo e mais sobre redesenhar a rotina para que o aprendizado aconteça dentro dela.

E há um detalhe que a ManpowerGroup deixa claro: as competências humanas continuam no topo. Comunicação, colaboração e trabalho em equipe aparecem como os atributos mais procurados, citados por 39% dos empregadores. A IA não substitui essas habilidades. Torna mais valioso quem consegue combiná-las com fluência tecnológica.

Quem na sua empresa está aprendendo mais rápido do que a IA muda?

Essa é a pergunta que define a vantagem competitiva dos próximos anos. A tecnologia vai continuar mudando a cada trimestre. A empresa que depender de contratar profissionais prontos vai estar sempre um passo atrás. A que construir uma cultura de aprendizado contínuo, começando pela liderança, vai transformar a escassez do mercado em diferencial próprio.

A sua estratégia de talentos ainda está tentando comprar o que precisa construir? É para ajudar empresas a montar essa capacidade de aprender em escala, e a repensar a educação corporativa para um trabalho que muda o tempo todo, que existe a StartSe Corporate, com soluções altamente personalizadas para o desafio do seu negócio e da sua liderança.

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