Relatório "State of Commerce", da Salesforce, mostra o tráfego vindo de conversas com IA crescendo até 428% ao ano — e revela um problema maior de estratégia dentro das empresas.
Avanço da IA pode revolucionar vendas no e-commerce
, Redator
8 min
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22 set 2026
•
Atualizado: 22 set 2026
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Durante duas décadas, a régua de qualquer estratégia digital foi a mesma: aparecer bem no Google. Agora, uma fatia crescente e cada vez mais relevante de consumidores não está mais digitando uma busca — está conversando com um agente de IA e perguntando, diretamente, o que comprar. E essa mudança de comportamento está acontecendo mais rápido do que a maioria das empresas conseguiu perceber, quanto mais reagir.
Segundo o relatório "State of Commerce", da Salesforce, publicado em setembro de 2026, o uso de agentes de IA como ponto de partida da jornada de compra cresceu 200% na comparação anual. Mais revelador ainda: o tráfego proveniente de conversas com IA — não de busca tradicional, não de redes sociais — cresceu entre 150% e 428% ano a ano, dependendo do trimestre analisado, num período que vai de agosto de 2025 a maio de 2026. O estudo ouviu mais de 3.000 profissionais de comércio e 4.500 consumidores, além de analisar dados comportamentais de 1,5 bilhão de consumidores globais.
Muda o próprio critério de decisão. Numa busca tradicional, o consumidor vê uma lista de opções e compara sozinho, com base em preço, avaliação e posição no ranking. Numa conversa com um agente de IA, é o agente quem já filtra, compara e frequentemente recomenda diretamente — o que significa que a empresa deixa de competir apenas por visibilidade e passa a competir por ser a resposta escolhida por um sistema que decide em nome do consumidor.
Isso derruba décadas de investimento em SEO tradicional como a única alavanca de aquisição digital relevante e cria uma nova disciplina, ainda em formação, sobre como ser "legível" e recomendável para sistemas de IA — não apenas para pessoas.
Os dados agregados do relatório não isolam categoria por categoria, mas o padrão de adoção sugere que compras de maior complexidade de decisão — onde comparar múltiplas opções manualmente é cansativo — são as que mais se beneficiam de um agente que já faz esse trabalho. Eletrônicos, viagens, produtos financeiros e itens de ticket médio a alto são os candidatos naturais a essa migração de comportamento, exatamente os segmentos em que o consumidor historicamente mais pesquisava antes de decidir.
Porque, para a maior parte das lideranças, isso ainda parece um problema de marketing digital — algo que o time de performance vai "se adaptar" com o tempo, ajustando palavras-chave e formato de conteúdo. Esse diagnóstico está errado, e caro. Ser recomendado por um agente de IA depende de como a empresa estrutura seus dados de produto, sua presença institucional, sua reputação em fontes verificáveis — decisões que atravessam tecnologia, dados, marketing e operação ao mesmo tempo, não um ajuste isolado de campanha.
Tratar isso como tática de marketing é o mesmo erro de quem, há vinte anos, tratou a internet como "só mais um canal de vendas" em vez de uma mudança estrutural na forma como o negócio inteiro precisava operar.
É sintoma de algo maior — e esse é o ponto central. O comportamento do consumidor mudando na ponta é sempre o primeiro sinal visível de uma transformação que já está acontecendo, de forma mais silenciosa, em toda a cadeia da empresa: como ela atende, como decide crédito, como organiza estoque, como treina gente nova. O agente de IA que hoje recomenda produto para o consumidor final é a mesma classe de tecnologia que amanhã vai recomendar decisão para o time interno, se a empresa não tiver estrutura, dados e cultura prontos para lidar com isso de forma deliberada.
Não. E é exatamente aqui que a maioria das lideranças comete o erro de escopo: tratar essa mudança como um projeto pontual de e-commerce, quando na verdade ela exige uma estratégia corporativa de IA que atravesse toda a empresa — dados organizados, cultura preparada, capacitação de liderança e um plano que não termine no time de marketing. Resolver o sintoma no canal de vendas sem resolver a causa na estrutura da empresa só adia o mesmo problema aparecer, com mais força, em outra área do negócio.
É a pergunta que separa quem vai atravessar essa transição de forma competitiva de quem vai descobrir tarde demais que o jogo mudou de regra. Construir essa prontidão não é um ajuste de campanha — é um processo de maturidade digital que envolve estratégia, dados, cultura e capacitação de liderança, coordenados de ponta a ponta. É exatamente esse processo estruturado que o AI Journey ajuda lideranças brasileiras a percorrer — antes que o consumidor pergunte para a IA, e a resposta simplesmente não inclua a marca deles.
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