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64% dos profissionais não vão sair do emprego em 2026, mesmo exaustos e desconfiando da IA

O Global Talent Barometer 2026, da ManpowerGroup, mostra confiança em tecnologia em queda, burnout recorde e um mercado de trabalho travado — mas não por falta de vontade de sair.

64% dos profissionais não vão sair do emprego em 2026, mesmo exaustos e desconfiando da IA

Não é lealdade. É insegurança.

Redação StartSe

, Redator

9 min

10 set 2026

Atualizado: 10 set 2026

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Seu time não está feliz. Mas também não está saindo. Essa combinação tem nome agora: "job hugging" — o movimento de profissionais que se agarram ao emprego atual mesmo insatisfeitos, porque trocar de trabalho virou um risco maior do que ficar. O Global Talent Barometer 2026, da ManpowerGroup, oficializa o fenômeno com números: 64% dos profissionais pesquisados globalmente planejam permanecer no emprego atual neste ano.

Para quem lidera, isso parece boa notícia à primeira vista. Menos rotatividade, menos custo de recontratação, menos vaga aberta. O problema é o motivo por trás do número. Não é lealdade. É insegurança.

"Job hugging": por que seus melhores talentos não vão pedir demissão em 2026

Ficar parado no emprego atual, numa economia incerta e com IA redesenhando funções inteiras, é a decisão racional de quem não quer ser o último a entrar e o primeiro a sair de uma empresa em ajuste. O Barometer capta esse comportamento defensivo em outro dado que reforça a tese: 50% dos profissionais já complementam a renda principal com alguma fonte extra, e entre a Geração Z esse número sobe para 68%.

Ou seja: seu funcionário pode estar sentado na cadeira, entregando o que se espera dele, e simultaneamente construindo uma rede de segurança para o dia em que a cadeira sumir. Isso muda completamente o que engajamento significa em 2026.

A confiança na tecnologia caiu 18% — e não foi por falta de acesso a ela

O uso de IA no trabalho subiu 13 pontos percentuais, chegando a 45% dos trabalhadores no levantamento. Ao mesmo tempo, a confiança geral em tecnologia caiu 18%. As duas curvas andando em direções opostas são o retrato mais preciso do momento: mais gente usando IA no dia a dia, e menos gente confiando nela para decidir o próprio futuro profissional.

A queda não é uniforme. Baby Boomers registraram recuo de 35% na confiança tecnológica, e a Geração X, de 25%. São justamente as gerações que hoje ocupam boa parte das cadeiras de gestão média e liderança sênior — o que significa que parte considerável de quem precisa decidir sobre adoção de IA na empresa está, ela mesma, desconfiando da ferramenta.

89% confiam nas próprias habilidades. Só que 43% temem ser substituídos mesmo assim

Aqui está a contradição que toda liderança de RH deveria estar discutindo agora: 89% dos profissionais dizem confiar nas habilidades que têm hoje. Ao mesmo tempo, 43% temem ser substituídos pela automação nos próximos dois anos — um salto de 5 pontos percentuais em relação a 2025.

Não é uma crise de autoestima profissional. É uma crise de expectativa sobre o que a empresa vai fazer com a mudança. Gente que confia na própria competência e, ainda assim, não confia que a organização vai protegê-la durante a transição — isso não se resolve com treinamento genérico de IA em plataforma de e-learning. Se resolve com liderança explicando, com transparência, qual é o plano.

Burnout recorde, treinamento em queda: a conta que ninguém está pagando

Enquanto a ansiedade sobe, o suporte cai. 63% dos profissionais relatam burnout no levantamento. 56% dizem não ter recebido treinamento recente. 57% não têm acesso a mentoria. Sobrecarga de trabalho afeta 24% dos respondentes, e estresse geral atinge 28%.

Empilhe os números: mais gente usando IA, menos gente confiando nela, mais gente exausta, menos gente sendo desenvolvida. Isso não é uma força de trabalho se adaptando à mudança — é uma força de trabalho segurando a barra sozinha, na expectativa de que a liderança apareça com um plano antes que o cansaço vire desligamento (o silencioso e o formal).

Índia acredita na IA. Japão, não. Onde sua liderança está nesse mapa?

A variação geográfica no Barometer é didática para quem opera fora do eixo Brasil-EUA-Europa. Índia lidera tanto em sentimento geral quanto em adoção de IA, com 77% em ambos os indicadores. Japão fecha a lista com a pontuação mais baixa, 48%. O índice global do Barometer fica em 67%, o mesmo patamar do índice de bem-estar, enquanto a satisfação laboral aparece em 62%.

A leitura óbvia — "países emergentes adotam mais rápido" — não segura sozinha. O que os dois extremos têm em comum é a clareza (ou a falta dela) sobre o que a mudança tecnológica significa para a carreira de cada profissional. Onde essa clareza existe, a confiança acompanha a adoção. Onde não existe, adoção e confiança se descolam — exatamente o padrão que aparece na média global.

Liderança "centrada em pessoas" virou requisito, não discurso

Becky Frankiewicz, presidente e Chief Strategy Officer da ManpowerGroup, resume o desafio em artigo publicado pelo Fórum Econômico Mundial: em períodos de mudança acelerada, confiança e clareza dependem de como a liderança se posiciona, não de quanto a empresa investe em ferramenta nova. Ela defende três princípios como bússola para 2026: liderança centrada em pessoas, curiosidade genuína diante do que ainda não tem resposta pronta, e adaptabilidade sem prometer estabilidade que ninguém pode garantir.

Isso não é discurso motivacional de fim de ano. É a tradução direta dos números do Barometer: gente seguindo confiante nas próprias habilidades, mas sem confiar que vai ser acompanhada na travessia. A liderança que só comunica a estratégia de IA em termos de eficiência e corte perde exatamente o público que mais precisa convencer — o profissional que decidiu ficar, mas ainda não decidiu se acredita.

Sua empresa está retendo talento por engajamento genuíno ou por medo de sair? E, mais importante: sua liderança sabe diferenciar as duas coisas antes que o "job hugging" vire desligamento silencioso em massa? É essa pergunta que o Executive Program ajuda lideranças a responder — com o repertório para transformar retenção defensiva em confiança de verdade.

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