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227 startups compradas por empresas em 2021 – entenda

As fusões e aquisições de startups mais que triplicaram de 2019 para 2021. O que motiva esse crescimento? Quais as perspectivas para 2022? Entenda.

227 startups compradas por empresas em 2021 – entenda

227-startups-compradas-por-empresas-em-2021. (Foto: GettyImages).

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Por Victor Marques, da CapTable Brasil.

Além do volume de investimento recorde em startups, 2021 também foi marcado pelas aquisições e fusões. Também recorde, foram 227 aquisições de startups no ano. Para entender a dimensão do número, em 2018, apenas 4 anos atrás, foram 43 negócios do tipo, em 2019, 63 startups foram adquiridas. O salto ocorreu em 2020, quando foram adquiridas 165 startups.

Os M&As – fusões e aquisições – não são novidade no mundo empresarial. A prática começou há mais de um século. No caso da fusão, duas empresas se unem para formar uma terceira e na aquisição uma empresa absorve a outra. Um exemplo de fusão tradicional foi a união das companhias aéreas LAN e TAM, que originaram a LATAM. Já um caso conhecido de aquisição foi a compra da Beats – de fones de ouvido e produtos de áudio – pela Apple.

Os M&As com startups começaram um pouco mais tarde, por volta de 2011, mas começaram a crescer de forma relevante somente após 2018. Com a popularização da internet, adoção de tecnologia e o nascimento das startups – empresas com core tecnológico e escalável – as aquisições se tornaram tendência. Mas o que motiva o crescimento?

MOTIVAÇÕES

Com a tecnologia tendo papel cada vez mais central na vida das pessoas, o valor de implementar soluções tecnológicas e aumentar a facilidade de consumo digital dos seus produtos/serviços tornou-se uma prioridade nas empresas. As fusões e aquisições se tornaram um caminho mais fácil – e também mais curto e barato – para injetar tecnologia e expandir o mercado das empresas tradicionais.

Com a taxa básica de juros em patamares de baixa histórica, como ocorreu entre 2019 e 2021, houve um estímulo aos investimentos em renda variável – como ações e até mesmo startups – gerando caixa para que empresas passassem a comprar ainda mais startups. 

Os fundos de Venture Capital, investimentos de private equity e outras formas de investimento em startups também cresceram o ritmo e o volume investido nas startups brasileiras, gerando negócios mais maduros, que passaram a atrair compradores e geraram aumento no número de transações do tipo nos últimos anos.

Outro fenômeno da injeção de capital nas startups passou a ser a aquisição de startups em estágios mais iniciais por outras startups – mais maduras e com dinheiro em caixa para crescer o seu negócio. Assim como as empresas tradicionais, as startups identificaram soluções que poderiam encurtar seu caminho de crescimento em outros negócios e adquiri-los passou a fazer sentido – e até mesmo ser bem-visto por seus investidores.

AS LÍDERES EM M&A

A líder histórica em aquisições não poderia ser outra: a Magalu encabeça a lista com 23 aquisições desde o primeiro M&A em 1996. Em seguida, Linx, com 17 aquisições, Locaweb, também com 17, iFood, com 13 M&As e B2W, com 11, completam o top 5 das empresas compradoras.

A Magalu conta uma história parecida com a do mercado em geral em seu histórico de M&As: em 1996 fez sua primeira aquisição, de uma rede varejista paranaense, depois começou a ficar de olho nos e-commerces de nicho (Época Cosméticos, Netshoes e KaBuM!) e, recentemente, passou a buscar startups que pudessem complementar suas soluções, especialmente nos segmentos de delivery, fintechs e mídia (aiqfome, Inloco, Hub Fintech, Canaltech, Steal the Look e Jovem Nerd).

Somente em 2020 e 2021 a Magalu realizou 22 transações do tipo, ou seja, depois de sua primeira aquisição em 1996, a empresa ficou 24 anos sem realizar um M&A. A aceleração de fato ocorreu em meio à pandemia, que exigiu a otimização dos serviços online da varejista e causou injeção de capital na companhia por conta do maior interesse dos brasileiros pela renda variável.

Além das empresas tradicionais, as startups maduras também começaram a fazer números maiores de M&As. O Méliuz – que começou como um serviço de cashback, mas hoje oferece alguns produtos financeiros em seu portfólio – nasceu em 2011 e fez seu IPO, ou seja, abriu seu capital na bolsa de valores, em 2020. Com o IPO, adicionou R$ 662 milhões ao seu caixa e passou a realizar aquisições, de lá para cá foram 5 startups adquiridas (Picodi, Acesso, Promobit, Melhor Plano e Alter), somando R$ 493,2 milhões nas transações.

POR QUE IMPORTA?

Os M&As são fundamentais para que as empresas alcancem objetivos variados com velocidade: acelerar o crescimento, aumentar a participação em um mercado, expandir para novas áreas, reduzir custos e aumentar a eficiência. Outra motivação comum é a aquisição de novos conhecimentos e talentos – a última, uma área que tem causado dificuldade nas empresas.

Um dos motivos para a aceleração do crescimento no número de transações do tipo foi a chegada de fundos como o Softbank, que passou a aportar valores crescentes nas startups brasileiras – um empurrão para que algumas delas criassem estrutura suficiente para realizar um IPO, acendendo o sinal de alerta para que as empresas passassem a comprá-las antes disso ocorrer para evitar a concorrência futura.

Com mais dinheiro disponível para as empresas – devido ao interesse maior em renda variável e possibilidade de realizar follow-ons – fez sentido utilizar o capital para realizar M&As. Para os próximos anos, as fusões e aquisições podem sofrer com um cenário macroeconômico que pode desmotivar investimentos em renda variável, especialmente por conta da tendência de alta da taxa básica de juros.

Ainda assim, o ciclo de fusões e aquisições costuma ser mais longo que ciclos de juros ou eleições – que também trazem desafios econômicos para esse ano. Portanto, ainda que menos brasileiros invistam na Bolsa de Valores em um curto prazo, as negociações de M&A devem continuar acontecendo.

Outros motivos para que as transações continuem ocorrendo é a digitalização acelerada do Brasil – que ainda ganhou impulso importante na pandemia – e as transações envolvendo startups que compram outras startups. Como foi o caso do Alter, que captou com a CapTable em outubro de 2020 e foi adquirido pelo Méliuz em julho de 2021.

Com mais startups capitalizadas no Brasil – foram mais de R$ 50 bilhões investidos em 2021 – a chance de novos M&As serem protagonizados por elas aumenta, já que a pressão dos investidores por crescer rápido e comprar outras startups também cresce.

Com essa tendência, mais oportunidades de exit, como é chamado o retorno do investimento em startups, geram mais oportunidades de entrada, já que o ecossistema se retroalimenta, trazendo capital recebido pelos investidores em uma saída de volta para o mercado de inovação. Os fundadores das startups compradas, por sua vez, passam a criar novos negócios ou, agora com a experiência de ter conduzido uma startup até sua venda, passam a investir em outras startups.

2021 também foi de volume de investimento recorde na CapTable, a plataforma de investimentos em startups da StartSe. Foram mais de R$ 51 milhões captados, para 30 startups, somando 5500 investidores e mais de 8 mil investimentos. Em 2022 a CapTable continuará com sua missão de ser um hub da Nova Economia – um local onde os diferentes players se encontram. Cadastre-se e saiba em primeira mão sobre novas rodadas e confira as oportunidades disponíveis.

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