Uma startup que incentiva um hábito muito saudável (e me impressionou)

Que mais crianças possam ler, aprender. O Brasil precisa disso

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Por Da Redação

15 de fevereiro de 2016 às 13:46 - Atualizado há 4 anos

Um dos benefícios de trabalhar no StartSe é a possibilidade de, todo dia, conhecer negócios novos, gente nova e interessante. Pessoas com paixão e interesses muito diferentes dos meus e que tentam mudar o mundo, cada um de suas maneiras. Mas também conheço muita empresa ruim – com donos que não tem um pingo de paixão no que fazem (apenas preocupados em “ganhar dinheiro”) e cuja função social de suas empresas é só ganhar dinheiro.

Contrariando o que meus professores e chefes já me ensinaram na vida, eu resolvi escrever esse texto aqui em primeira pessoa por um motivo: é impossível não associar minha vivência com o discurso que eu quero passar aqui. Não quero puxar o saco de ninguém, é apenas uma conclusão que eu cheguei sobre empreendedorismo graças a uma visita que fiz, recentemente, na startup PetiteBox (que, diga-se de passagem, captou R$ 550 mil no Broota ano passado).

A empresa gere um clube de assinatura de produtos para bebês pequenos, focando em gestantes e crianças de até dois anos. É um serviço bacana (a ponto de fazê-los captar uma pequena fortuna), lucrativo, mas que nunca me impactou tanto quanto o “novo produto” deles, que é um clube de assinatura diferente. E esse conseguiu me fazer ter vontade de assinar quando tiver um filho e que isso terá um efeito significativo na vida adulta dele. É um clube de assinatura de livros para crianças, o PetiteBook.

Uma pausa para contar um pouco da minha vida: caçula, nunca tive muito contato com criança (fora as que tinham minha idade). Quando comecei a namorar minha namorada, a irmã dela (minha cunhada!) tinha 6 ou 7 anos de idade. E sempre foi uma criança muito esperta, muito inteligente, capaz de conversar com os adultos de coisas de adultos e, principalmente, que gostava muito de ler.

E tirando algumas besteiras que crianças falam quando confundem conteúdo (em uma ocasião ela confundiu com Siena e disse que Viena ficava na Itália, em outra disse que havia praia em Praga, que o Quênia ficava nos Estados Unidos e assim vai…), a inteligência daquela garota me impressionou. Tem gente na minha família (na sua também!) que acha que Praga é só aquilo que dá em plantação e que Viena é aquele restaurante que tem nos shoppings em São Paulo. E isso com mais de 30 anos de idade! Imagina uma criança que sabe tudo isso e que consegue discutir uma porrada de assunto de adulto?

Ela sabia sobre estas coisas com 7, 8, 9 anos de idade. E quando eu conheci algumas das amiguinhas dela, percebi que a maioria nunca tinha ouvido falar sobre Viena, Praga ou confundir o Grand Canyon com “Grande Quênia”. Não falavam as coisas engraçadas que minha cunhada falava, mas justamente por não ter conteúdo e se esconderem atrás de discursos do comodismo do dia-a-dia, ou o “minha irmã disse”.

Para mim, aquele conhecimento tinha um motivo: leitura. Ela sempre foi incentivada desde pequena a ler e isso a tornou uma pessoa com muito mais conteúdo que a média das pessoas da idade dela. Ser incentivado a ler torna a criança mais curiosa e mais disposta a aprender. Hábitos bons que precisam ser ensinados para as crianças para que elas sejam vencedoras na vida. Na “Era da Informação”, é difícil você encontrar alguém de sucesso que seja orgulhosamente ignorante e não goste de aprender coisas novas.

A ideia da PetiteBook é justamente estimular isso. Não é uma função social de consumismo de curto prazo como muitas empresas que existem por aí (compre não sei o quê para seu filho hoje!). É algo educacional. O CEO da empresa, Felipe Wasserman, me explicou como funciona o produto: ele compra os livros (escolhidos juntamente com uma psicopedagoga) e entrega na casa dos assinantes. Há três faixas: crianças de 0-2 anos, 2-4 e 4-6. Os livros são tanto para a criança, quanto para o pai aprender a ler.

Mas há algo mais importante aí: a expectativa. A criança aprende a esperar para ganhar um presente todo mês. E aquele presente é um livro! Ele é incentivado a entender o livro como um presente, a gostar de ler. Cria uma relação de prazer com a leitura, com o conhecimento. Em um país tão carente de educação, vai me dizer que isso não é uma ideia boa?

Felipe me explicou que já pensava em fazer um novo clube de assinatura quando captou os R$ 550 mil – e que possui metas bem agressivas que seu outro produto, que . Esse tem menos margem do que a PetiteBox, mas (minha opinião) possui um sentido social mais importante. Há concorrentes que fazem coisas similares (até mesmo muito maiores que a PetiteBook, que ainda está só começando). Todos eles são extremamente importantes no momento.

Graças ao meu “espírito zueiro”, “Viena na Itália” já virou um meme na família da minha namorada. Minha cunhada nunca mais vai errar o nome do país (na minha frente pelo menos). Agora uma adolescente de 13 anos, ela tem vergonha de absolutamente tudo (e vai passar algumas semanas brava comigo se ler esse texto). Mas ela não devia ter vergonha do erro dela. Isso só foi possível por conta do hábito de ler, de aprender novas informações todo dia e isso não tem preço.

Que mais crianças possam ler, aprender. O Brasil precisa disso. E a PetiteBook é um caminho para tal.