Uber não é “inovação disruptiva”; mas o Netflix sim

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Por Paula Zogbi

30 de novembro de 2015 às 10:54 - Atualizado há 5 anos

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Você já deve ter escutado o termo “inovação disruptiva”, ou “disruptive innovation”, popularizado no livro “O dilema do inovador”, publicado em 1997 por Clayton Christensen. Ele fala sobre pequenas empresas e startups que desafiam as gigantes de seus respectivos setores, e muitas vezes realmente as destroem – já vimos isso acontecer algumas vezes, inclusive. Hoje, o Vale do Silício é o melhor amigo dessas empresas.

Mas, de acordo com seu criador, muitas pessoas estão usando o conceito de maneira errada: nem todas as companhias de tecnologia que estão mudando o mundo podem ser chamadas de inovação disruptiva. Para explicar isso, ele usou duas das maiores: o Netflix e o Uber.

O serviço do Netflix começou como algo voltado a um público extremamente específico, de pessoas que não se importavam em assistir títulos recém lançados, que colecionam DVDs e não necessariamente querem assistir a Blockbusters. As entregas eram feitas por correios e demoravam dias.

Eventualmente, quando foi lançado o inovador serviço de streaming, outros tipos de públicos acabaram sendo atraídos, e a empresa passou a ser uma ameaça às locadoras e à indústria como um todo; mas inicialmente o público-alvo era altamente segmentado. Essa é a definição de empresa disruptiva – normalmente, quando são criadas, as companhias maiores nem prestam atenção nelas: elas nascem subestimadas.

Já o Uber, comparativamente, nunca foi subestimado. Ele já nasceu como um serviço de massa, mirando o grande público – e não um segmento específico. Eventualmente, ao menos nos EUA, ele passou a ser uma opção acessível a pessoas que estão longe dos grandes centros; mas foi um movimento “de fora para dentro”, ao contrário do Netflix. Claro que o sistema é inovador, mas não se encaixa no conceito do professor de Harvard.