"Uber das reformas", startup recebe investimento de R$ 12 milhões

Startup promove serviços de reformas e construção sob demanda e atua no Brasil, Argentina e México

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Por Paula Zogbi

14 de outubro de 2015 às 16:39 - Atualizado há 4 anos

SÃO PAULO – O chuveiro quebrou. E agora? É ligar para os amigos e perguntar quem tem uma indicação de um eletricista de confiança, barato e que atenda aos seus telefonemas. Resolvido, mas notamos uma infiltração nas paredes…

Iguanafix é uma startup que promete serviços de manutenção da casa sob demanda, contratados e pagos através da internet e com profissionais selecionados e de confiança. Podem ser contratados, por exemplo, encanadores, eletricistas, pintores, pedreiros, entre outros. E há planos de oferecer serviços de conserto de carros em breve.

Com operações no Brasil, Argentina e México, a companhia acaba de receber um aporte de R$12 milhões pelo fundo de investimento Riverwood Capital, e pretende utilizar o dinheiro para intensificar e melhorar as operações brasileiras, que foram iniciadas em janeiro deste ano. Os serviços já estão disponíveis em São Paulo e Curitiba, e em breve chegarão ao Rio de Janeiro, sem data estabelecida.

Matias Recchia, que comanda a companhia, já foi CEO da Vostu, de jogos sociais. Ele afirma que o principal diferencial da Iguanafix é a segurança: “a ideia é encontrar profissionais de confiança para realizar serviços. Todos eles são avaliados e entrevistados pessoalmente”. O processo ocorre no escritório da companhia na Avenida Paulista, região central de São Paulo. No Brasil, já são cinco mil profissionais de diversos serviços.

Outro ponto importante é o preço: eles são padronizados e os serviços são pagos diretamente pelo app. “Já aconteceu de eu chamar profissionais para a minha casa que diziam que apareceriam e não apareciam, ou que prometiam um preço e cobravam outro”, diz o empreendedor, que teve a ideia do app por necessidade própria quando se mudou para a Argentina.

Em março de 2013 ele se uniu com Andrés Bernasconi, que também fez parte da Vostu, para iniciar a startup no país. “Andres e eu começamos primeiro fazendo o back-end e a parte de tecnologia, e depois lançamos o serviço em outros lugares”.

Com o aporte, as atividades no Brasil, que já crescem aproximadamente 50% ao mês, devem chegar a cerca de 20 mil ou 30 mil trabalhos realizados por mês daqui um ano. Para o CEO, a Riverwood é um fundo interessante por tratar as empresas com operações na web “como se fossem empresas normais”. Ele afirma que segue buscando outros investidores interessados.

E a crise?
De acordo com Recchia, a crise atual no país é uma oportunidade. “[neste momento] há mais profissionais buscando trabalho e portanto mais oportunidades para conseguir profissionais, porque eles estão mais abertos a construir uma base de clientes”. Além disso, ele acredita que os clientes em potencial, por passarem mais tempo em casa, acabam realizando “pequenas reformas”.

“Nosso site também possui preços competitivos e a possibilidade de parcelar o pagamento dos serviços no cartão, além da segurança”, o que facilitaria em um momento de dificuldades, acrescenta o empreendedor.

Inspiração
Quase nenhuma ideia surge sem uma inspiração por trás. No caso da Iguanafix não foi diferente. “Eu não quero falar muito do Uber, mas a qualidade do serviço, a transparência e a simplicidade [do aplicativo de motoristas] para o usuário e para os profissionais são uma inspiração”, diz Matias. “Quando falamos em experiência, pensamos muito no Uber e na Amazon”.

Ele acredita que o principal diferencial é a preocupação com o atendimento, tanto na web quanto na entrega do serviço. “Gostamos muito da ênfase no serviço ao consumidor da Amazon, tanto online como offline. O app tem que ser muito bom, mas para nós a diferença é a assistência que o cliente tem offline, a experiência tem que ser a mesma”.

Isso faz diferença também no alcance do serviço, que atualmente depende muito de boca-a-boca e indicações. “Já investimos em publicidade, em Google ads e algumas coisas offline, mas atualmente funcionamos muito mais por indicação”, afirma.