Theranos, startup avaliada em US$ 9 bilhões, tem dificuldades com sua própria tecnologia

Avatar

Por Júlia Miozzo

15 de outubro de 2015 às 17:05 - Atualizado há 5 anos

Logo ReStartSe

GRATUITO, 100% ONLINE E AO VIVO

Inscreva-se para o Maior Programa de Capacitação GRATUITO para empresários, gestores, empreendedores e profissionais que desejam reduzir os impactos da Crise em 2020

SÃO PAULO – Apenas 10% dos testes de sangue realizados pela startup Theranos no final de 2014 utilizaram a tecnologia revolucionária da empresa, segundo o The Wall Street Journal. O restante das amostras foi avaliado usando métodos tradicionais.

O artigo ainda afirma que funcionários da empresa têm dúvida sobre o quanto os testes próprios são confiáveis. A Theranos, por sua vez, respondeu que os funcionários mencionados “nunca estiveram em posição de entender a tecnologia da Theranos e não sabem nada sobre o processo atualmente usado pela empresa”.

O grande diferencial da startup é a realização de exames de sangue com uma pequena amostra do componente, tornando-os mais simples e, consequentemente, mais baratos – garantindo que mais pessoas tenham acesso a eles. Elizabeth Holmes, fundadora e CEO da startup, tornou-se a mulher bilionária mais jovem dos Estados Unidos.

A publicação do WSJ mostra que, no início de 2014, a startup realizava os testes de proficiência usando a sua tecnologia, mas dividiu os testes entre suas próprias máquinas, as Edison, e outras compradas de outras empresas – e os resultados apresentados diferiam quanto à vitamina D, dois tipos e hormônio da tireoide e câncer de próstata. Após verificar que os resultados eram diferentes, a COO da empresa, Sunny Balwani, pediu para que só mostrassem os resultados das máquinas externas ao governo. Para os testes em pacientes, eram usadas as máquinas Edison.

Durante o período examinado pelo jornal, a empresa usou máquinas compradas de empresas como a Siemens para a maioria dos testes. Para usar suas próprias máquinas, a startup tinha que diluir algumas das menores amostras coletadas. Isso gerou problemas, como níveis de potássio tão altos em resultados que eram impossíveis de aparecer no sangue de uma pessoa viva. Isso porque as amostras coletadas no método Theranos, da ponta dos dedos, podem ser menos puras do que as coletadas de uma veia – como no método tradicional.

O conselheiro geral da empresa, Heather King, disse que não havia problema algum com os testes de potássio, negando ter entregue resultados errôneos aos pacientes.