Sua startup vai falhar, e você precisa saber disso

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Por Paula Zogbi

28 de janeiro de 2016 às 11:19 - Atualizado há 5 anos

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A palestra “Sua Startup vai falhar. Nós Falhamos!” – com empreendedores que tiveram experiências frustradas – na Campus Party Brasil estava lotada, com pessoas assistindo de pé.

De acordo com pesquisas, metade das startups não dura nem 4 anos. No Brasil, 25% delas não duram nem mesmo o primeiro ano completo de vida. Este é o tamanho da importância de falar sobre o tema entre empreendedores. Ainda assim, pouquíssimas pessoas no país realmente o fazem.

“Nós temos o ego muito inflado”, afirma Edson Mackeenzy, ou Mack, fundador do primeiro portal de videos do Mundo, o Videolog.tv – que, obviamente, dado o contexto, faliu. “Quanto mais tivermos vergonha de dividir nossos fracassos, menos a gente ajuda”, completa o empreendedor, que hoje trabalha como CLT e garante ser uma pessoa humilde.

Existem inúmeras maneiras de uma nova empresa dar errado. “No nosso caso, o problema principal foi que tentamos ganhar dinheiro muito antes do que deveríamos, e subdimensionamos as possibilidades para o nosso negócio”, conta Allan Campos, fundador do – também hoje inexistente – Instaquadros, que nasceu como uma vitrine para que fotógrafos vendessem seus trabalhos.

Já para Mack, o maior problema foram as decisões erradas. “Desastrosas. Nos últimos 4 anos, tomei algumas decisões desastrosas. No início, eu odiava os EUA, e acho que esse foi meu erro principal”, comenta. A empresa, que tinha uma parceria com a Record, começou a ter problemas ao perder o financiamento dessa fonte única. “Eu tinha que pagar US$45 mil só de hospedagem do site”, suspira o empreendedor, que não parece, hoje, desanimado. “Estamos aí, acontece, alguém tem que ser o Vasco da Gama”, ri, em referência à fama de vice-campeão do clube carioca de futebol.

Culpa e problemas

Citando o personagem mítico capitão Nascimento, Allan dispara: “o comando é meu, a responsabilidade é minha”. Não há motivo para tentar culpar outras pessoas, nem imaginar um universo paralelo “a gente adora pensar ‘e se’. Não tem ‘e se’, as coisas aconteceram de uma determinada maneira e é isso”.

Nenhum dos dois acredita ter confiado nas pessoas erradas. Eles inclusive acreditam que confiar nas pessoas é importante. “O brasileiro é muito desconfiado, e é por isso que as coisas aqui dão errado”, comenta Allan, completando o comentário anterior de Mack: “se o cara for um babaca, não vai dar certo de qualquer jeito” – sem confiança, ninguém começa nada.

Outro grande problema pelo qual passam muitos empreendedores é a incapacidade de pensar no macro. “Nem todos são empreendedores. As pessoas não pensam como você, e você precisa saber como as pessoas pensam antes de tentar resolver seus problemas”, ensina Mack.

Querer o retorno pessoal é outro erro comum. “Você é o primeiro investidor da sua startup, e deve ter em mente que só vai receber o que, eventualmente, sobrar”, responde Allan a um espectador que questionou sobre salários. “Quem trabalha em startup ganha o mínimo necessário para sobreviver”.

Reconhecimento e vida em empresa

“Depois que você constrói algo legal, você começa a ser conhecido como um cara que inovou”, diz Allan, que recebeu diversas propostas em projetos de tamanhos diferentes e em grandes empresas depois de anunciar o fim do Instaquadros. Ele continua: “em startup, as pessoas não falham. O trabalho de quem inova é justamente tentar não falhar”.

Já para Mack, o legado é a maior recompensa pelo trabalho desenvolvido com o videolog. “Criamos algo que não existia antes, 6 meses antes do YouTube. Tive um retorno de 12 a 15 vezes a quantia que investi inicialmente. Saí da comunidade de Bangu para um reconhecimento enorme. Não sou um fracasso, sou o cara”, comemora.

Ainda assim, o espírito empreendedor é forte e trabalhar em corporações para outras pessoas não é exatamente a posição em que Allan e Mack gostariam de estar para sempre. “Me sinto como um leão selvagem em uma cela de zoológico em Nova York”, dispara Mack.