Por que não temos startups unicórnios de agrotech no Brasil?

Tainá Freitas

Por Tainá Freitas

19 de junho de 2019 às 11:35 - Atualizado há 1 ano

Vem aí a melhor formação de líderes do Brasil

Logo Liderança Exponencial Aprenda as novas competências fundamentais para desenvolver uma liderança exponencial e desenvolva diferenciais competitivos para se tornar um profissional de destaque no mercado.

100% online, aulas ao vivo e gravadas

Próxima turma: De 14 a 17/Dez, das 19hs às 22hs

Inscreva-se agora
Logo Cyber Monday 2020

Só hoje, nossos melhores Cursos Executivos ou Programas Internacionais com até 50% off

Quero saber mais

O Brasil possui seis unicórnios (startups que alcançaram o valor de US$ 1 bilhão). São elas o 99, Nubank, iFood, Gympass, Loggi e PagSeguro (para quem o considera). Nenhuma delas é uma agrotech. Para Francisco Jardim, cofundador do fundo de capital SP Ventures, isso acontece porque o setor está de três a cinco anos atrasado no país.

“A infraestrutura do campo atrasou em comparação ao meio urbano. Demoramos para depender do mobile, há o analfabetismo digital e desenvolver inovações para o campo demanda mais tempo do que para uma fintech, por exemplo”, explicou. Jardim esteve na AgroTech Conference da StartSe, que acontece nesta quarta-feira (19).

Uma das principais dificuldades das agrotechs é a conectividade. Em muitas fazendas não há conexão com internet, atrasando a chegada de tecnologias muito promissoras para o setor, como internet das coisas (IoT). No entanto, esse cenário está começando a mudar. Já existem soluções com IoT, drones, e-commerce de máquinas, entre outras.

De acordo com o AgTechGarage, existem cerca de 300 startups com soluções para a agricultura e agronegócio no país. Elas estão ganhando destaque desde 2017, quando três brasileiras foram algumas das empresas descritas como “mais inovadoras do setor” pela CBInsights. São elas a BovControl, Strider (que foi adquirida pela Syngenta) e Aegro.

A Aegro é uma das agrotechs investidas pelo próprio SP Ventures – e a principal aposta de Francisco Jardim para o primeiro unicórnio agrotech do Brasil. Segundo o investidor, essa é a empresa que mais cresce no portfólio do venture capital.

“A Aegro não é uma Loggi, Rappi, iFood, que vemos o dia inteiro nas ruas. No entanto, ela está criando valor ao tirar os produtores do caderninho, Excel, e os levando para um sistema robusto em nuvem”, contou Jardim. A startup oferece um software de gestão agrícola que reúne desde as contas para pagar até o controle de estoque e equipe.

A startup possibilita desde o estabelecimento de metas para colheitas até a análise da rentabilidade individual em cada uma delas. Por oferecer soluções inclusive de georreferenciamento de áreas, produção e venda e patrimônios, a Aegro pode se tornar uma solução completa aos produtores.

E, para Jardim, apesar do atraso, as agrotechs estão cada vez mais robustas. “Nos últimos anos, o mercado explodiu, trazendo recordes de investimentos no mundo desde 2014”. Em 2018, segundo o AgriFood Tech Investing Report, o valor dos aportes no setor mundialmente foi US$ 16,9 bilhões, distribuídos em cerca de 1.450 diferentes investimentos.

Foto: Eduardo Viana