Startup torna possível pedir empréstimos – e emprestar – sem ajuda de bancos

Voltada a pequenas empresas e investidores individuais, a Biva facilita acesso a crédito e já movimentou R$2 milhões só nas operações on-line

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Por Paula Zogbi

23 de novembro de 2015 às 10:41 - Atualizado há 4 anos

As empresas de FinTech já são tendência no Brasil e no mundo. Iniciativas como os sites Kickante e Broota, de financiamento coletivo, são só alguns dos exemplos de como o país está se inserindo em um mundo que precisa cada vez menos dos bancos tradicionais.

Neste cenário, os empresários Jorge Vargas e Paulo David criaram, em 2014, a startup Biva, que possui um formato que ainda não havia sido explorado no mercado do país: o de peer to peer lending (P2P) – ou empréstimo de dinheiro entre pessoas, sem intermediação de instituições bancárias, que são pouco acessíveis a boa parte da população.

De acordo com a empresa, só no ano passado esse formato de transações movimentou mais de US$6 bilhões nos Estados Unidos, e tem atraído, no Brasil, pequenos empreendedores com dificuldades em pagar suas dívidas perante bancos – segundo dados do Sebrae, 45% das micro e pequenas empresas (ou 2,17 milhões de pessoas) estão em débito com seus tributos.

“O que a gente faz é a ponte entre aquelas pessoas que têm negócios transformadores, mas precisam de um empurrãozinho, e aquelas que têm dinheiro para investir e querem um retorno maior do que receberiam se deixassem o dinheiro parado nos bancos. Como não há intermediação de um banco e o tradicional spread bancário, conseguimos alcançar taxas mais justas para os dois lados do processo”, explica Jorge Vargas, CEO da companhia.

Baseada em uma plataforma completamente virtual, a Biva possui ferramentas de análise de crédito que medem ganhos e riscos para cada um dos investimentos, e as operações são monitoradas pelo Banco Central. Segundo Paulo, “desde o início das operações, a Biva mantém contato direto e constante com o órgão regulador, que recebeu muito bem o que é feito pela empresa”. Jorge complementa que o apoio do órgão tem a ver com a busca por facilidade de crédito, o que movimenta a economia. De acordo com ele, “trouxemos para o Brasil um modelo inovador caracterizado por gerar maior eficiência (juros baixos e retornos mais altos) e segurança (não há alavancagem nas operações) para o mercado financeiro; e permitimos que instituições financeiras pequenas possam competir com grandes conglomerados”.

Para quem usa o sistema com o intuito de investir, após seis meses de investimento, o retorno promete ser 42,47% maior do que teria aplicando o mesmo valor em CDB. Em 12 meses, essa diferença salta para 44,46%, e, em 24 meses, para 48,7%. Com relação à poupança, a diferença é ainda maior: após seis meses, o retorno com a Biva é 122,66% superior. Em 12 meses, 128,5%, e, em 24 meses, seus ganhos são 141,05% maiores que com a poupança, de acordo com informações de um comunicado da empresa.

A média de todos recursos aportados é de R$ 18.900, e mais de R$ 2 milhões foram transacionados, potencializando negócios transformadores.

Apostas e ferramentas

Outros nomes do FinTech no país apostam na iniciativa. Segundo Jorge, o único investidor-anjo da startup é David Velez, fundador e CEO da Nubank – startup que oferece um cartão de crédito sem anuidades e com taxas mais baixas, além de operações 100% eletrônicas. Outros investimentos vieram da Kaszek Ventures e da Vox Capital.

A Biva tem crescido com rapidez. Em seis meses de operação, a empresa já movimentou “mais de R$2 milhões em operações on-line. Em ambiente off-line (disponível apenas para investidores qualificados), os valores são substancialmente maiores”, garante Jorge. Paulo complementa: “no 2º semestre, a Biva teve 450 investidores cadastrados no sistema e 2.000 interessados em participar da iniciativa como investidores”.

Até o momento, a empresa conta com 21 funcionários, e os empreendedores garantem que possuem uma boa ferramenta contra inadimplências. “Caso aconteça inadimplência, a Biva já desenvolveu um modelo inovador de cobrança, visando humanizar a forma de contato com o tomador de empréstimo (a maioria das pessoas deixa de pagar por problemas alheios a sua vontade e não por que querem). Até hoje, a Biva não teve nenhum caso de inadimplência acima de 30 dias”, garante Paulo.

No médio prazo, de acordo com os empresários, a Biva seguirá atendendo apenas pequenas empresas. Mas Paulo afirma que existe o intuito de oferecer crédito para pessoa física.