Startup que conecta doadores de sangue à hemocentro faz captação

A Nosso Sangue convoca doadores de cada tipo de sangue para hemocentros com baixa no estoque. É a doação certa, na hora certa

Tainá Freitas

Por Tainá Freitas

7 de novembro de 2017 às 09:49 - Atualizado há 2 anos

Há pouco mais de um ano, a Nosso Sangue tomava forma. A startup constrói uma base de cadastro de doadores e tem acesso ao estoque do banco de sangue no hemocentro. Quando algum hemocentro registra a baixa no estoque de um tipo específico de sangue, convoca doadores que possuem apenas aquele tipo específico de sangue. A Nosso Sangue está captando R$ 800 mil no formato de equity crowdfunding realizado via Broota. O ticket mínimo de doação é de R$ 500 e a participação oferecida é de 25%.

A Nosso Sangue traz uma solução única para todos os hemocentros no Brasil, que enfrentam, durante todo o ano, estoques instáveis. É uma situação delicada: com as campanhas de incentivo de doação de sangue, os estoques ficam cheios. Um fator que complica essa equação é que o sangue é um produto perecível – ou seja, possui uma data de validade. E ela é curta: as hemácias sobrevivem, no máximo, 42 dias, enquanto as plaquetas duram de 3 a 5 dias. Quando há uma oferta muito grande para a demanda, acontece o desperdício de um produto vital.

O desperdício é sentido com grande pesar porque, em outros casos, a carência do sangue é muito grande. Por isso, a plataforma da Nosso Sangue calcula o ideal de estoque e busca equilibrar quaisquer diferenças. Por isso, ao invés das pessoas doarem o sangue que talvez não seja prioridade naquela hora, elas são convocadas e fazem a doação certa, na hora certa.

Em cada convênio firmado, a Nosso Sangue e os hemocentros possuem sua responsabilidade. A Nosso Sangue não pode acessar o banco de dados de doadores do hemocentro, por exemplo, apenas o estoque de sangue. Já os hemocentros devem fazer um feedback quanto a plataforma e atualizar os dados regularmente.

“Grande parte do problema de sangue no Brasil é a falta de comunicação. A população não tem a informação de quais são os estoques do hemocentro, do que eles precisam e quando eles precisam”, diz Bruno Santucci, fundador da Nosso Sangue juntamente à Marçal Santucci.

Modelo de negócios

Além de ser a ponte de comunicação entre os doadores e hemocentro, o modelo de negócios da Nosso Sangue também é desenvolvido a partir dessa ferramenta. Os convênios com os hemocentros são gratuitos. A renda da Nosso Sangue vem através da convocação dos doadores: marcas podem se tornar madrinhas e apoiadoras e possuir o nome na causa.

Quando os doadores são convocados por e-mail, por exemplo, recebem a mensagem, que pode conter o logo da marca ou ser totalmente personalizada. É uma forma de empresas mostrarem apoio a uma causa social universal, estabelecendo um vínculo ainda mais próximo com seus clientes.

Para marcas madrinhas, a exibição é nacional, para convocações de doações de sangue em todo o país. Para as apoiadoras, a exibição é regional, focada em regiões específicas filtradas a partir do CEP.

“A marca pode realizar uma campanha mostrando que é uma apoiadora Nosso Sangue, usando o licenciamento da marca, e se diferencia no meio dela dessa forma. Também pode criar promoções para pessoas que estão cadastradas em nossa base”, afirma Bruno Santucci.

Parcerias

A Nosso Sangue também possui convênio com o Lions e Rotary, mas cada clube – normalmente existe um em cada bairro – decide se quer fazer parte deste convênio. Dessa vez, as associações são as multiplicadoras, unindo a Nosso Sangue com empreendedores de comunidades locais. Das vendas, os clubes ficam com 20% de comissão – 10% direto para o clube, e outros 10% para um fundo de subvenção de projetos selecionados. São selecionados os projetos de maior impacto dessas associações.

Quem decide quais projetos serão subvencionados é um conselho, ainda em fase de criação, mas possuirá membros representantes do Lions, Rotary, do meio governamental e empreendedor. “Queremos uma representatividade de todos os âmbitos da sociedade que estamos lidando”, afirma Bruno. “A missão deles é nos manter sempre equilibrados com os impactos sociais que precisamos gerar”, comenta Marçal.

Captação de investimento

Os R$ 800 mil reais investidos serão usados para o aprimoramento da plataforma, que será lançada inicialmente em Curitiba. O montante será utilizado para expansão nacional e realização de uma comunicação efetiva, já que essa é a chave do negócio.

O equity crowdfunding via Broota foi escolhido por um motivo: 54% dos investidores reconhecem o impacto social como tão importante quanto o retorno financeiro. “Em nenhum momento da história da Nossa Sangue dissociamos essas duas coisas. O retorno financeiro sempre tem que vir atrelado ao impacto social”, afirma Bruno.

Por isso, o ticket mínimo para o investimento via Broota é um valor simbólico: R$ 500 reais é o custo médio para a coleta de uma bolsa de sangue no Brasil. “Vamos resolver um problema público através da iniciativa privada, sem interferência do governo e economizando o que gastam em campanhas mal sucedidas por ano”, conclui Bruno.

Iniciativas que melhoram o mundo como conhecemos fazem parte da Nova Economia. A Nova Economia está sendo discutida por Maurício Benvenutti, autor do bestseller Incansáveis, em um curso online da StartSe.

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