Alunos da StartSe University vendem startup para a XP

José Eduardo Costa

Por José Eduardo Costa

12 de junho de 2020 às 19:00 - Atualizado há 3 meses

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Em outubro de 2017, o economista Renan Georges (centro da foto)  e seu sócio Felipe Bonani (à esquerda) foram com a StartSe ao Vale do Silício, berço das maiores startups do mundo, para ver de perto como as fintechs e outras empresas usam a tecnologia para escalar seus negócios. Na época, os dois junto com Walter Poladian já desenhavam as estratégias para o Fliper, fintech fundada pelo trio naquele mesmo ano, decolar.

“Os conhecimentos que captamos no Vale com a StartSe atualizaram a nossa visão dos conceitos que já tínhamos de Lean Startup, escrito por Eric Ries, que mostra como criar algo novo sob condições incertas. Dois ensinamentos que para mim foram fundamentais nesta experiência com a StartSe University foram: apaixone-se pelo problema e não pela solução, e a ideia de criar um protótipo de suas ideias, rapidamente testá-las, e a partir dos feedback dos clientes, ir melhorando o produto”, diz Renan.

Os impactos das novas tecnologias no mercado financeiro e como as empresas que estão aplicando essas tecnologias para transformar para melhor a experiência do consumidor são os temas das aulas na Missão Fintech no Vale do Silício.

De volta ao Brasil, os sócios começaram um período intenso de testes da tecnologia de conectividade utilizada pelo Fliper, que permite integrar as informações financeiras dos usuários e parametrizá-las, para que o cliente possa rapidamente comparar o desempenho da sua carteira com índices de mercado.

Em pouco tempo, o Fliper cresceu e hoje mapeia mais de R$ 7 bilhões em investimentos em sua plataforma, que possui 80 mil usuários ativos. Esses números chamaram a atenção de executivos da XP. Há um ano, os sócios da Fliper começaram a começar com a XP sobre a possibilidade das empresas se unirem. O resultado dessas conversas foi anunciado na segunda-feira 8 pela XP, que comprou uma participação majoritária na fintech.

Um novo modelo

Para Renan, fazer parte da XP cria oportunidades de acelerar ainda mais o crescimento da startup. “Temos diversas sinergias que possibilitará acelerar o nosso crescimento nos próximos anos. Fizemos questão de garantir em contrato a independência da gestão para que os nossos usuários tenham a certeza de que seguimos trabalhando da mesma forma”, diz.

O valor da aquisição não foi revelado. Renan, no entanto, afirma que um ponto importante para o desfecho da negociação foi que a XP deu garantia de independência aos sócios, que permanecem com uma participação na empresa e total independência na gestão do negócio.

Para a XP, a aquisição do Fliper faz parte da estratégia de crescimento da companhia e tem o objetivo de acelerar o movimento do open banking no Brasil, ao mesmo tempo que visa oferecer aos clientes um diferencial para administrarem seus investimentos.

Hoje, os bancos trabalham com um modelo em que possuem o total controle dos dados, desenvolvendo internamente aplicativos e soluções para gerenciá-los. Já no Open Banking, eles passam a fazer parte de um novo modelo de negócio, onde disponibilizam APIs (Application Programming Interface, ou Interface de programação de aplicações) para que outras empresas possam criar serviços integrados à instituição.

Antecipando o Open Banking

Com essas interfaces, o usuário pode ter uma experiência conectada, automaticamente, a diversos sistemas e soluções. Por exemplo: ao usar um aplicativo de gestão de investimentos ou controle de gastos, o cliente pode integrar e gerenciar as informações do sistema de seu banco – concentrando tudo em um só lugar.

“O que o Fliper está fazendo é antecipar o Open Banking para que os usuários tomem decisões de investimentos mais inteligentes. Reunimos, em um mesmo lugar, informações bancárias e de corretoras para que o cliente possa acessar e comparar produtos, serviços, taxas tarifas e muito mais”, diz Renan.

“Com a XP, unimos um shopping de investimentos, que oferece produtos customizados para clientes distintos, e o Fliper, que processa e compara informações do mercado para que o cliente tenha maior transparência nas suas escolhas”, afirma o empreendedor.

A projeção dos sócios é de que nos próximos três anos a fintech atinja a marca de 5 milhões de usuários ativos. “Estamos construindo nosso produto com o cliente e não apenas para ele”, diz Renan, repetindo uma frase que ouvia muito na sua imersão no Vale com a StartSe.

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